Licitação prevê nova cobertura, acessibilidade plena e moderno sistema de tratamento de efluente; Lançamento ocorre semanas após vereadores cobrarem o destravamento da obra

O Governo de Santa Catarina publicou oficialmente o Edital nº 573/2026, para a reforma, recuperação e modernização da infraestrutura física da Central de Abastecimento (Ceasa/SC) de Joinville, localizada na Rua dos Bororós, na Zona Industrial Norte. O lançamento da licitação atende a uma demanda histórica do município e ocorre semanas após o Plenário da Câmara de Vereadores aprovar a Moção 664/2026, que cobrava do Executivo estadual a publicação imediata do documento.
A publicação do edital e de seu Termo de Referência marca o fim de um longo impasse burocrático e operacional. A Câmara e a Prefeitura de Joinville vinham encabeçando as tratativas para a estadualização do equipamento, processo que incluiu o investimento municipal de mais de R$ 1 milhão no galpão do produtor e a elaboração dos projetos executivos pela Amunesc (Associação dos Municípios da Região Nordeste de Santa Catarina) para viabilizar a entrega da estrutura ao Estado.
COMO FICARÁ A NOVA ESTRUTURA
De acordo com os projetos executivos atrelados ao Edital nº 573/2026, a Ceasa de Joinville passará por uma verdadeira reconstrução para se adequar às normas técnicas e de segurança atuais. Entre as principais intervenções previstas, destacam-se:
Cobertura e fechamentos estruturais: A estrutura metálica do galpão principal e dos beirais será totalmente recuperada, recebendo tratamento anticorrosivo (pintura epóxi e poliuretânica) e novo telhamento trapezoidal. O fechamento misturará painéis de placas cimentícias e elementos vazados (cobogós), garantindo ventilação e iluminação naturais, além de novas esquadrias de alumínio.
Acessibilidade plena e segurança: Para garantir a circulação segura, serão construídas e readequadas rampas e escadas de acesso, todas equipadas com guarda-corpos e corrimãos duplos em alumínio.
Sanitários adaptados: Os banheiros serão totalmente reformados com novos revestimentos e louças. A unidade ganhará sanitários exclusivos para Pessoas com Deficiência (PCD), equipados com barras de apoio em aço inox, banco articulado, trocador estofado e um inovador sistema de botão de emergência audiovisual.
Saneamento e meio ambiente: A adequação ambiental é um dos focos da obra, que implantará um sistema completo de tratamento de esgoto. A estrutura contará com tanque séptico de 9.856 litros, filtro anaeróbio de 8.832 litros, vala de infiltração com manta geotêxtil e caixas separadoras de gordura.
Elétrica e prevenção a incêndios: A rede elétrica será integralmente substituída e modernizada, recebendo iluminação em LED (incluindo refletores de 50W nas áreas de operação). O complexo também ganhará um Projeto Preventivo Contra Incêndio (PPCI) robusto, com extintores, mangueiras e refletores de emergência de alta potência.
Área externa: As vias e pátios passarão por intervenções de drenagem, com recomposição asfáltica nos trechos onde haverá passagem de tubulações subterrâneas.
Histórico de sucateamento
A reforma encerra um ciclo de degradação estrutural que afetou duramente o abastecimento agrícola da região norte catarinense. Durante anos, a Ceasa operou de forma precária devido aos estragos causados por chuvas (2015) e, especialmente, pela passagem de um ciclone bomba em 2020.
A falta de infraestrutura – com goteiras e problemas elétricos – provocou o esvaziamento do entreposto. De uma capacidade de 16 boxes, a unidade chegou a operar com apenas cinco comerciantes ativos. Com isso, feirantes e comerciantes de hortifruti de Joinville e região viram-se obrigados a viajar frequentemente para Curitiba (PR) ou São José (Grande Florianópolis) para garantir seus estoques, encarecendo a logística e os produtos.
O PAPEL DA CÂMARA NA ESTADUALIZAÇÃO
Até recentemente, a unidade de Joinville era o único núcleo de Ceasa gerido por um município no estado – inicialmente pela Fundação 25 de Julho e, depois, pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente (Sama).
Diante da falta de recursos locais para uma grande reforma, a Câmara de Vereadores, liderada pela Comissão de Economia, articulou a transferência do equipamento para o Estado. O processo enfrentou recusas na gestão estadual anterior, mas avançou a partir de 2023, quando um convênio de gestão compartilhada foi assinado.
A consolidação desse esforço conjunto dependia exclusivamente da publicação da licitação pelo Estado. Agora, com o edital na praça, a expectativa é que, após a contratação da empresa vencedora, as obras se iniciem rapidamente, devolvendo a Joinville uma central de abastecimento moderna e capaz de impulsionar a economia agrícola local.
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Texto: Jornalismo/CVJ























