DILMA RECEBE MEDALHA DO PRESIDENTE CHINÊS XI JINPING

Medalha da Amizade é maior honraria chinesa

A ex-presidente Dilma Rousseff recebeu neste domingo (29) a Medalha da Amizade da China, maior honraria concedida pelo governo do país a um estrangeiro, por contribuições à modernização do país asiático, segunda maior economia do planeta, atrás dos Estados Unidos.

Dilma preside o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), vinculado ao grupo dos Brics, com sede em Xangai, desde 2023. A honraria foi assinada e concedida pelo presidente chinês Xi Jinping, por ocasião do 75º aniversário da fundação da República Popular da China.

– Eu me sinto muito honrada e orgulhosa por receber a Medalha da Amizade de um país que tem uma história milenar e que hoje obteve realizações tão importantes – disse a presidente do NBD, segundo a agência estatal de notícias Xinhua.

– Dificilmente em algum momento no passado um país conseguiu se transformar em 75 anos na segunda maior economia do mundo, no país que conseguiu elevar o nível educacional do seu povo para competir com os níveis dos países desenvolvidos, (no país) que lidera hoje em ciência e tecnologia e na aplicação de inovações em todos os campos e áreas, especificamente na indústria – acrescentou a ex-presidente brasileira.

Desde 2009, a China é o maior parceiro comercial e uma importante origem de investimentos para o Brasil, que, por sua vez, é o maior parceiro comercial do país asiático na América Latina. Em agosto, Brasil e China celebraram o 50º aniversário de suas relações diplomáticas.

Para ela, o Brasil deve estar aberto a aprender com todos os países, mas a China oferece mais possibilidades, tanto em transferência de tecnologia como em modelos de governança. Sobre as práticas que contribuíram para o desenvolvimento do país, Dilma destacou as que lhe chamaram mais a atenção nas “características chinesas”. Uma delas é a flexibilidade de tentar “e aprender tentando”. Há muitos projetos-piloto, os chineses testam ideias partindo do pressuposto de que algumas darão errado, diz ela.

Dilma era presidente do Brasil quando foi lançado em 2014, durante a Cúpula dos Brics em Fortaleza, o NBD, o banco que hoje chefia. Ela não esconde o orgulho por ter contribuído para o processo de institucionalização do grupo de emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. No próximo mês, na cidade russa de Kazan, acontecerá a primeira reunião de cúpula do Brics ampliado, com a adesão de cinco novos membros: Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã.

Uma das grandes expectativas é em relação à criação de um sistema de pagamentos do Brics, para reduzir a dependência do dólar americano em suas transações. Na cúpula do Brics da África do Sul, em 2023, o presidente Lula anunciou que o grupo iria estudar a criação de uma moeda para facilitar as trocas comerciais entre os integrantes do bloco. Segundo Dilma, a ideia não é a desdolarização, mas o uso de diferentes moedas.

— Assim você amplia sua cesta de moedas. O que acontece hoje é a multiplicação de plataformas em moedas locais — explica. — A discussão é sobre formas de pagamento e também sobre o uso de moedas locais. Em Johannesburgo definiram que iriam fazer um processo de investigação e de análise para construir um projeto. Mas não ficou claro se seria uma moeda do Brics ou a moeda de cada um dos países. O que disseram é que é fundamental ter um sistema de pagamentos.

— Ninguém pode viver baseado na visão da Guerra Fria. Respeito o Partido Comunista da China. Mas não acho que por conta disso o Brasil tem que ser comunista. A China tem uma coisa muito interessante: a China diz que tem um caminho especificamente chinês. O Brasil tem que ter um caminho propriamente brasileiro. Agora, esse caminho não é o do anticomunismo, da visão da Guerra Fria. Eu respeito o que eles construíram aqui, e devem se orgulhar do país que construíram nos últimos 75 anos — afirma. — Todo mundo que prega essa mentalidade da Guerra Fria, o anticomunismo antigo, tem outros interesses. Não acredito que andando numa rua de Xangai alguém vá achar que comunista come criancinha.

Por Agência Brasil – Brasília

Edição: Carolina Pimentel

 

Redação
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