Votando erroneamente veremos o país marcando passos pelos próximos quatro anos
As eleições deste ano voltam a colocar nas mãos do eleitor brasileiro uma responsabilidade gigantesca, que é escolher quem terá poder para decidir os rumos do país dentro do Congresso Nacional. E talvez nunca tenha sido tão importante votar com consciência, especialmente para deputado federal e senador.
O Brasil vive um momento em que muitos cidadãos demonstram descrença na política. Parte disso nasce justamente do comportamento de setores do atual Congresso, onde frequentemente vemos discussões transformadas em espetáculos, interesses partidários colocados acima das necessidades reais da população e uma polarização que impede debates sérios sobre temas fundamentais como saúde, educação, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Há parlamentares comprometidos com o país, evidentemente. Mas também existem aqueles que parecem mais preocupados com redes sociais, disputas ideológicas permanentes, acordos de bastidores e interesses pessoais do que com o cidadão que os elegeu. O problema é que o Congresso possui enorme poder. Deputados e senadores não são figuras decorativas. Eles aprovam leis, controlam bilhões em recursos públicos, fiscalizam o governo e podem influenciar diretamente a vida de cada brasileiro.
Por isso, votar apenas pela emoção, por amizade, por fama na internet ou por frases de efeito pode custar caro ao país. O eleitor precisa analisar histórico, coerência, comportamento público, presença nas votações importantes e compromisso verdadeiro com a sociedade. Um parlamentar despreparado ou extremista, seja de que lado for, pode contribuir para aumentar crises políticas, travar reformas importantes e aprofundar divisões nacionais.
No caso do Senado, a atenção deve ser ainda maior. Senadores possuem mandato de oito anos e acumulam enorme influência institucional. Eles analisam indicações para tribunais superiores, embaixadas, Banco Central e diversas estruturas estratégicas do país. Nesse caso, um voto mal pensado pode gerar consequências que ultrapassam um único governo.
Já a Câmara dos Deputados muitas vezes acaba definindo o ritmo do país. É ali que nascem grandes projetos econômicos, tributários e administrativos. No entanto, quando o Congresso se distancia das prioridades da população, quem sofre é o cidadão comum, o empresário que paga impostos excessivos, o trabalhador que perde poder de compra, o jovem sem oportunidades e as famílias, que ficam inseguras diante da violência e da instabilidade econômica.
Outro ponto preocupante é o crescimento de candidaturas fabricadas apenas pelo marketing. Muitos políticos tornam-se celebridades digitais, mas sem preparo técnico, equilíbrio ou conhecimento legislativo. A democracia precisa de representantes capazes de dialogar, negociar e pensar no país de forma madura, não apenas criar conflitos para ganhar curtidas.
Escolher errado pode significar mais instabilidade política, aumento da radicalização, desperdício de dinheiro público e atraso em áreas essenciais. Um Congresso fraco ou irresponsável afeta investimentos, empregos e até a confiança internacional no Brasil. E quando a política perde qualidade, cresce também o desânimo da população com a própria democracia.
As eleições são muito mais do que uma disputa entre partidos. Elas representam a oportunidade de o cidadão decidir se deseja um país mais equilibrado, sério e comprometido com resultados concretos. O voto consciente talvez ainda seja a ferramenta mais poderosa que o brasileiro possui para exigir mudanças reais.
Mais do que nunca, será necessário separar propaganda de competência, discurso de caráter, e barulho de trabalho verdadeiro.
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Por L. Pimentel
Jornalista: Folha do Estado




























