34 anos: avanços consolidados e pontos críticos que exigem enfrentamento
Ao celebrar 34 anos de emancipação político-administrativa, o município de Bombinhas reafirma sua trajetória de consolidação institucional iniciada sob a gestão do primeiro prefeito, Manoel Marcílio dos Santos (Maneca). Atualmente, sob a liderança do prefeito Alexandre da Silva, o município vive um novo ciclo de expansão urbana e pressão estrutural que impõe decisões técnicas cada vez mais avançadas e complexas.
No âmbito legislativo, a Câmara Municipal é presidida pelo vereador Cláudio Rogério Espíndola, cuja função institucional inclui a fiscalização das políticas públicas e o equilíbrio normativo entre crescimento econômico e preservação ambiental. No plano estadual, a deputada Ana Paula da Silva (Paulinha) mantém a interlocução política do município na Assembleia Legislativa, reforçando a importância da articulação intergovernamental.
Contudo, a maturidade de 34 anos impõe uma análise objetiva dos pontos críticos que desafiam a cidade turística de Bombinhas:
MOBILIDADE URBANA E SAZONALIDADE
Durante a alta temporada, o município experimenta aumento exponencial da população flutuante. A malha viária limitada e gargalos de acesso comprometem a fluidez, a segurança viária e a qualidade de vida.
É importante registrar que Bombinhas implantou o transporte público com tarifa zero, medida relevante sob a ótica da mobilidade urbana e da inclusão social. A gratuidade amplia o acesso da população, reduz custos para trabalhadores e contribui para diminuir a circulação de veículos particulares, sobretudo em períodos de maior fluxo turístico.
Entretanto, a efetividade da política depende de ampliação de rotas, frequência adequada, integração regional e planejamento técnico permanente. Tarifa zero é instrumento importante, mas precisa estar inserido em um sistema estruturado e eficiente para produzir resultados duradouros.
SANEAMENTO BÁSICO E BALNEABILIDADE
Em cidade litorânea, saneamento não é apenas política pública: é garantia de sobrevivência econômica. A ampliação da rede de coleta e tratamento de esgoto, o controle de ligações irregulares e a fiscalização ambiental permanente são medidas indispensáveis.
Há, contudo, um desconforto social acentuado em relação à política tarifária de água e esgoto, especialmente quanto à estrutura de cobrança, proporcionalidade, critérios de cálculo e percepção de custo-benefício por parte dos usuários. A discussão não deve ser tratada sob viés emocional, mas técnico e regulatório. Transparência na composição tarifária, clareza sobre investimentos realizados, metas de expansão e indicadores de eficiência são elementos essenciais para assegurar equilíbrio e legitimidade.
Nesse contexto, impõe-se a necessidade de revisão e atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico, com ampla publicidade dos dados operacionais, projeções de investimento e critérios de precificação. A sustentabilidade econômico-financeira do sistema deve coexistir com justiça tarifária e modicidade, princípios reconhecidos na regulação dos serviços públicos essenciais.
Qualquer fragilidade nesse sistema impacta diretamente a balneabilidade das praias e a imagem institucional do município.
PRESSÃO IMOBILIÁRIA, MORADIA E ORDENAMENTO TERRITORIAL
O crescimento vertical e a valorização imobiliária elevam a arrecadação, mas também tencionam a infraestrutura urbana, a drenagem pluvial e capacidade de suporte ambiental. A revisão contínua do Plano Diretor e o rigor técnico na concessão de licenciamentos são instrumentos essenciais para evitar desequilíbrios irreversíveis.
Permanece como desafio estrutural a ausência de um programa robusto de moradia popular capaz de garantir permanência digna para trabalhadores locais. Em municípios turísticos, o aumento do custo do solo urbano tende a deslocar a população de menor renda para áreas periféricas ou cidades vizinhas, ampliando dependência de deslocamentos diários e pressionando ainda mais o sistema viário.
GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS
A produção de resíduos cresce significativamente na temporada de verão. A eficiência da coleta, a destinação ambientalmente adequada e políticas de educação ambiental precisam acompanhar esse ritmo. Sem planejamento contínuo, o impacto recai sobre áreas sensíveis e os ecossistemas costeiros.
SUSTENTABILIDADE FISCAL
Municípios turísticos enfrentam flutuação de receita ao longo do ano. A responsabilidade fiscal, o planejamento orçamentário e a diversificação econômica são fatores decisivos para manter equilíbrio financeiro e capacidade de investimento permanente. Daí que, a atenção de seus administradores precisa estar sempre atenta para isso.
PROTEÇÃO AMBIENTAL E MUDANÇAS CLIMÁTICAS
A erosão costeira, eventos climáticos extremos e pressão sobre áreas de preservação permanente exigem planejamento de longo prazo. A adaptação às mudanças climáticas deve integrar o planejamento urbano, sob pena de impactos estruturais e financeiros futuros.
AUTONOMIA EXIGE CORAGEM ADMINISTRATIVA
Aos 34 anos, Bombinhas já superou a fase inaugural de sua emancipação. O desafio agora é consolidar um modelo sustentável que harmonize turismo, preservação ambiental, mobilidade eficiente e inclusão social.
Celebrar é legítimo. Mas amadurecer institucionalmente significa enfrentar, com transparência e planejamento técnico, os pontos críticos que determinarão o futuro do município para as próximas décadas.
Autonomia política não é ponto de chegada é compromisso contínuo com responsabilidade pública.
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Editorial: da Redação – Folha do Estado





























