MOVIMENTO TRADICIONALISTA GAÚCHO LEMBRA FATOS HISTÓRICOS

Nossa homenagem aos bravos gaúchos destas paragens que ainda continuam na luta

O Major do Exército, João Cezimbra Jacques (natural da cidade de Santa Maria) criou em Porto Alegre o “Grêmio Gaúcho”, quando decorria o ano de 1898. Reunindo um grupo de amigos idealistas como ele, João Cezimbra criou uma agremiação com a finalidade de cultuar os usos e costumes do homem do interior. Depois de algum tempo o Grêmio Gaúcho perdeu completamente as finalidades de sua origem, tornando-se uma sociedade recreativa igual a tantas outras já existentes.

Tentando retomar suas origens, foi criado mais tarde um Departamento de Tradicionalismo – O CTG Lenço Branco – que acabou sendo sufocado por outros interesses da agremiação.

No ano de 1947, alguns alunos do Colégio Estadual Júlio de Castilhos e do Colégio Rosário – de Porto Alegre – resolveram acompanhar, a cavalo, pelas ruas da Capital, os restos mortais do General David Canabarro, que estavam sendo trasladados de Santana do Livramento para Porto Alegre. Esses rapazes, oriundos de várias famílias do interior, sentiam saudades de seus pagos, reuniam-se nas horas de folga para declamar, contar causos e tocar violão.

Um ano depois, em 24 de abril de 1948, no porão da residência da família Simch, na Rua Duque de Caxias, onde hoje há um grande edifício, eles resolveram fundar um Centro de Tradições Gaúchas que denominaram “35 CTG”, em homenagem aos heróis da Revolução Farroupilha de 1835. Hoje, o 35 CTG tem sede própria, num belíssimo terreno situado à Avenida Ipiranga, na Capital.

Surgia, assim, o primeiro CTG no Rio Grande do Sul, tendo como fundadores os jovens Glaucus Saraiva, Barbosa Lessa, Paixão Côrtes, Ciro Dutra Ferreira, Flávio Ramos, Flávio Damm, Cândido da Silva Neto, Laerte Vieira Simch e Waldomiro Souza – este último o mais velho à época, com 20 anos.

A genialidade de Glaucus Saraiva iria criar a estrutura interna do “35” em termos campeiros: o presidente foi chamado de “Patrão”, o vice ficou sendo “Capataz”, o secretário “sota-Capataz”, os diretores de departamentos “Posteiros”, o responsável pelo galpão, de “Peão-caseiro” e assim por diante. O primeiro Patrão do 35 CTG foi o próprio Glaucus com Paixão Côrtes como Patrão de Honra.

Mas adiante, em 1950, o pessoal do 35 CTG visitou o Uruguai onde presenciou apresentações artísticas do grupo “El Pericón”, de Montevidéu, ficando vivamente impressionado com as danças folclóricas apresentadas naquela ocasião. De volta a Porto Alegre, o grupo resolveu pesquisar entre “os velhos gaúchos”, a possibilidade de se recordarem das antigas danças folclóricas dançadas aqui no Sul. A partir dessa época eclodiu uma grande expressão dessa ideia e, como consequência lógica e natural, criaram-se inúmeros CTGs por todo o Estado e mesmo além-fronteiras.

Somente mais tarde, nos anos 1960, os CTGs existentes resolveram unir-se para criar um organismo capaz de centralizar e orientar corretamente o culto e a difusão de nossas tradições. Dessa forma surgia o “MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho” com a finalidade de congregar os CTGs e entidades afins, preservando o núcleo da formação gaúcha e a filosofia do movimento tradicionalista, considerado hoje o maior movimento cultural e folclórico do mundo.

 Por L. Pimentel – Jornalista

 

 

 

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