A passagem aconteceu em silêncio. Passavam-se 10 minutos da meia-noite daquele dia importante
Eu estava confuso, ansioso, com medo. Eram sentimentos novos para mim. Como seria esse momento de passagem? Minha mente estava conturbada por dor e incômodo, mas, ainda assim, eu sentia que aquilo iria passar.
Estava no escuro. Ouvia muitas vozes, mas não tinha compreensão de nada. De repente, enxergava uma luz ao longe, algo que me atraía profundamente, pois eu sabia que ali existia esse momento de transição. Eu não tinha a menor noção do que aquilo significava.
Sentia-me sem defesa. Não possuía coordenação de movimento. As imagens eram turvas. Ainda assim, eu havia aprendido a gostar do lugar onde eu estava – lugar pequeno, apertado talvez – mas que me transmitia uma sensação absoluta de segurança. Porém, no íntimo, eu sabia: precisava enfrentar. Pois tudo tem sua hora.
De forma harmônica, algo me conduzia em direção àquela luz que, paulatinamente, aumentava. Tanta emoção. Tanta dúvida sobre como seria tentar entender tudo aquilo. Mas o medo começava a se dissolver aos poucos, superado por uma emoção que jamais havia feito sentido antes.
Eu estava só. Sem memória. Sem referências. Ainda assim, estava pronto para enfrentar e descobrir como seria essa passagem. Tudo acabaria ali? Ou algo seria renovado?
Então aconteceu.
De repente, ultrapassei e conheci o que estava atrás daquela luz.
E por trás da luz havia um turbilhão de emoções. Fui acalentado por um acolhimento muito especial, algo que imediatamente me tranquilizou. Porque naquele medo… eu chorava. Eu estava desesperado. E, ao ser acolhido, consegui enfim sentir.
Sentir amor daquela forma. E foi naquele instante que consegui vencer a mudança.
E, com 10 minutos após a meia-noite de 9 de maio, eu conheci o outro lado.
Eu nasci…!
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Por Virgílio Galvão
Colunista da Folha do Estado em Brasília


























