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Artigo: Seria uma falta de consideração ou não?

Órgãos Públicos têm dificultado contatos telefônicos quando alguém deseja falar com algum setor da municipalidade ou das Câmaras Municipais

Em tempos de tecnologia instantânea e comunicação em tempo real, é no mínimo contraditório perceber que muitas prefeituras e câmaras de vereadores do Litoral Norte de Santa Catarina (e também de outras regiões do Estado), parece que desaprenderam de atender ao telefone. O velho contato direto, simples e eficiente, vem sendo substituído por uma barreira quase intransponível: a famosa “caixa de mensagens”, que sempre causa um grande mal-estar a quem liga.

Liga-se para uma prefeitura e o cidadão se depara com gravações intermináveis, ramais que não funcionam ou celulares institucionais que jamais são atendidos. Em muitos casos, o telefone toca até cair. Em outros, o aparelho sequer recebe chamadas, funcionando apenas para mensagens de WhatsApp. O problema é que nem sempre uma mensagem resolve situações urgentes, esclarecimentos imediatos ou demandas que exigem diálogo humano.

A situação se torna ainda mais preocupante quando atinge os veículos de comunicação. Jornais, rádios, portais e emissoras dependem do contato rápido com secretarias, assessorias e gabinetes para confirmar informações, ouvir versões oficiais e prestar um serviço correto à população. Sem retorno, abre-se espaço para ruídos, especulações e desencontros de informação, exatamente o contrário do que deveria ocorrer numa administração pública transparente.

O mais curioso é que muitos órgãos públicos investiram pesado em tecnologia, aplicativos, redes sociais e sistemas digitais. Tudo isso é válido e necessário. Mas nada substitui completamente o atendimento humano. O telefone continua sendo uma ferramenta básica de acesso público. Afinal, nem todo cidadão domina aplicativos, nem todos têm internet de qualidade, e há situações em que poucos minutos de conversa resolveriam aquilo que dezenas de mensagens não conseguem.

Existe ainda um aspecto institucional importante. Prefeitura e Câmara Municipal não pertencem aos prefeitos, presidentes de legislativos ou secretários. São estruturas públicas mantidas com dinheiro do contribuinte e que têm obrigação de oferecer acesso fácil e eficiente à população. Quando um órgão público deixa de atender telefone, ele transmite uma sensação perigosa de distanciamento, desorganização e até desprezo pelo cidadão.

É evidente que o WhatsApp tornou-se uma ferramenta indispensável. Porém, ele deveria complementar o atendimento, jamais substituí-lo por completo. O excesso de dependência das mensagens criou um vício administrativo: responde-se, quando convém, se convém e da forma que convém. O telefonema, ao contrário, exige prontidão, responsabilidade e transparência imediata. Não esqueçam que governar também é ouvir. E ouvir começa, muitas vezes, com um simples “alô”, é da prefeitura…

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Da Redação Folha do Estado

 

Redação
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