Hoje, 7 de Setembro, o Brasil veste verde e amarelo para celebrar uma das datas mais importantes da nossa História: a Independência.
Foi há 204 anos, em 1822, que Dom Pedro de Alcântara, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, proclamou a separação política do Brasil de Portugal.
“Independência ou Morte!”
A frase atravessou os séculos e que ainda permanece na memória nacional. Mas o que significa ser independente em 2026? Essa talvez seja a pergunta mais importante que devemos fazer neste 7 de Setembro. Porque a Independência aconteceu em 1822. Mas a construção de um Brasil verdadeiramente independente continua até hoje.
Antes daquele famoso episódio às margens do Ipiranga, o Brasil já vivia profundas transformações. Em 1808, a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro mudou completamente a realidade da então colônia. Em 1815, o Brasil deixou oficialmente de ser colônia e passou a integrar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Mas, quando a Revolução Liberal do Porto aconteceu, em 1820, Portugal passou a exigir o retorno da família real e uma mudança na relação com o Brasil. Dom João VI voltou para Portugal. Mas deixou aqui seu filho, Dom Pedro. Em janeiro de 1822, veio o Dia do Fico. Quando Dom Pedro decidiu permanecer no Brasil. Meses depois, veio o 7 de Setembro.
Mas é importante lembrar: a Independência não aconteceu de maneira igual e imediata em todo o território brasileiro. Houve conflitos em diversas regiões, e a consolidação da separação de Portugal levou tempo. E ainda existe uma outra verdade histórica que não pode ser esquecida. A Independência política, que não significou independência social.
Em 1822, o Brasil continuava escravizando milhões de pessoas. A escravidão somente seria abolida 66 anos depois, em 1888. Por isso, celebrar o 7 de Setembro também significa olhar para o passado com honestidade.
Nossa História tem grandes conquistas, mas também tem profundas injustiças. Depois de 1822, o Brasil ainda viveria o Império, a Proclamação da República, diferentes períodos políticos, crises, revoluções, momentos de autoritarismo e períodos de democracia.
Em 1988, conquistamos uma Constituição que estabeleceu direitos fundamentais e reafirmou a democracia brasileira. E é justamente aí que o 7 de Setembro encontra o Brasil de hoje.
Porque independência também é liberdade. Liberdade para falar. Liberdade para votar. Liberdade para trabalhar. Liberdade para empreender. Liberdade para professar sua fé. Liberdade para discordar. Liberdade para escolher seus representantes.
Mas liberdade também significa responsabilidade. Não existe democracia sem respeito às regras, às instituições e aos direitos do próximo. O Brasil de 2026 é muito diferente daquele Brasil de 1822.
Hoje somos uma grande nação, uma das maiores economias do planeta, com enorme potencial agrícola, industrial, energético e tecnológico. Temos riquezas naturais extraordinárias. Temos um povo criativo, trabalhador e capaz de superar enormes dificuldades. Mas ainda temos problemas que precisam ser enfrentados.
A desigualdade social. A violência. As deficiências na educação. Os problemas de saúde pública. A falta de infraestrutura em muitas regiões. O desperdício de dinheiro público. A corrupção.
E uma velha dificuldade brasileira, que é transformar todo o nosso enorme potencial em qualidade de vida para toda nossa população. Por isso, neste 7 de Setembro, precisamos entender que patriotismo é muito mais do que empunhar uma bandeira.
Patriotismo é cuidar do Brasil. É respeitar as leis. É preservar nossas cidades. É proteger o meio ambiente. É trabalhar honestamente. É educar nossas crianças. É cobrar responsabilidade dos governantes. É combater a corrupção. É respeitar quem pensa diferente. E, principalmente, é não desistir do nosso país.
O verdadeiro patriota não é aquele que afirma que o Brasil é perfeito. É aquele que reconhece os problemas, mas acredita que podemos resolvê-los. Dom Pedro declarou a Independência há 204 anos. Hoje, cabe a nós declarar uma nova independência: independência da intolerância, da corrupção, do atraso, da desigualdade e do conformismo.
Que neste 7 de Setembro possamos olhar para nossa bandeira e lembrar que ela representa todos os brasileiros. Os que pensam como nós. E também os que pensam diferente. Porque o Brasil é maior do que qualquer partido. Maior do que qualquer governo. Maior do que qualquer político. O Brasil é de todos nós!
Que possamos celebrar o passado, compreender o presente e, principalmente, construir um futuro melhor. Porque a Independência de 1822 foi proclamada em um dia. Mas a independência de um povo é construída todos os dias.
Viva o Brasil! Viva a liberdade! Viva a democracia! E que Deus abençoe esta grande nação brasileira! Bom 7 de Setembro a todos!
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Da Redação
Folha do Estado SC























