Elias Costa Tenório
Da Redação
Após a matéria “ITAPEMA VIVE O CAOS NA SAÚDE”, o Secretário de Saúde de Itapema, dentista Alexandre, soltou uma nota atacando a matéria e o veículo, em vez de resolver os problemas afetos à área ao qual o povo está pagando o seu robusto salário, por conta da indicação para o cargo por parte de sua “sogra” gestora do município.

“Mimimi” à parte, importante é notar que, quando se mostra os fatos com verdade e de forma contundente, quem não faz a sua parte, quem não faz o dito “dever de casa” acaba perdendo a compostura e, em vez de atacar o problema, acaba atacando quem tornou público o desleixo com a saúde de Itapema.
Mas, melhor do que nós para falar é a pessoa que sofreu com o desleixo que beirou o “abandono” dentro da unidade hospitalar de Itapema. Após a esdrúxula do secretário, falamos com a paciente que foi atropelada e não recebeu o devido atendimento, bem como, sequer foi sedada para aliviar as terríveis dores narradas por ela:
“Eu sofri um acidente na rua dos Bombeiros, por volta de 12:10 ou 12:30hs, onde um carro colidiu com a minha moto, ele passou a preferencial que seria minha. Cheguei com muita dor no hospital, pedi remédio (para a dor) eles me disseram que deram mas não deram o remédio, porque eu fiquei com muita dor. Eu vim para casa com muita dor. Não me receitaram nada para mim lavar os meus machucados, não me receitaram nada para mim usar para a dor, absolutamente nada.
(Depoimento Audível: Vítima de suposto crime de violação dos direitos humanos narra drama sofrido em hospital de Itapema)
Meu esposo que foi lá e pediu para fazerem uma receita de fosfato de codeína com paracetamol para aliviar a minha dor. Estou hoje com muita dor. Daí me deram dois dias de atestado, sendo que eu não consigo ficar em pé e eu trabalho como vendedora, não tenho como ficar em pé em uma loja. Eu não tenho condições de ir trabalhar, não consigo firmar minha perna sem o auxílio de uma bengala, eu não consigo ficar muito tempo em pé.
(Vítima denuncia que recebeu alta do médico com dor insuportável e sem ser medicada pela equipe de Plantão do Sto Antônio)
Esse é nosso Hospital Santo Antônio. O que eu relato é que eu estou com dor. Quando eu digo que estou com dor é porque realmente estou com muita dor. É uma dor insuportável você ter batido, ter ralado a sua perna no asfalto quente, chegar lá (no hospital) e não receber absolutamente nada. Fizeram um Raio-X e disseram que estava tudo certo, no entanto eu não consigo pisar meu pé no chão. Tanto que eu vou ver se consigo fazer um Raio-X em outro lugar, porque eu não consigo firmar o meu pé no chão e não consigo mexer os dedos do meu pé direito.
Então, para quem acha que não,até onde eu sei eu não fui medicada, porque eu continuei com dor, eu vim para casa com dor, eu não dormi a noite inteira com dor. Eu tomei 4 comprimidos de paracetamol com fosfato de codeína, e não passou a dor. Hoje eu estou que não me agüento dentro da minha casa de dor, mas, esse é o nosso Hospital Santo Antônio.
O repórter Elias só está relatando tudo o que está acontecendo. Então, se vocês estão vendo a minha situação como está ai nas fotos, vejam se tenho condições de voltar em dois dias a trabalhar. E um médico me dar dois dias de atestado, é incrível isso gente.
Eu não trabalho de carteira assinada, trabalho como vendedora mas não tenha a minha carteira assinada. Então, se eu não trabalho eu não ganho, e eu estou sem ganhar, com a minha moto toda quebrada e com as minhas pernas toda ‘detonadas’.E o hospital não fez absolutamente nada. Só limparam e me mandaram para casa com dor, e o meu esposo que fez a receita para me medicar (comprando na farmácia). Não passaram nada para mim lavas os ferimentos, não fizeram absolutamente nada.
Então, você tirem as conclusões de vocês, porque não é a primeira vez que esse hospital é negligente com as pessoas. A gente não vai aí para pegar atestado, a gente não vai aí porque a gente está bem. A gente vai realmente quando está mal. No meu caso, eu preferiria estar trabalhando do que estar em casa. Mas eu ter dois dias de atestado quando eu não posso trabalhar, por mais que não tenha carteira assinada, minha patroa não desconta de mim quando tenho atestado, mas sem atestado ela desconta.
Então, traduzindo, eu vou ficar mais uma semana em casa, eu não vou receber, porque o médico achou que eu posso ir trabalhar depois de dois dias. Para vocês terem noção, que ele acha que eu estou ‘pleníssima’ para ir trabalhar e ficar o dia todo em pé, das 13:00hs até as 23:00hs em pé numa loja, sendo que não consigo ficar nem 5 minutos em pé. Eu estou com o auxílio de muletas para poder andar.
Esse é o desabafo de uma pessoa que foi atropelada, não recebeu o atendimento que devia, fizeram pouco caso. Mas, viva a prefeitura, viva o Hospital Santo Antônio, o coordenador da Saúde. Perfeito ele. A tendência é só piorar se não tomarem as devidas providências”, desabafou a paciente D.C.F, moradora do Bairro Morretes, em Itapema.
Tecendo um breve comentário em relação à fala da moradora desassistida pela saúde local, entendemos que o alívio da dor do paciente em quaisquer circunstâncias, após este estar sob a tutela do Estado (neste caso, prefeitura municipal) é fator preponderante para a legitimação do seu direito humano.
Neste sentido, alertamos ao Ministério Público de Itapema, notadamente ao que atua na área do Direitos Humanos e Cidadania que, faz-se necessário compreender como os direitos humanos podem fornecer bases para as ações políticas de saúde no tema dor. E isto é urgente em Itapema na área da Saúde.
Ora, como se admitir que uma cidadã, pagadora de impostos e mãe de família fique agonizando por vários dias com dor, tendo sido negligenciada em seu mais basilar direito humano que é, justamente, o do alívio da dor?
Amadorismo/incompetência na saúde pode prejudicar até mesmo o setor imobiliário
Recentemente a bela Itapema, Litoral Norte catarinense, foi considerada como sendo o segundo metro quadrado mais caro do Brasil.
Aplausos para todos os que contribuíram para que o município alcançasse esse patamar, menos para a prefeitura e os “pseudo-gestores” de algumas áreas, notadamente a da Saúde, que agoniza há muito por falta de comprometimento e eficiência e está em franca decadência a olhos vistos.
Dizer que Itapema vive um caos nessa área é, no mínimo, um elogio à falta de responsabilidade com que vem sendo tratado esse setor tão importante e prioritário para qualquer município do mundo.
Como citamos na matéria anterior, para uma “gestora” municipal que teria “dado as costas” para a construção de um hospital filantrópico em Itapema, de média e alta complexidade, necessitando somente da cessão de um terreno para tal e sem nenhum recurso dos cofre públicos, bem como, com atendimento de 40% particular e 60% SUS, com UTI e UTI Neonatal, maternidade, pronto-socorro, salas de cirurgias para média e alta complexidade (por exemplo, cirurgias cardíacas e até transplantes) em sua fase final, não se espanta mais nada quando se diz que os cidadãos de Itapema estão agonizando no pseudo-hospital local.
Como diz o dito popular “desgraça pouca é bobagem”, Itapema corre um sério risco de perder investidores no setor que mais cresce e emprega, justamente por falta de estrutura mínima para atender aos que aqui adquirem apartamentos de milhões de reais.
Em um Editorial, eu citei que, se o cidadão não tiver um helicóptero e o caso for grave, corre um sério risco de morte, porque a BR-101 vive congestionada na temporada até Balneário Camboriú e Itapema não tem equipamentos de saúde para atender nada além de baixa complexidade (eu diria até baixíssima).
Em caso recente, um investidor que aqui veio morar em função das belezas naturais e a propaganda, adquiriu um apartamento de cerca de R$ 3,5 milhões de reais e, desgraçadamente, em função dessa falta se segurança mínima na área da saúde, ele abandonou Itapema e foi morar em um município que o acolheu em melhores condições.

Segundo ele disse à Folha do Estado, “saúde foi um dos motivos principais para eu ter deixado de morar em Itapema. Não adianta eu ter um plano de saúde de R$ 3.950,00 e não ter aonde eu possa ser atendido em caso de emergência”, afirmou o ex-morador.
Quando se trata de Saúde Pública, importante é que os órgãos ministeriais estejam de olho para, se necessário, agir com rigor e colocar atrás das grades (nem que seja para refrescar a cabeça) quem concorre com a dor e o sofrimento alheio, quem pratica desvios de recursos, quem se mostra incompetente ou até mesmo quem trata a saúde do povo com desleixo e até má-fé.
O contrato para a construção do hospital de Itapema, aquele que o MP teria sugerido que fosse rompido, isso ainda não tratamos e agora não vamos tratar, mas está na fila para ser esmiuçado.


























