Este é o ano de reconhecimento como da farinha de mandioca como Patrimônio Cultural do Brasil
O mês de junho de 2026 reafirmou a força da tradição dos engenhos de farinha em Bombinhas. Enquanto a névoa branca dos fornos tomava conta das comunidades do Sertãozinho e de Bombas, as cinco famílias que ainda preservam a produção artesanal da farinha de mandioca colocaram seus engenhos em funcionamento, celebrando o ano do reconhecimento dos Saberes e Fazeres Associados aos Engenhos de Farinha de Santa Catarina como Patrimônio Cultural do Brasil.
A programação teve início no dia 11 de junho, no Museu Comunitário Engenho do Sertão, com o Encontro de Farinheiros e a exibição do documentário Farinhar, reunindo famílias, pesquisadores, moradores e detentores desse patrimônio para celebrar a memória, os saberes e a continuidade dessa prática centenária.
Durante praticamente todo o mês, a família Mendes manteve seu engenho em atividade, responsável por ações realizadas no Sertãozinho. Sob a condução do jovem farinheiro, Lênio Mendes, representante da quarta geração da família, e com a participação da Nilza, Dona Áurea, Chayene, Leonardo, Lenício e demais familiares, o engenho recebeu moradores, visitantes, estudantes e participantes de projetos culturais e comunitários.
A produção ultrapassou o abastecimento da própria família e contribuiu diretamente para duas importantes iniciativas coordenadas pelo Instituto Boimamão: o projeto Da Raiz a Farinha – A Mandioca e as Mulheres, desenvolvido em parceria com o Movimento Agroecológico de Mulheres (MAM), com apoio do ‘Fundo Casa’, e a Segunda Farinhada do Sertão, realizada com apoio do Pontão Escola Viva Engenho do Sertão por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), edição estadual 2025/2026 via Fundação Catarinense de Cultura (FCC).
Mais do que produzir farinha, as atividades permitiram que dezenas de pessoas acompanhassem todas as etapas do processo tradicional: raspagem da mandioca, lavagem, cevagem, prensagem, peneiração, quebra da massa e torra. Esta última permanece como um conhecimento especializado, preservado pelo mestre farinheiro Lênio Mendes, evidenciando a importância da transmissão dos saberes entre gerações.
Ao todo, cerca de 250 quilos de farinha foram produzidos durante as ações desenvolvidas pelo Movimento Agroecológico de Mulheres. A iniciativa também teve caráter solidário: parte da produção foi destinada à alimentação escolar do município e às cestas básicas distribuídas pelo CRAS às famílias inscritas no Cadastro Único, reforçando o papel social da tradição farinheira.
As atividades também marcam um momento de transição para o Instituto Boimamão. Enquanto o Museu Comunitário Engenho do Sertão passa pelo processo de mudança para sua nova sede, no bairro de Canto Grande, esta poderá ter sido a última farinhada realizada no antigo espaço do Sertãozinho. Por isso, o Instituto registra um agradecimento especial à família Mendes, que abriu seu engenho, compartilhou seus conhecimentos e colaborou de forma generosa para que todas as atividades fossem realizadas. E a farinha produzida para o Museu, será vendida como forma de arrecadar fundos para a mudança da sede.
Além da família Mendes, também mantiveram seus engenhos em funcionamento neste mês as famílias de Dona Elba e Azeneu, Seu Suel de Melo e Bielinho, fortalecendo a rede de guardiões desse patrimônio cultural em Bombinhas. Estudantes da Escola de Educação Básica Maria Rita Flor participaram das atividades por meio de ações de educação patrimonial, desenvolvidas com recursos do Governo Federal, através do Ministério da Cultura por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB, sob co-realização da Prefeitura Municipal de Bombinhas por meio da Fundação Municipal de Cultura, destinando apoio para que cinco famílias pudessem manter seus engenhos em atividade.
Mais do que preservar uma técnica de produção, as ‘farinhadas’ reafirmam que os engenhos continuam sendo espaços vivos de encontro, aprendizagem, identidade e transmissão de conhecimentos tradicionais, garantindo que um dos mais importantes patrimônios culturais de Santa Catarina permaneça ativo para as futuras gerações.
NOTA DA REDAÇÃO:
“Os engenhos familiares de farinha de mandioca fazem parte da história e da identidade cultural de Santa Catarina. Mantidos por gerações, eles preservam um modo de produção artesanal que une trabalho, tradição e convivência comunitária. Muito mais do que produzir farinha de excelente qualidade, esses engenhos mantêm vivas as raízes dos colonizadores e das comunidades litorâneas, transmitindo conhecimentos de pais para filhos. Além de seu valor cultural, os engenhos também contribuem para a economia local, fortalecendo a agricultura familiar e atraindo visitantes interessados no turismo rural e gastronômico. Valorizar os engenhos de farinha é reconhecer a importância de um patrimônio que faz parte da memória catarinense e merece ser preservado para as futuras gerações”. (L. Pimentel).





















