Seleção forma torcida em vários países asiáticos, africanos e caribenhos que se mobilizam em tempos de Copa do Mundo
Os jogos do Brasil na Copa do Mundo param o país a cada quatro anos. É gente pedindo folga no trabalho para se reunir com os amigos e torcer sonhando com o título mundial. Mas não é só no território brasileiro que a amarelinha desperta paixões.
Existe uma grande mobilização em dias de jogos da seleção brasileira em países com pouca representação em Copas na Ásia, África, Oceania e até na América caribenha. Não estamos falando de brasileiros que moram por lá, mas sim de nativos que adotam como time e torcem tanto quanto.
Ao longo da atual edição, viralizaram imagens de torcedores em Bangladesh, Vanuatu e Líbano, por exemplo. Mas essas reuniões são comuns também em outros países, como Índia e Haiti.

– Eu vejo a Seleção do Brasil como uma espécie de “seleção do Sul Global”, por ser o exemplo mais bem sucedido de equipe esportiva dos países em desenvolvimento (ou de “terceiro mundo”). Entendo que há uma aproximação afetiva relacionada a esse contraste com as potências econômicas ou coloniais da Europa – explica o pesquisador Irlan Simões.
Bangladesh talvez seja o caso mais curioso nesse sentido. Existe um grande fanatismo envolvendo a Seleção por lá, mas não o único. Outra parte da população bangladesa abraça a Argentina como seu time.
A rivalidade sul-americana reflete no país asiático, algumas vezes até mesmo ultrapassando o limite do aceitável. Foram registradas até mesmo brigas entre torcedores brasileiros e argentinos em 2022 que causou ferimentos em sete pessoas.

Esses casos mostram o tamanho da influência construída pela Seleção Brasileira ao longo dos anos. Mais do que a maior campeã de Copas do Mundo, a camisa amarela tem representatividade própria e um símbolo cultural global.
– Também parece pesar o fato do Brasil ter sido uma das primeiras seleções a levar jogadores negros para as Copas, em um tempo de baixa representação e/ou competitividade das seleções africanas e asiáticas. Particularidade que, aliás, pesou bastante na construção da imagem do Brasil para o mundo, desde 1938, como um país onde existia uma suposta “democracia racial”. Isso, junto com toda essa “brasilidade de exportação”, como um reino da alegria, carnaval, samba, etc… – analisa Simões.
– Acho que vale notar que na Ásia Meridional há grande torcida para outras seleções, como a Argentina. Aí já me parece mais um reflexo da globalização e da vida on-line também – Irlan Simões
O Brasil decide neste domingo uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026 contra a Noruega, às 17h (de Brasília) no Estádio de Nova Jersey. A partida promete mobilizar não só o Brasil, mas boa parte do mundo.
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Texto: Giba Perez – Rio de Janeiro (RJ)
Fotos: Redes Sociais/Arquivo





















