Encontro vai ocorrer no dia 24 de setembro. Será que estaríamos diante de uma nova ordem mundial?
Há momentos na história em que uma reunião entre dois homens pode ultrapassar as fronteiras de seus próprios países e interessar ao planeta inteiro. É exatamente isso que poderá acontecer no próximo encontro agora em setembro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.
De um lado, a maior potência econômica e militar do Ocidente. Do outro, uma China que deixou há muito tempo de ser apenas a “fábrica do mundo” passando a disputar, em igualdade de condições, a liderança econômica, tecnológica e geopolítica do século XXI.
E é nesse cenário que ganham repercussão as declarações feitas pelo chinês Jiang Xueqin, conhecido como “Professor Jiang”, que vem fazendo análises e previsões bastante ousadas sobre o futuro da humanidade.
Em uma entrevista a um Podcast na cidade de Austin (Texas) que circulou amplamente nas redes sociais, Jiang apresentou uma visão extremamente preocupante sobre os próximos movimentos da geopolítica internacional, relacionando acontecimentos históricos, ciclos de poder e as crescentes tensões entre Estados Unidos e China.
Mas aqui é preciso fazer uma ressalva, pois previsão não é profecia. Ninguém tem condições de saber exatamente o que acontecerá amanhã, muito menos prever o chamado “fim do mundo”.
Mas há uma coisa que podemos afirmar: o mundo está mudando. E está mudando rapidamente. A reunião entre Trump e Xi Jinping não será apenas mais um encontro diplomático.
Sobre a mesa estarão bilhões de dólares em comércio, tarifas, tecnologia, semicondutores, inteligência artificial, terras-raras, investimentos, produção industrial e segurança internacional. E existe uma questão que paira sobre qualquer conversa entre Washington e Pequim: Taiwan.
Porque, enquanto Estados Unidos e China disputam mercados e tecnologia, Pequim considera Taiwan parte de seu território e Washington mantém compromissos estratégicos com a ilha. É uma espécie de jogo de xadrez em que cada movimento precisa ser calculado. Um passo errado pode provocar uma crise. E uma crise entre Estados Unidos e China não ficaria restrita aos dois países. Com toda certeza ela atingiria a economia mundial.
Imagine, por alguns instantes, uma interrupção das cadeias globais de produção. Falta de componentes eletrônicos. Problemas na indústria automobilística. Aumento dos preços. Bolsas despencando. Inflação. Comércio internacional prejudicado.
E estamos falando apenas das consequências econômicas. Porque, no campo militar, as consequências poderiam ser incomparavelmente maiores. É por isso que devemos prestar atenção quando Trump e Xi se sentarem frente a frente.
Não precisamos acreditar em previsões apocalípticas. Precisamos, sim, compreender o tamanho da responsabilidade que estará sobre os ombros desses dois líderes.
Donald Trump representa uma América que deseja preservar sua liderança. Xi Jinping representa uma China que quer ampliar sua influência e consolidar-se como uma das grandes – talvez a grande potência do século XXI. E talvez seja justamente aí que esteja a questão central.
Estaríamos assistindo ao nascimento de uma nova ordem mundial?
Durante décadas, especialmente depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos exerceram uma extraordinária influência sobre a economia, a política e a segurança internacional. Depois da queda da União Soviética, essa predominância americana parecia ainda mais evidente.
Mas a história não para. A China cresceu. A Índia cresceu. Novas alianças econômicas surgiram. Houve a criação dos Brics. O mundo tornou-se mais multipolar. E hoje já não existe apenas um centro de poder. Temos Estados Unidos, China, Rússia, União Europeia, Índia e outras potências disputando espaço, influência, mercados e tecnologia.
O problema é que transições de poder historicamente nunca foram simples. Quando uma potência estabelecida percebe que outra está crescendo rapidamente, surgem desconfianças. E quando a potência que cresce acredita que está sendo impedida de avançar, surgem ressentimentos. E é nesse espaço entre desconfiança e ressentimento que nascem os conflitos. Por isso, talvez o maior perigo não seja uma guerra planejada.
O maior perigo pode ser um erro de cálculo. siUm incidente no mar. Uma provocação militar. Uma decisão equivocada. Uma interpretação errada das intenções do adversário. E aquilo que começou como uma disputa comercial pode transformar-se em uma crise internacional.
Por isso, o encontro entre Trump e Xi no ´róximo dia 24 de setembro deveria ser acompanhado não apenas pelos governos, mas por todos nós. Porque uma eventual guerra comercial entre Estados Unidos e China pode chegar também aos nossos supermercados.
Uma crise tecnológica pode chegar ao preço do celular. Uma crise financeira pode atingir empregos. E uma crise militar pode ameaçar a paz mundial.
E aqui voltamos às previsões de Jiang Xueqin. É saudável ouvir aqueles que procuram enxergar além do presente. É saudável discutir cenários. É saudável questionar o que poderá acontecer. Mas é muito perigoso transformar previsões em certezas. A humanidade já cometeu esse erro muitas vezes. A história está cheia de acontecimentos que ninguém imaginava e de outros que pareciam inevitáveis, mas que nunca aconteceram.
Portanto, talvez não estejamos diante do “fim do mundo”. Talvez estejamos diante do fim de uma determinada era. Uma era em que os Estados Unidos exerceram uma predominância quase incontestável. Uma era em que a globalização parecia irreversível. Uma era em que acreditávamos que comércio entre países necessariamente produziria mais paz.
Hoje, o mundo parece caminhar para outra direção. Mais competição. Mais nacionalismo. Mais protecionismo. Mais disputa tecnológica. Mais corrida armamentista. E, infelizmente, menos confiança entre as grandes potências.
É por isso que o encontro de Trump com Xi Jinping será muito mais do que uma fotografia entre dois presidentes. Poderá ser uma oportunidade para reduzir tensões. Poderá produzir acordos comerciais importantes. Poderá estabelecer limites. Poderá, quem sabe, abrir uma nova etapa nas relações entre Washington e Pequim. Mas também poderá revelar o tamanho das diferenças que separam as duas maiores potências do planeta.
E talvez a grande pergunta não seja se Jiang Xueqin está certo ou errado em suas previsões. A pergunta realmente importante é: o ser humano terá inteligência suficiente para evitar que suas próprias disputas destruam aquilo que levou séculos para construir?
Porque o mundo não precisa de um vencedor absoluto. Precisa de equilíbrio. Precisa de diálogo. Precisa de diplomacia. Precisa de líderes capazes de compreender que, numa eventual guerra entre grandes potências, ninguém sairia verdadeiramente vencedor.
E talvez essa seja a maior lição de toda essa história. O futuro da humanidade não está escrito. Ele será construído pelas decisões que os homens tomarem hoje. E quando Trump e Xi Jinping estiverem frente a frente, estaremos diante de uma dessas decisões.
Que prevaleça a inteligência sobre a arrogância. Que prevaleça a diplomacia sobre a ameaça. E que prevaleça a paz sobre a ambição de poder. Porque o verdadeiro fim do mundo não é uma previsão. O verdadeiro perigo é quando os homens deixam de acreditar que a paz ainda é possível.
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Da Redação
Folha do Estado SC























