Desacelerar é preservar vidas
Entre os dias 18 e 25 de setembro, o Brasil realiza mais uma edição da Semana Nacional de Trânsito, período destinado a reforçar uma discussão que precisa estar presente durante o ano inteiro: como transformar nossas ruas, nossas avenidas e rodovias em espaços mais seguros para todos.
A mensagem escolhida para 2026 é simples, direta e profundamente necessária: “Desacelere. Seu bem maior é a vida”. Não se trata apenas de uma orientação para que o motorista diminua o pé no acelerador. É um chamado à responsabilidade, à prudência e ao respeito pelo próximo.
Todos os dias, milhões de brasileiros saem de casa para trabalhar, estudar, levar os filhos à escola, fazer compras ou simplesmente retornar para suas famílias. Automóveis, motocicletas, caminhões, bicicletas e pedestres dividem um espaço que, muitas vezes, acaba se transformando em cenário de tragédias. E grande parte dessas tragédias poderia ser evitada.
A velocidade excessiva, o uso do celular ao volante, a combinação de álcool e direção, a ultrapassagem perigosa, a falta do cinto de segurança e o desrespeito à faixa de pedestres são comportamentos que podem transformar alguns segundos de imprudência em uma vida inteira de sofrimento.
Mas segurança no trânsito não depende somente do motorista. Pedestres também precisam respeitar as regras de circulação. Motociclistas precisam redobrar os cuidados, assim como os motoristas, eles precisam compreender que uma motocicleta é muito mais vulnerável em uma colisão. Ciclistas precisam ter espaço e proteção. Caminhoneiros enfrentam jornadas e condições particulares em suas longas jornadas. E o poder público tem responsabilidades igualmente importantes: fiscalizar, educar, sinalizar, melhorar as vias, promover acessibilidade e planejar cidades que privilegiem a segurança das pessoas.
Em Santa Catarina, essa visão também está presente no Plano Estadual de Prevenção de Lesões e Mortes no Trânsito (PETRANS), que trabalha com a ideia de que a responsabilidade pela segurança viária é compartilhada entre quem utiliza, quem projeta, quem administra e fiscaliza as vias.
É importante, portanto, mudar uma cultura perigosa que ainda existe entre nós: a ideia de que respeitar as regras de trânsito é uma questão de escolha pessoal. Não é! Quando alguém dirige em alta velocidade, passa no sinal vermelho, ultrapassa de maneira irresponsável ou dirige embriagado, não coloca somente a própria vida em risco. Coloca em risco a vida de pessoas as quais sequer conhece. E existe ainda uma questão que merece atenção especial nas cidades brasileiras: a convivência entre diferentes formas de mobilidade.
Nas cidades que crescem rapidamente, como tantas do Litoral Norte catarinense, o aumento da frota, a circulação intensa de motocicletas, bicicletas, caminhões, ônibus e veículos particulares exige planejamento e educação permanente. Quanto maior o movimento, maior precisa ser o compromisso com a segurança.
A Semana Nacional de Trânsito também coincide com a Semana Nacional da Mobilidade, que inclui o Dia Mundial sem Carro, em 22 de setembro, estimulando a reflexão sobre a maneira como nos deslocamos e sobre alternativas de mobilidade urbana.
Entretanto, nenhuma campanha será suficiente se a mudança não começar dentro de cada um de nós. Por isso precisamos abandonar a cultura da pressa. Precisamos compreender que chegar alguns minutos mais cedo não vale o risco de provocar uma tragédia. Que uma mensagem no celular pode esperar. Que uma ultrapassagem pode ser adiada. Que alguns quilômetros por hora a menos podem representar uma diferença enorme diante de um imprevisto.
No trânsito, não existe disputa para ver quem chega primeiro. Existe uma responsabilidade coletiva para que todos cheguem.
A Semana Nacional de Trânsito termina no dia 25 de setembro. Mas a responsabilidade não termina ali. Ela continua no dia 26, no dia 27, no mês que vem e durante todos os dias do ano.
Porque atrás de cada volante existe uma pessoa. Na calçada existe outra. Na motocicleta existe outra. Na bicicleta existe outra mais. E, em algum lugar, existe uma família esperando cada uma delas voltar para casa. Por isso, neste setembro, a mensagem merece ser repetida quantas vezes forem necessárias:
Desacelere. Respeite. Tenha responsabilidade. Porque no trânsito, mais importante do que chegar rápido é chegar vivo. E o nosso bem maior, ontem, hoje e sempre, continuará sendo a vida.
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Da Redação
Folha do Estado SC


























