O Sonho do hexa acabou na tarde passada com a derrota para a Noruega
Antes de tudo, é importante reconhecer que o futebol brasileiro continua revelando talentos e permanece entre as grandes potências do esporte. Ao mesmo tempo, a eliminação da Seleção na atual Copa do Mundo reacende um debate legítimo sobre os rumos do futebol nacional.
A participação da Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo deixou um sentimento que se repete entre os torcedores: o Brasil continua sendo respeitado mundialmente, mas já não desperta o mesmo temor que causava em outras épocas. A derrota e a consequente eliminação do Mundial evidenciam que o futebol brasileiro precisa de uma profunda reflexão.
Durante décadas, o Brasil encantou o planeta com um futebol técnico, criativo e ofensivo. Em 2002, quando conquistou o pentacampeonato, a Seleção reunia uma geração extraordinária. Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Cafu, Lúcio, Denilson, entre tantos outros, formavam um elenco de craques capazes de decidir partidas a qualquer momento. Havia talento de sobra e uma identidade de jogo que fazia parte da essência do futebol brasileiro.
Hoje, infelizmente, a realidade é diferente. Existem excelentes jogadores, muitos atuando nas principais ligas da Europa, mas são poucos aqueles capazes de desequilibrar uma partida com a genialidade dos grandes ídolos do passado. A impressão é de que o futebol brasileiro atravessa um período de escassez de atletas com características verdadeiramente decisivas.
Outro aspecto que merece discussão é a pequena presença de jogadores que atuam no futebol brasileiro entre os convocados para a Seleção. O Campeonato Brasileiro é reconhecido como um dos mais competitivos do mundo, revela atletas de qualidade e movimenta grandes clubes. Ainda assim, a preferência quase absoluta por jogadores que atuam no exterior levanta um questionamento: será que o futebol praticado em nosso país está sendo devidamente valorizado?
Naturalmente, muitos atletas que jogam na Europa possuem elevado nível técnico e enfrentam competições extremamente exigentes. No entanto, ampliar o espaço para jogadores em atividade no Brasil pode fortalecer a identidade da Seleção, valorizar o campeonato nacional e criar uma concorrência ainda mais saudável pelas vagas.
Mas o problema vai além dos nomes convocados. O futebol brasileiro parece carecer de um projeto de longo prazo. As constantes mudanças de treinadores, a falta de continuidade no trabalho, a ausência de uma filosofia clara para as categorias de base e a busca por resultados imediatos acabam impedindo a formação de uma equipe sólida e competitiva.
Também é preciso investir novamente na formação de jogadores criativos, daqueles que ousam, driblam, improvisam e fazem a diferença. Durante muitos anos, o Brasil exportou ao mundo um estilo único de jogar futebol. Hoje, em muitos casos, percebe-se uma padronização excessiva, na qual o aspecto físico e tático acaba predominando sobre a criatividade, uma das maiores marcas da nossa história.
O futebol brasileiro possui tradição, estrutura, clubes fortes e uma torcida apaixonada. O talento continua surgindo, mas precisa ser melhor desenvolvido, melhor aproveitado, mais valorizado e inserido em um planejamento consistente.
A eliminação desta Copa do Mundo naquele lamentável jogo de ontem (sem desmerecer a vitória norueguesa) deve servir como um alerta, e não apenas como motivo de críticas passageiras. O Brasil continua sendo o único país pentacampeão do mundo, mas viver apenas das glórias do passado não basta. É preciso reconstruir um projeto que devolva à Seleção sua identidade, sua confiança e, principalmente, o futebol alegre e eficiente que encantou gerações.
Mais do que trocar treinadores ou buscar culpados, chegou o momento de repensar o modelo do futebol brasileiro. Somente com planejamento, valorização da base, reconhecimento dos atletas que atuam no país e uma filosofia moderna, sem perder nossa essência, será possível voltarmos a disputar o título mundial com o favoritismo que sempre caracterizou a camisa amarela.
O FUTEBOL BRASILEIRO PRECISA REENCONTRAR SEU CAMINHO
Durante décadas, o Brasil foi reconhecido como o país do futebol. Nossas conquistas, nosso estilo de jogo e a capacidade de revelar talentos encantaram o mundo. Vestir a camisa amarela era motivo de orgulho e confiança. Os adversários entravam em campo respeitando a força de uma seleção que reunia os maiores craques do planeta.
Hoje, infelizmente, a realidade é diferente. As participações recentes da Seleção Brasileira em Copas do Mundo mostram um time distante daquele que conquistou o pentacampeonato em 2002. Naquela época, o país contava com uma geração extraordinária de jogadores como frisamos no início deste editorial: Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Cafu e tantos outros atletas que faziam a diferença em qualquer partida. Eram jogadores decisivos, criativos e capazes de mudar o rumo de um jogo com talento e personalidade.
Atualmente, o Brasil continua produzindo bons jogadores, mas poucos conseguem atingir o nível de excelência daqueles grandes ídolos. O futebol tornou-se mais competitivo e equilibrado no mundo inteiro, enquanto o Brasil enfrenta dificuldades para formar atletas com a mesma criatividade, técnica refinada e liderança que marcaram gerações passadas.
Outro ponto que merece reflexão é a pequena presença de jogadores que atuam no futebol brasileiro entre os convocados para a Seleção. Embora muitos atletas se destaquem em clubes nacionais, a preferência quase sempre recai sobre aqueles que atuam na Europa. Isso não significa que jogadores do exterior não mereçam estar na equipe, mas talvez seja o momento de valorizar mais quem disputa o Campeonato Brasileiro e demonstra qualidade diante da torcida nacional.
Também é necessário discutir o planejamento do futebol brasileiro. A formação de atletas, o calendário excessivamente desgastante, a constante troca de treinadores, a falta de continuidade nos projetos e a ausência de uma filosofia de jogo consistente prejudicam o desenvolvimento da Seleção. Grandes equipes não são construídas apenas com talento individual, mas com organização, identidade e trabalho de longo prazo.
O Brasil precisa recuperar sua essência. Repetindo: é preciso investir nas categorias de base, incentivar o futebol técnico, valorizar nossos clubes e criar um projeto sólido para a Seleção Brasileira. O talento continua existindo; falta transformá-lo em uma equipe organizada, competitiva e capaz de devolver ao torcedor a confiança de outros tempos.
O futebol brasileiro escreveu uma das mais belas histórias do esporte mundial. Mas viver apenas das lembranças do passado não basta. É hora de reconstruir, planejar e voltar a fazer da camisa verde e amarela um símbolo de respeito, excelência e conquistas. O povo brasileiro merece voltar a sonhar com uma Seleção que jogue bonito, honre sua tradição e dispute cada Copa do Mundo como verdadeira favorita ao título.
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Da Redação
Folha do Estado de SC





















