Coluna semanal com Débora Zanelato
“Ninguém ajuda quem não quer ser ajudado” é daquelas frases da sabedoria popular que, na nossa vez, a gente torce para que esteja errada. Falo por mim. Quantas vezes já não achei que era minha a responsabilidade por tirar o outro do buraco, por ajudar aqui ou ali, por me colocar em situações que – honestamente – minha ajuda nem havia sido solicitada?
Sem nem perceber, a gente entra num modo onipotente que se acha muito capaz de auxiliar em questões que, por mais que percebamos o potencial de mudança, essa transformação em nada depende do nosso esforço. E sempre que trago um padrão de comportamento aqui, você já sabe que estou me referindo a tudo: nas relações amorosas, familiares, no trabalho, até entre amigos. O padrão nosso se repete por onde a gente vai.
E por muito tempo, eu achava que querer ajudar o outro – mesmo quando ele definitivamente não se ajudava – era um gesto de doação, de comprometimento, de entrega, de amor. Eu só precisava me esforçar mais um pouco, orientar mais um pouco, mostrar mais um pouco a importância de tal mudança… E o resultado é que nada de diferente acontecia. Óbvio! Mas só é óbvio agora, que os acontecimentos estão distantes o bastante para eu não me fusionar. É que, quando muito próximos, a gente se mistura demais e deixa de perceber as bordas. As nossas, as do outro. Bordas, um eufemismo para limites.
Achamos que é da nossa conta coisas que não são. Insistimos para que enxerguem o que os nossos olhos estão vendo. Isso quando não nos sentimos injustiçados por situações das quais a gente mesmo dissolveu as bordas (os tais limites!) e agora ficou mais difícil de separar.
Sempre digo que “largar o osso” é a liberdade. Tentar é bom, ajudar pode ser nobre, mas traz imensa paz saber a hora de se retirar e entender que o caminho é de cada um. E uma energia vital muito preciosa é liberada para a nossa própria vida quando a gente não só entende com a cabeça, mas sente com o coração, que fizemos tudo o que era possível. Podemos até lamentar o desfecho, podemos ainda ter algum pesar por perceber o potencial de alguém ou de uma relação está desperdiçado. Mas aprendemos a respeitar as coisas como são hoje.
Por isso, sempre que você se perceber ajudando demais, insistindo demais, acreditando que com você vai ser diferente, pare. Dê uns dez passos atrás. Tome distância. Não olhe para o potencial. Olhe para o real. Saia da fusão. Aceite que cada um tem sua jornada a cumprir.
E confie que, aqui na Terra, nós é que somos os grandes responsáveis pelo nosso caminhar.
Que nesta semana, você cuide amorosamente do seu caminho.
Até domingo, Débora Zanelato
Débora Zanelato (@deborazanelato)




























