CONTO: O que aconteceu quando reencontrei uma amiga

As surpresas dos encontros e desencontros

Esta semana, uma amiga dos tempos de faculdade, que eu não via há uns bons anos, me mandou mensagem. “Vamos almoçar?”, disse assim, curtinho. O curioso é que eu vinha pensando muito nela, e bem nesses últimos dias. Às vezes, quando enfrento algum desafio, penso sobre como alguém que admiro lidaria com tal situação. A Maitê foi a minha primeira amiga de turma, e percorremos o curso de jornalismo juntas. Eu apreciava sua inteligência, sua autenticidade e sua maneira corajosa de se expressar. 

Assim que vi aquela curta mensagem, respondi. Marcamos o almoço para a mesma semana (coisa meio incomum de acontecer em São Paulo, na confluência de agendas, localidades, filhos etc). Esperei a minha amiga no lugar e horário combinados. Ela chegou e demos um longo abraço. Os anos que se passaram não haviam criado distâncias entre nós.

Entre uma garfada e outra, nos atualizamos sobre a vida: as mudanças de cidade, de estado civil, o crescimento dos filhos, os desafios profissionais e os nossos tempos de faculdade, quase vinte anos atrás.

E tem uma coisa bonita quando você encontra alguém que te quer bem, e que te conhece bem há tanto tempo. Ele te relembra um pouco de quem você é, daqueles detalhes da sua essência que os anos não levaram embora, mas que no embalo dos dias, você se esqueceu. É como se aquela pessoa querida encontrasse na gente uma caixinha dourada e empoeirada e que, ao abrir, nos mostrasse o próprio tesouro guardado.

Me dei conta de como é precioso cultivar relações assim, com quem a gente se sente bem sem esforço, sem precisar se encaixar. É como chegar em casa e tirar o sapato que incomoda, a calça que aperta, e se espalhar no sofá. Se existir a expressão “amigo conforto”, igual existe “comida conforto”, a Maitê é um bom exemplo.

Nos despedimos com o próximo encontro já marcado na agenda. Renovadas pelo tempo já vivido, desejosas pelo tempo que está por vir. Relembrei de outros tantos amigos que o tempo e a rotina parecem ter deixado para trás. Acho que sei como resolver isso e a mensagem é simples. Vamos almoçar?

Que você também tenha uma semana de reencontros inesperados, e aquela mágica sensação de se sentir confortável exatamente como você é.

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Por Débora Zanelato

 

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