É preciso haver muito mais seriedade nas decisões políticas
O encerramento da mais recente Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado Federal deixa um gosto amargo na sociedade brasileira. Mais uma vez, um instrumento que deveria servir à verdade e ao interesse público termina envolto em questionamentos sobre sua real finalidade.
CPIs são, por natureza, mecanismos sérios de investigação. Não foram concebidas para atender projetos de poder, nem para servir de palco a narrativas convenientes. No entanto, o que se viu ao longo desta comissão foi justamente o contrário: uma condução marcada por forte viés político, onde, em muitos momentos, a busca pela verdade pareceu secundária diante da necessidade de sustentar determinadas posições.
O relatório final, peça central de qualquer CPI, surge nesse contexto cercado de críticas. Em vez de se consolidar como um documento técnico, equilibrado e fundamentado em provas robustas, acabou sendo percebido como um texto excessivamente direcionado, com contornos que levantam dúvidas sobre sua imparcialidade. Quando um relatório gera mais desconfiança do que consenso, algo claramente saiu do rumo.
O papel do relator, que deveria ser o de guardião da objetividade e da responsabilidade institucional, torna-se ainda mais sensível. Espera-se dele distanciamento político e compromisso com os fatos. Quando isso não se materializa de forma clara, a consequência é inevitável: perde-se a credibilidade. E, com ela, enfraquece-se não apenas o trabalho da comissão, mas também a confiança da população nas instituições.
O problema maior é que esse não é um caso isolado. A repetição desse tipo de comportamento transforma as CPIs em instrumentos previsíveis, onde os resultados parecem desenhados antes mesmo do início das investigações. Isso é extremamente nocivo à democracia. Ao banalizar um mecanismo tão importante, corre-se o risco de esvaziar sua utilidade e torná-lo apenas mais uma peça no tabuleiro político.
O Brasil precisa de instituições fortes, respeitadas e, acima de tudo, confiáveis. Isso passa, necessariamente, por resgatar a seriedade das CPIs. Investigar com rigor, relatar com equilíbrio e concluir com responsabilidade não é apenas uma obrigação formal – é um dever com o país. Quando a política fala mais alto que os fatos, quem perde é o Brasil.
Por L. Pimentel – Jornalista Folha do Estado






























