Frankfurt: Brasil conquista dois ouros inéditos no Mundial de GR com maiores notas do mundo em 2026

Ao som de “Feeling Good” e “Abracadabra”, conjunto brasileiro crava as duas séries nas finais por aparelhos e alcança melhores resultados da temporada para dominar o topo do pódio

A medalha de ouro estampou o peito do conjunto do Brasil no Mundial de ginástica rítmica. E em dose dupla! Depois de terem conquistado o bronze na prova geral e faturado a vaga antecipada para as Olimpíadas de 2028, as brasileiras voltaram à quadra de Frankfurt neste domingo para as finais por aparelhos. Ao som de “Feeling Good”, um clássico do jazz, as ginastas cravaram a série simples (cinco bolas) para receberem 29,450 pontos, a maior nota do mundo de toda a temporada dos conjuntos. Horas depois, ao som de “Abracadabra”, hit de Lady Gaga, repetiram o notaço na série mista (três arcos e dois pares de maças). Duda Arakaki, Sofia Madeira, Nicole Píricio, Mariane Gonçalves, Maria Paula Caminha e Julia Kurunczi podem dizer: “Eu sou campeã mundial”. Conquistas inéditas.

BRASIL CONQUISTA OURO INÉDITO NO MUNDIAL DE GINÁSTICA RÍTMICA

A gente vai cantar o hino! – A técnica Camila Ferezin celebrava em lágrimas ao fim da final das cinco bolas. Lágrimas de um desabafo. O Brasil chegou à final da série simples apenas com a oitava e última vaga. Determinadas a colocar para trás a falha que quase tirou o país do pódio na prova geral de sábado, as brasileiras desta vez mostraram a rotina completa de “Feeling Good”. Um enredo que destaca a sensualidade e o desabrochar de meninas se tornando mulheres. Mulheres agora campeãs mundiais em dose dupla. “Abracadabra” selou o feitiço brasileiro na série mista para encantar o Mundial e dominar o topo do pódio do conjunto neste domingo.

– A gente acreditava muito que era possível. Esse é um dos pontos mais importantes da nossa equipe. É acreditar antes de acontecer. Isso é ter fé. A gente tinha muita fé que a gente poderia fazer ainda melhor as nossas séries. A medalha é consequência. A gente está muito feliz. O mais importante é quando cravamos a série. A gente trabalha muito pra isso. Acima de medalha, de resultado, a gente quer entrar lá e fazer nosso melhor e sair feliz com o nosso trabalho. Todo mundo está orgulhoso do nosso trabalho. Muita alegria. Estamos muito emocionadas. Sempre foi um sonho. Poder ver a bandeira do Brasil no lugar mais alto, poder representar nosso povo, nossa família, não tem preço – disse Duda Arakaki, capitã do conjunto brasileiro.

CAPITÃ DO BRASIL, DUDA ARAKAKI CELEBRA OURO INÉDITO NO MUNDIAL: “SEMPRE FOI UM SONHO”

Até o Mundial do ano passado, uma medalha era um sonho para o Brasil. Em casa no Rio de Janeiro, duas pratas materializaram esse sonho na prova geral e na série mista. O bronze da prova geral em Frankfurt trouxe o gosto da inédita vaga olímpica antecipada. Faltava só um título para coroar a trajetória de evolução do conjunto verde-amarelo na modalidade. Veio em dose dupla.

– Essa medalha representa que todo o sacrifício valeu a pena. Foram longos anos correndo atrás dessa medalha. Mesmo não acreditando lá atrás, a gente trabalhou como se fosse possível. Esse possível foi chegando e veio nesse momento, depois de 15 anos de muito trabalho, muita dedicação. A gente tá sem acreditar – disse a técnica Camila Ferezin.

O Brasil já tinha a maior nota do mundo na série simples com os 29,250 do Campeonato Pan-Americano de junho. Aumentar a nota em uma final de Mundial era uma missão difícil, mas elas sabiam que tinham série para isso. Foram premiadas com 29,450 pela rotina cravada. Atual campeã olímpica, a China ficou com a prata (28,900). Campeã olímpica do Jogos de Tóquio, a Bulgária foi bronze (28,400).

Na série mista, o Brasil tinha a terceira maior nota da temporada, os 28,900 do Pan-Americano. A nova nota 29,450 fez o conjunto verde-amarelo passar Espanha (28,950) e China (29,250) para assumir a liderança do ano. Campeãs da prova geral no sábado, as espanholas ficaram com a prata mesmo cravando a série para 29,050. A Bulgária completou o pódio, com 28,750.

AS FINAIS CINCO BOLAS

A seleção brasileira foi a terceira a se apresentar na final da série simples. Depois de ter avançado à decisão com a oitava e última vaga por causa da falha em uma colaboração na classificatória, o Brasil deu um show com uma série cravadíssima. A celebração ao fim da rotina já antecipava o que estava por vir: a notaça 29,450. Bem maior que os 26,800 do sábado. Maior que os 28,400 da Bulgária, então líder da final. Maior até que os 29,250 que o Brasil tirou na final do Campeonato Pan-Americano, até então maior nota do mundo na temporada.

Ainda restavam cinco conjuntos para se apresentar, mas o Brasil colocou o sarrafo muito no alto. A China, atual campeã olímpica, cravou a série, mas chegou aos 28,900 pontos, insuficientes para desbancar as brasileiras. Depois uma a uma, as rivais foram cometendo erros. Campeã da prova geral e líder da classificatória com 28,500, a Espanha cometeu uma falha e tirou 27,450. A anfitriã Alemanha foi a última a competir, teve um erro grave e ficou com 25,400 pontos. O ouro inédito estava selado.

SÉRIE MISTA

Com o ouro inédito em mãos, o Brasil entrou leve na final da série mista. Ao som de “Abracadabra”, as damas de vermelho se vestiram com um novo collant para lançar um novo feitiço na quadra de Frankfurt. Novamente o terceiro conjunto a se apresentar, o Brasil mais uma vez cravou a rotina da Lady Gaga. Segunda melhor nota da prova no sábado com 28,700, o conjunto verde-amarelo conseguiu mais um 29,450. Já tinha a maior nota do mundo em 2026 na série simples e igualou a marca na série mista.

Campeã da prova geral e líder da classificatória com 28,950, a Espanha veio logo em seguida e também cravou a série, mas não foi o suficiente para alcançar as brasileiras: 29,050. Terceiro colocado da classificatória, o Japão cometeu pequenas falhas e acabou desbancado do pódio pela Bulgária, que acertou a série para 28,750. Coube à Ucrânia fechar a disputa. Justamente as atuais campeãs mundiais da série mista, que no ano passado tiraram o ouro do Brasil em casa. Desta vez as ucranianas deixaram as maças caírem por duas vezes. O título era do Brasil.

TODAS AS MEDALHISTAS DO MUNDIAL DE GR

Conjunto geral
1 – Espanha – 57,450 pontos
2 – Japão – 56,700
3 – Brasil – 55,500

Conjunto simples (cinco bolas)
1 – Brasil – 29,450
2 – China – 28,900
3 – Bulgária – 28,400

Conjunto misto (três arcos e dois pares de maças)
1 – Brasil – 29,450
2 – Espanha – 29,050
3 – Bulgária – 28,750

Individual geral
1 – Darja Varfolomeev (Alemanha) – 119,500
2 – Stiliana Nikolova (Bulgária) – 117,600
3 – Sofia Raffaeli (Itália) – 117,550

Arco individual
1 – Taisiia Onofriichuk (Ucrânia) – 30,700
2 – Sofia Raffaeli (Itália) – 30,500
3 – Darja Varfolomeev (Alemanha) – 30,400

Bola individual
1 – Darja Varfolomeev (Alemanha) – 30,350
2 – Sofiia Ilteriakova (Rússia) – 29,800
3 – Mariia Borisova (Rússia) – 29,150

Maças individual
1 – Stiliana Nikolova (Bulgária) – 30,150
2 – Taisiia Onofriichuk (Ucrânia) – 30,050
3 – Mariia Borisova (Rússia) – 30,050

Fita individual
1 – Darja Varfolomeev (Alemanha) – 30,500
2 – Stiliana Nikolova (Bulgária) – 30,450
3 – Mariia Borisova (Rússia) – 29,900

Equipe (conjunto + individual)
1 – Rússia – 278,300
2 – Bulgária – 276,050
3 – China – 275,400

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Por Redação do ge – Frankfurt, Alemanha

Foto: MeloGym/CBG

 

Redação
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