O NATAL DE JESUS

Neste mundo onde homens e mulheres quase sempre esquecidos da essencial prática da fraternidade, vivem no deserto da insensibilidade humana, a ambiência do Natal pode ser considerada “um oásis em extinção”.
No entanto, para que esses momentos de paz transbordem em nossa vivência diária, de um Natal Permanente, é necessário que entendamos profundamente o verdadeiro significado da mensagem que Cristo veio trazer à Terra. É preciso esclarecer sobre o Evangelho e o Apocalípse revelados em espírito e verdade à luz do Nono Mandamento de Jesus Cristo, a Lei da Solidariedade Universal; “Anai-vos uns aos outros como Eu vos amei”, pois somente assim sereis conhecidos como Meus Discípulos: (João XIII – 34 e 35). Preparando os caminhos para Sua volta gloriosa, porque Ele prometeu; “Eu voltarei”, (João XIV – 3).
Pode parecer sem propósito que, ao tratarmos do Natal de Jesus, localizemos graves profecias quanto à época que atravessamos. Nada mais oportuno porém.
Jesus veio a Terra para que seu nascimento, passados mais de dois milênios, fosse transformado em festejos pantagruélicos, sendo usurpado por um “simpático velhinho”, que serve a outros senhores, porém não diretamente ao Pai Celestial.
Não estamos querendo combater a alegria das famílias em suas festas natalinas. Muito pelo contrário. Quem não gosta de ser lembrado nesta época, de confraternizar com seus entes queridos?


Mas, como certos corações humanos andam tão afastados do espírito da mensagem de Jesus, muitas crianças, idosos e até enfermos acabam ficando sem presentes, sequer uma palavra de conforto. E este, com certeza, não é o Espírito do Natal, divinamente resumido nas palavras do grande e verdadeiro aniversariante do dia 25 de Dezembro.
Novo Mandamento vos dou: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Com este complemento: “Nisto, se vos amardes como Eu vos amei, pois apenas assim sereis reconhecidos como meus discípulos”.
Em seu segundo evangelho, Jesus diz que “ninguém tem maior amor do que o de dar sua própria vida pelos amigos”. E foi o que Ele fez. Ainda assim, milhões de cristãos nem admitem pensar sobre o assunto. Esta frase de Jesus inspirou Mahatma Gandhi que afirmou: “Adoro o vosso Cristo, mas detesto o vosso cristianismo”.
Natal é fraternidade sem fronteiras, é a única perfeitamente capaz de estabelecer as bases da sociedade solidária, não de presentinhos uma vez por ano, mas do grande presentão Fim da Fome, da Miséria, da Desgraça, porque Jesus pregou respeito à dignidade do homem e à de Seu espírito eterno. Afastado disso não há política nem economia, nem qualquer outra forma mágica que possa dar jeito no Brasil e no Mundo.

NOITE FELIZ

São muitas as pessoas que gostariam de conhecer a origem da mais famosa canção de Natal. Pois hoje vão ter sua curiosidade atendida, com este resumo histórico que faremos.
Noite de Paz ou Noite Feliz como é conhecida a mais bela canção natalina, surgiu na cidadezinha de Oberndorf, uma pequena a encantadora aldeia austríaca, na noite de 24 de Dezembro de 1818. Atualmente, de caráter internacional, a sua origem foi, entretanto, a mais singela possível e nunca poderiam supor seus modestos autores, Franz Xaver Gruber e Joseph Mohr, inspirados pelo altíssimo, que sua “Stille Nacht, Heilige Nacht” atravessasse as fronteiras do torrão natal e pelos tempos afora fosse cantada em todos os idiomas e entoada por adeptos das mais variadas religiões.
A melodia foi composta por Gruber, que era organista da Capelinha de Oberndorf. Os versos são do padre Joseph Mohr. Os dois, acompanhados de guitarra e de um pequeno número de aldeões onde predominava o mais puro elemento infantil, entoaram, na grandiosa noite de Natal de 1818, a divina canção que empolgou os seus primeiros ouvintes, e os encheu, talvez, da mesma paz, do mesmo amor, do mesmo misticismo e devoção de que se encheram os corações dos humildes pastores na noite santa, silenciosa e fria de Belém em que Jesus nasceu, quando ouviram o coro angélico cantar: “Glória ea Deus nas alturas, e Paz na Terra aos homens de Boa Vontade”.
Esse canto bendito foi-se irradiando de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, passando a ser conhecido como Canção Tirolesa, e as mais interessantes lendas foram tecidas em torno dele. Guilherme Frederico IV, da Alemanha, ouvindo a Noite Feliz, empolgou-se de tal forma que a oficializou como cântico de Natal e a canção do Tirol explodiu em todos os cantos, cada vez mais suave, mais comovedora.
Tudo que é belo e sublime vem de Deus e não perece nunca!
Na capela de Oberndorf, onde pela primeira vez foi entoada a “Noite de Paz”, gravados na pedra estão os retratos de Gruber e Joseph Mohr, os felizes autores da mais linda canção de Natal.

LETRA DA CANÇÃO

Noite feliz, noite feliz
Ó Senhor, Deus de amor
Pobrezinho nasceu em Belém
Eis na lapa, Jesus nosso bem
Dorme em paz, ó Jesus
Dorme em paz, ó Jesus
Noite feliz, noite feliz
Eis que no ar vem cantar
Aos pastores, os anjos dos céus
Anunciando a chegada de Deus
De Jesus, Salvador
De Jesus, Salvador
Noite feliz, noite feliz
Ó Jesus, Deus da luz
Quão afável é Teu coração
Que quiseste nascer nosso irmão
E a nós todos salvar
E a nós todos salvar

-O-O-O-O-O-O-O-O-O-O-O-O-O-O-O-O-

SUAVE MILAGRE
Um dos escritos mais belos e empolgantes sobre Jesus pertence a Eça de Queirós, um dos mais fortes críticos da sociedade hipócrita, que neste texto mostra todo seu coração enternecido.
“Nesse tempo, Jesus ainda não saíra da Galiléia, às margens do lago de Genezare, mas a nova de seus milagres já chegara a Siquém, cidade rica, incrustada entre os vinhedos, no país de Semaria”.
Ora, junto aSiquém, num casebre, vivia uma viúva desgraçada entre todas, que tinha um filho doente com as febres. O chão miserável não estava caiado, nem nele havia enxerga. Na lâmpada de barro vermelho secara o azeite. O grão faltava na arca, o ruído dormente do moinho doméstico cessara, e esta era em Israel a evidência mais cruel da infinita miséria.
A pobre mãe, sentada a um canto, chorava. E estendida sobre os joelhos, embrulhada em farrapos, pálida e tremendo, a criança pedia-lhe como num suspiro, que lhe fosse chamar esse Rabi da Galiléia, de quem ouvira falar junto ao poço de Jacó, que amava as crianças, que nutria as multidões e curava todos os males humanos com a carícia de Suas mãos. E a mãe, chorando, dizia: “como queres tu, meu filho, que eu te deixe e vá procurar o Rabi da Galiléia? Obed é rico e tem muitos servos, eu os vi passar, e embalde buscaram Jesus por arraiais e cidades, desde Corazim até o país de Moab. Septimos é forte, tem soldados, e também os vi passar, e perguntavam por Jesus sem O encontrarem, desde o Hebron até o mar. Como querem tu que eu te deixe? Jesus está longe e nossa dor está conosco. E, sem dúvida o Rabi que lê nas Sinagogas novas, não escuta as queixas de uma mães de Samaria, que só sabe ir orar, como outrora, no alto do monte Garizim”.
A criança, com os olhos cerrados, pálida e como morta, murmurava o nome de Jesus, e a mãe, chorando, continuou: “De que servirá, meu filho, partir e ir procurá-lo? Longa são as estradas da Síria, curta é a piedade dos homens. Vendo-me tão pobre e tão só, os cães viriam ladrar-me à porta dos casais. De certo Jesus morreu e com Ele morreu, uma vez mais, toda a esperança dos tristes”.
Pálida e desfalecida, a criança murmurou de novo: “mamãe, eu queria ver Jesus da Galiléia”! E, logo, abrindo devagar a porta, Jesus, sorrindo, disse-lhe: “Aqui estou”!

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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