O que inicialmente parecia ser apenas furto de material de propaganda eleitoral ganha novos contornos após a repetição de episódios envolvendo a campanha da candidata a deputada federal em Florianópolis
FLORIANÓPOLIS — O que inicialmente poderia parecer apenas mais um caso de furto de material de propaganda eleitoral começa a ganhar uma dimensão diferente diante da repetição de episódios envolvendo a campanha da candidata a deputada federal Patrícia Lisboa (PSD).
Um novo boletim de ocorrência registrado na 1ª Delegacia de Polícia da Capital informa o desaparecimento de aproximadamente 10 wind banners utilizados na campanha. Segundo o documento, os materiais estavam na região da Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos, próximo ao Trapiche, em Florianópolis.
O fato teria ocorrido em 23 de setembro, por volta das 19h, e foi comunicado à Polícia Civil no dia seguinte. O boletim registra a ocorrência como furto consumado e informa valor aproximado de R$ 289 por unidade.
Segundo episódio em poucos dias
Alerta Eleitoral: Novo desaparecimento de materiais envolve campanha de Patricia Lisboa
O novo registro ocorre poucos dias depois de outro episódio envolvendo materiais da mesma campanha. Em 21 de setembro, um homem foi detido em Florianópolis após ser encontrado, segundo a ocorrência divulgada anteriormente, com materiais de propaganda de Patrícia Lisboa.
Na ocasião, Patrícia Lisboa afirmou que estava trabalhando para divulgar seu projeto e seu trabalho. “Estamos trabalhando, fazendo um trabalho digno para que as pessoas tenham conhecimento do nosso trabalho e todo o nosso empenho”, declarou a candidata.
Patrícia também classificou a situação como um “absurdo”, conforme registrado na reportagem sobre o episódio anterior.
Coincidência ou sequência de ações?
É justamente a repetição que chama a atenção.
Isoladamente, o desaparecimento de banners poderia ser tratado como uma ocorrência patrimonial. Entretanto, diante de novos materiais de uma mesma candidatura desaparecendo em um curto intervalo, surge uma questão que precisa ser respondida pelas autoridades:
Estamos diante de episódios independentes ou existe alguma ação coordenada para dificultar a divulgação da candidatura?
Até o momento, não há prova pública de que outro candidato, partido ou grupo político esteja por trás dos fatos. O novo boletim também não identifica o responsável pelo desaparecimento dos materiais.
A eventual hipótese de uma ação deliberada para prejudicar a campanha, portanto, precisa ser investigada e não pode ser apresentada como fato comprovado.
Autoridades precisam esclarecer
O novo boletim informa que o local não foi fotografado e que Polícia Civil, Polícia Militar e perícia não estiveram no local no momento do fato.
Imagens de câmeras de segurança, testemunhos e outros elementos poderão ser fundamentais para esclarecer a dinâmica da ocorrência e identificar eventual responsável.
Também será necessário esclarecer se os materiais foram furtados por terceiros ou eventualmente retirados em razão de fiscalização eleitoral. São situações distintas.
O Ministério Público de Santa Catarina já informou que existem pontos de atenção em Florianópolis relacionados à instalação de wind banners e outras estruturas de propaganda eleitoral. A Corregedoria Regional Eleitoral também estabeleceu orientações para situações envolvendo propaganda que possa oferecer risco à circulação ou à segurança.
Eleições devem respeitar a legalidade
A disputa eleitoral pressupõe concorrência entre projetos, ideias e candidatos. Eventuais irregularidades na propaganda devem ser tratadas pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral, e não por ações particulares.
Se a investigação confirmar que materiais de uma candidatura foram retirados deliberadamente para impedir sua divulgação, os responsáveis deverão responder pelos atos praticados.
Da mesma forma, se houve retirada decorrente de fiscalização eleitoral, a medida deve ser devidamente documentada, permitindo identificar quem determinou, quem realizou e por qual fundamento.
O ponto central: a captura dos wind banners
A questão central agora é esclarecer quem realizou a captura dos wind banners, em quais circunstâncias e com qual finalidade.
Se os materiais foram efetivamente retirados de forma clandestina, será necessário identificar os responsáveis e verificar se existe relação entre os diferentes episódios envolvendo a campanha de Patrícia Lisboa.
Mais do que o prejuízo material, a investigação deverá esclarecer se houve apenas ocorrências isoladas ou se os fatos fazem parte de uma ação deliberada para dificultar a divulgação da candidatura.
Eleições devem ser disputadas dentro da legalidade, da lealdade, da ética e do respeito ao eleitor.
Da radiação
Leia mais: Folha do Estado SC — reportagem anterior sobre o caso > https://folhadoestadosc.com.br/suspeito-de-crime-eleitoral-e-preso-em-flagrante-com-material-da-deputada-federal-patricia-lisboa/?utm_source=chatgpt.com























