Araquari: Painel artístico valoriza raízes culturais e conta parte da história da cidade

Obra instalada no Centro de Apoio ao Turista reúne referências às culturas açoriana, negra e indígena e utiliza diferentes materiais para proporcionar uma experiência visual e tátil

A história de Araquari e as diferentes raízes culturais que contribuíram para a formação do município ganharam uma nova representação por meio da arte. Quem passar pelo Centro de Apoio ao Turista, à Rua Bom Jesus, nº 20, no Centro, poderá conhecer o painel criado pela artista plástica Angelita Leandra Estevão, que reúne referências às culturas açoriana, negra e indígena e convida moradores e visitantes a conhecerem um pouco mais sobre a identidade e a memória da cidade.

Instalada em um espaço ligado ao turismo de Araquari, a obra tem três mulheres como figuras centrais. A escolha foi intencional: além de representar as três matrizes culturais abordadas no trabalho, as personagens destacam a participação e a importância das mulheres na construção da sociedade.

– As três mulheres presentes no painel não representam apenas personagens, mas simbolizam a força, a resiliência e a importância da mulher dentro da história e da identidade de Araquari – explica Angelita.

A proposta de desenvolver o painel partiu da própria artista, que apresentou a ideia aos seus superiores. A intenção era criar uma obra que tivesse relação direta com o local onde seria instalada e que pudesse apresentar aspectos da história e da cultura de Araquari tanto para quem vive no município quanto para quem chega à cidade.

Para chegar ao resultado, Angelita reuniu conhecimentos construídos ao longo de sua trajetória artística com pesquisas específicas para a execução do painel. Formada em Artes Visuais pela Univille, ela já havia desenvolvido estudos e trabalhos relacionados à cultura açoriana durante a formação acadêmica. Esse repertório serviu como ponto de partida para novas pesquisas sobre a história de Araquari.

O trabalho também levou em consideração a comunidade como fonte de conhecimento. Para a artista, as pessoas que vivenciam e preservam as tradições locais contribuem para compreender como diferentes manifestações culturais permanecem presentes na identidade do município.

UMA OBRA PARA VER E TOCAR

Outro diferencial está na maneira como o painel foi produzido. Angelita utilizou a técnica de assemblage, caracterizada pela combinação de diferentes materiais e técnicas em uma mesma composição. Pedras, tecidos, massa corrida, penas e bijuterias estão entre os elementos empregados para criar volumes, texturas e diferentes sensações.

A escolha ultrapassa a questão estética. Os elementos tridimensionais possibilitam que partes da obra também sejam percebidas pelo toque, ampliando a experiência do público e contribuindo para torná-la mais acessível às pessoas com deficiência visual.

– Cada material acrescenta uma textura, um volume e uma sensação diferente à composição. Dessa maneira, o painel não é apenas uma pintura para ser observada, mas uma obra que também pode ser percebida por meio do toque, ampliando a experiência artística e tornando-a mais inclusiva – destaca Angelita.

Os detalhes ajudam ainda a contar as histórias presentes no painel. As referências utilizadas remetem às tradições, à ancestralidade, à relação com a natureza e a outros elementos associados aos povos representados na composição.

TRÊS RAÍZES – UMA HISTÓRIA

Ao lado da obra, Angelita também criou um pequeno memorial que apresenta, de forma resumida, informações sobre as três raízes culturais retratadas. A figura açoriana, que veio em grande número para Araquari, em referência à presença dessa cultura no município, enquanto as representações, negra e indígena, reconhecem outras duas matrizes fundamentais para a formação histórica e cultural de Araquari.

A proposta é fazer com que a experiência não termine na contemplação da obra. Ao observar os detalhes e conhecer o contexto apresentado no memorial, o público poderá compreender melhor os significados incorporados ao trabalho.

– O que espero é que, ao observar o painel e ler o memorial, tanto o morador de Araquari quanto o visitante possam compreender a importância dessas três culturas para a formação e para a identidade do nosso município. Quero que a obra desperte um sentimento de pertencimento, valorização e respeito pela história de cada um desses povos – afirma a artista.

Angelita começou a pintar aos 12 anos e, além da formação acadêmica, ela se define como artista plástica autodidata. Ao longo dos anos, a pintura permaneceu presente em sua trajetória e, agora, também passa a ocupar um espaço dedicado a apresentar Araquari e suas características, a moradores e visitantes.

Mais do que compor o ambiente, o painel transforma a arte em um instrumento de contato com a história local. Por meio das personagens, materiais, cores e símbolos, a obra propõe um olhar para as diferentes contribuições culturais que, ao longo do tempo, ajudaram a formar a identidade de Araquari.

CONHEÇA O PAINEL

Ele está no Centro de Apoio ao Turista, que fica na Rua Bom Jesus, nº 20 – Centro de Araquari

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Texto: Kevin Banruque

Imagens: Divulgação/PMA

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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