Brasília: CPI aprova quebras de sigilos de cunhado de Daniel Vorcaro

Comissão convoca também servidores do Banco Central e ouve empresário ligado à gestora investigada por suspeita de lavagem de dinheiro

A CPI do Crime Organizado no Senado aprovou a quebra dos sigilos fiscal, telefônico e telemático de Fabiano Zettel, que é cunhado do dono do banco Master, o empresário Daniel Vorcaro. Ao todo, 27 requerimentos foram votados em bloco e aprovados de uma só vez pela comissão, ampliando o alcance das apurações.

A CPI autorizou o acesso aos dados fiscais de Luiz Felipe Mourão, apontado como operador do esquema investigado. Ele ficou conhecido como o ‘Sicário’do esquema Master e morreu enquanto estava preso na Polícia Federal. Os parlamentares pediram informações oficiais ao Supremo Tribunal Federal sobre as circunstâncias da morte, em solicitação encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do caso.

Outro ponto aprovado foi aconvocação de dois servidores do Banco Central, investigados por suspeita de favorecer o Banco Master e de repassar informações privilegiadas. Eles foram alvo da última fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

Também foram aprovados convites para que prestem esclarecimentos os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o ministro da Casa Civil Rui Costa e o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo.

O presidente da CPI, o senador Fabiano Contarato, afirmou que a comissão tem legitimidade para aprofundar as investigações e reforçou que ninguém está acima da lei.

Durante a reunião, a CPI também ouviu o empresário João Carlos Mansur, ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos. Ele chegou à Comissão amparado por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, que lhe garantiu o direito de não responder perguntas que pudessem incriminá-lo.

A Reag administrava fundos de investimento foi alvo de duas operações da Polícia Federal: a Carbono Oculto, que revelou um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis usado para lavagem de dinheiro do PCC, e a Compliance Zero, que também investiga crimes relacionados ao Banco Master.

Na CPI, Mansur respondeu apenas a perguntas mais gerais sobre o funcionamento dos fundos de investimento e tentou afastar a responsabilidade direta da gestora sobre as aplicações.

“Um fundo é um condomínio, ele é como se fosse um prédio. O administrador é a imobiliária que administra o prédio. O gestor é o síndico que cumpre o regulamento do condomínio e os donos do fundo são os donos do prédio. Os administradores são fiscalizados diariamente pela CVM de forma automática”.

O relator da comissão, senador Alessandro Vieira, explicou que o depoimento foi rápido, durou menos de uma hora, porque o empresário não trouxe novas informações sobre a relação entre a gestora e o Banco Master. Segundo ele, o objetivo da CPI é manter o foco na investigação e avançar na coleta de provas.

Agora, os senadores também tentam abrir diálogo com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, para discutir decisões judiciais que suspenderam algumas quebras de sigilo aprovadas pela comissão.

Nesta quarta-feira, era esperada também a presença do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, mas ele não compareceu nem enviou representante. Leite havia sido convidado a falar na CPI para prestar esclarecimentos sobre a atuação de facções criminosas no Rio Grande do Sul.

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Reportagem Katia Maia

 

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