Virginia Azevedo, escritora de Tatuí transforma sentimentos em literatura

Professora da rede municipal de Tatuí, Virgínia Azevedo transformou uma antiga paixão pela literatura em uma nova trajetória como escritora e vem conquistando leitores com histórias que nascem do cotidiano, da sensibilidade e das emoções humanas

 

Há histórias que começam muito antes de serem escritas. Algumas nascem na infância, outras permanecem escondidas durante anos, esperando o momento certo para finalmente ganhar vida. A trajetória da escritora tatuiana Virgínia Azevedo é assim: um antigo sonho que encontrou na literatura uma segunda oportunidade para existir.

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília (UnB), Virgínia trabalha como professora na rede municipal de ensino de Tatuí, no interior de São Paulo. Entre a sala de aula e as páginas dos livros, encontrou duas formas de exercer aquilo que considera essencial em sua vida: expressar-se e tocar outras pessoas.

“Sou uma pessoa sensível e apaixonada pelo que faço, seja ensinando ou escrevendo”, revela a escritora.

A literatura, entretanto, não surgiu recentemente em sua vida. Desde muito jovem, Virgínia carregava uma paixão pelos livros e, ainda na adolescência, já imaginava que poderia se dedicar à escrita. A vida, porém, conduziu seus caminhos por outras direções e aquele desejo acabou ficando adormecido.

Foi durante a pandemia que algo mudou.

O período de isolamento e tantas incertezas fez voltar com força um sonho que permanecera guardado durante anos. Virgínia decidiu, finalmente, começar a escrever. E aquilo que poderia ter sido apenas uma tentativa transformou-se em uma nova parte de sua identidade.

Quando as histórias começam como cenas de um filme

Para Virgínia, escrever não é necessariamente sentar diante de uma página em branco com toda a história planejada. Seus personagens e acontecimentos costumam surgir primeiro como imagens.

“As histórias aparecem na minha cabeça como cenas de um filme”, conta.

Nem sempre essas cenas chegam na ordem em que aparecerão no livro. A escritora começa a partir delas e permite que a narrativa encontre seu próprio caminho. Personagens, acontecimentos e sentimentos vão tomando forma durante o processo.

Essa maneira intuitiva de criar também ajuda a explicar a personalidade de sua literatura. Suas inspirações estão no cotidiano, nas situações vividas ou presenciadas, nas músicas, nos filmes e até nas pequenas coisas capazes de despertar uma ideia ou um sentimento.

Experiências pessoais podem contribuir para dar profundidade às histórias, mas seus personagens e enredos pertencem ao território da ficção e da imaginação.

Para Virgínia, escrever acabou se tornando muito mais do que um projeto profissional. É uma necessidade de expressão.

“A literatura faz parte de mim”, afirma.

O Perfume das Sombras e a descoberta de que suas palavras podiam alcançar outras pessoas

Virgínia Azevedo, professora e escritora de Tatuí, conquista leitores com livros e poemas inspirados em sentimentos, cotidiano e experiências humanas.

Entre suas obras, “O Perfume das Sombras: a história do maior amor do mundo” ocupa um lugar especialmente importante.

Foi durante a criação de Louis, um dos personagens da obra, que Virgínia sentiu uma ligação particularmente intensa com aquilo que estava escrevendo. O personagem acabou deixando uma marca profunda em sua trajetória como escritora.

Mas foi também com esse livro que ela começou a perceber, de maneira concreta, a dimensão que sua literatura poderia alcançar.

O lançamento do e-book trouxe um resultado que surpreendeu e emocionou a autora: foram 80 downloads na primeira hora, chegando a 280 nos três primeiros dias.

Pouco antes, outro momento já havia mostrado a força de sua escrita nas redes sociais. Um de seus poemas alcançou 190 mil curtidas no Instagram.

Mais do que números, esses resultados representaram uma confirmação.

Havia pessoas do outro lado da tela lendo, sentindo e reagindo às palavras que saíam de sua imaginação.

Quando o leitor se reconhece na história

Talvez a maior conquista de um escritor não esteja em uma lista de vendas ou na quantidade de visualizações, mas no momento em que um leitor fecha um livro e percebe que aquela história deixou alguma coisa dentro dele.

Virgínia já começou a experimentar essa sensação.

Entre os relatos que mais a marcaram está o de um leitor que afirmou ter sido levado ao limite da emoção durante a leitura de “O Perfume das Sombras”.

Outro relato teve um significado ainda mais especial: um leitor contou que, depois de muitos anos sem conseguir terminar um livro, conseguiu concluir a leitura da obra de Virgínia.

Há ainda estudantes que utilizam seus escritos em trabalhos escolares.

São experiências diferentes, mas que apontam para a mesma direção: a literatura encontrou leitores.

E, para a escritora, é justamente aí que está o verdadeiro sentido de escrever.

Ela deseja que seus livros deixem sentimentos e lembranças. Que provoquem emoções. Que façam alguém enxergar determinada situação de uma maneira diferente.

“Se, de alguma forma, minhas histórias conseguirem tocar alguém, despertar uma emoção ou fazer a pessoa enxergar algo de uma maneira diferente, já vou sentir que deixei minha marca.”

O desafio de transformar livros em encontros com o público

Apesar das conquistas, Virgínia conhece de perto uma das maiores dificuldades enfrentadas por escritores independentes: fazer com que o livro chegue até o leitor.

Para ela, escrever é prazeroso. Divulgar o trabalho, entretanto, é uma tarefa muito mais difícil.

Esse é um desafio compartilhado por muitos autores que buscam espaço em um mercado literário cada vez mais amplo. A escritora reconhece, porém, que as plataformas de auto publicação abriram novas possibilidades para quem deseja publicar e encontrar seu público.

Ainda assim, conquistar leitores continua sendo uma caminhada que exige persistência.

E Virgínia parece ter escolhido justamente esse caminho.

Uma nova obra chega em um momento histórico para Tatuí

Enquanto sua trajetória como escritora ganha novos capítulos, Virgínia prepara também um momento especial em sua cidade.

Virgínia Azevedo, professora e escritora de Tatuí, conquista leitores com livros e poemas inspirados em sentimentos, cotidiano e experiências humanas.Seu novo livro, “A última vez”, marca sua estreia na poesia.

O lançamento acontece em parceria com a escritora tatuiana Sarah Vitorino, no último dia 20 de agosto, no Museu da Imagem e do Som de Tatuí, integrando o calendário de comemoração dos 200 anos do município.

A programação foi pensada como uma celebração da literatura e da poesia.

O evento contou com uma entrevista mediada pelo ator Lucas Vedeschi, seguida de uma declamação de poemas realizada por atores e, posteriormente, uma sessão de autógrafos.

Foi uma noite para reunir leitores, escritores e artistas de Tatuí.

Mais do que lançar um livro, Virgínia estará celebrando uma trajetória que começou com um sonho guardado desde a adolescência e que encontrou, anos depois, coragem para ser retomado.

E o próximo capítulo já está sendo escrito

A história literária de Virgínia Azevedo está longe de terminar.

A escritora já planeja um novo livro de contos, gênero que ainda não havia explorado em uma publicação. Também alimenta o desejo de escrever um romance com elementos metafísicos, abrindo espaço para novas experiências e possibilidades dentro da literatura.

Aos escritores que ainda têm medo de começar, sua mensagem é simples:

“Não tenha medo de tentar.”

Experimentar. Escrever. Acreditar no próprio trabalho. Não desistir.

Talvez essa seja também uma síntese de sua própria trajetória.

Virgínia não começou sua carreira literária seguindo uma estrada planejada. Ela retomou um sonho que havia ficado pelo caminho e descobriu que nunca era tarde para voltar a ele.

Hoje, entre livros, poemas, personagens e leitores, a professora de Tatuí constrói uma nova identidade sem abandonar aquela que sempre fez parte dela.

A sala de aula continua sendo seu espaço de ensinar.

As páginas, seu espaço de sentir.

E entre uma e outra, Virgínia Azevedo vai construindo aquilo que talvez seja o maior desejo de qualquer escritor: deixar uma marca no coração de quem lê.

Porque, no fim, uma história só se completa quando encontra alguém disposto a senti-la.

E as histórias de Virgínia já começaram a encontrar seus leitores.

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