Infelizmente o que temos visto há muitas décadas podemos classificar como “vergonha nacional”
A chamada “grande imprensa” – representada hoje por grupos como: Grupo Globo, Grupo Record, SBT e Grupo Bandeirantes – ocupa uma posição central na formação da opinião pública. Isso, por si só, já impõe uma enorme responsabilidade, que é informar com precisão, pluralidade e compromisso com o interesse público. O problema é que, na prática, muitas vezes ou quase sempre o que se vê é uma cobertura marcada por vícios estruturais.
Programas jornalísticos, especialmente os da TV aberta, frequentemente priorizam o impacto emocional de seus públicos, como violência, escândalos, conflitos de toda natureza, em detrimento de uma análise mais profunda. Isso empobrece o debate público e cria uma percepção distorcida da realidade. As críticas quase sempre são imperceptíveis. Mas o sensacionalismo, especialmente contra os governos, segundo eles (os grupos), aumenta suas audiências.
Nos temas complexos, como economia, políticas públicas ou questões sociais, esses são tratados de forma superficial, havendo sempre uma falta de profundidade. A pressa do ciclo de notícias e a necessidade de “prender o público” deixando-o sempre atento, acaba sacrificando a qualidade da informação.
Sobre os interesses econômicos e políticos, é ingênuo imaginar que grandes conglomerados de mídia sejam totalmente neutros. Como empresas, eles têm interesses comerciais e, muitas vezes, também nas relações políticas. Isso pode influenciar a escolha de pautas, o enquadramento das notícias e até o destaque dado a determinados assuntos.
Já na polarização há uma perda de credibilidade nos noticiosos desses veículos, escritos ou falados. Em um ambiente já polarizado, parte da imprensa acaba sendo vista, ou atuando como alinhada a determinados lados. Isso fragiliza a confiança do público, que passa a consumir informação com viés de desconfiança.
Mas é importante fazer uma distinção fundamental: Apesar das críticas, a imprensa profissional ainda é um dos pilares da democracia. Foi por meio dela que inúmeros casos de corrupção, abusos de poder e problemas estruturais, e até tentativas de golpe vieram à tona ao longo da história do país. Ou seja, o papel dessas empresas não é “defender o país” no sentido de adotar uma postura patriótica acrítica, mas sim defender o interesse público – o que inclui fiscalizar governos, empresas e instituições, independentemente de ideologia. Só que isso tudo por inúmeras vezes é esquecido.
Então, o que se espera da imprensa? Mais responsabilidade e menos espetáculo. Mais investigação e menos opinião disfarçada de notícia. Mais pluralidade de vozes. Com um compromisso real com a verdade factual.
Ao público também cabe um papel essencial, que é o de consumir informação de forma crítica, buscando diferentes fontes e não aceitando passivamente o que é apresentado. Em resumo, a crítica à grande imprensa é válida e necessária – mas ela deve vir acompanhada da compreensão de que o problema não é a existência desses veículos, e sim como eles exercem sua função. Uma imprensa forte, ética e responsável não enfraquece o país; pelo contrário, é parte fundamental para que ele funcione melhor. Uma imprensa forte não pode se posicionar politicamente contra governos constituídos, selecionando contra quem se posiciona. Como foi o caso do Power Point que vimos recentemente em uma dessas emissoras componente da chamada “grande imprensa”.
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Por L. Pimentel




















