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Brasília: Lula defende fim da 6×1, Desenrola e controle de bets em fala de 1º de Maio

Por 7 minutos Lula falou do Desenrola, Bets, Jornada 6×1 e se disse otimista

30.abr.2026 – Presidente Lula durante pronunciamento à nação por ocasião do Dia do Trabalhador, no Palácio da Alvorada – Imagem: Ricardo Stuckert / PR.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o fim da escala 6×1 e abordou ações do governo para reverter o endividamento dos trabalhadores durante o discurso de 1º de Maio nesta noite. Lula falou por cerca de sete minutos. A redução da jornada de trabalho foi o principal tema do pronunciamento. “Eu sei o quanto o trabalhador brasileiro está cansado”, disse.

– Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e de brasileiras, tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia – salientou.

Presidente criticou setores econômicos contrários ao fim da 6×1. “A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte”, disse o petista.

Fim da 6×1 se tornou o projeto mais relevante do governo no Congresso neste ano. É uma aposta no ânimo do trabalhador, dizem governistas. Eles esperam conseguir associar o entusiasmo do trabalhador a quem encampou a pauta desde o início.

– Toda vez que a vida do trabalhador melhora, a roda da economia gira com mais força, e todo mundo acaba ganhando. É isso que vai acontecer com o fim da escala 6×1 no Brasil – disse o presidente.

Preocupação é especialmente eleitoral. Outros projetos, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais, tiveram resultados aquém do esperado em termos de popularidade para o governo. O projeto tem sido visto como uma saída para a futura campanha de Lula.

A movimentação já começou. A Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência deverá lançar campanhas que mostrem os benefícios para o trabalhador. O principal ponto é como a mudança afetaria positivamente o cotidiano de quem terá um dia a mais de folga por semana.

DESENROLA 2.0

Outro tema de destaque no pronunciamento foi o plano de combate ao endividamento da população. O Novo Desenrola Brasil, que deve ser lançado na próxima segunda-feira (4), focará na renegociação de dívidas de cartão de crédito, cheque especial e Fies. Ainda segundo Lula, os juros ficarão limitados a 1,99% e os descontos podem chegar a 90% do valor devido.

Uso do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) também será contemplado pelo programa. “Cada pessoa poderá sacar até 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço”, afirmou o presidente.

Endividamento tem sido visto como o ponto fraco do governo atualmente. Em ano eleitoral, pesquisas têm indicado que, embora haja aumento na renda e queda no desemprego, a população segue com a sensação de baixo poder de compra, algo já reconhecido pelo presidente.

BETS NO ALVO

Chefe do executivo aproveitou a fala sobre endividamento para criticar o espaço das apostas online na economia. Quem aderir ao novo programa de renegociação de dívidas ficará, segundo Lula, bloqueado em todas as plataformas em operação no Brasil pelo período de um ano. “O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet”, reforçou.

Não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando.

Estudo recente corrobora a suspeita. Uma pesquisa do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo) e da FIA Business School revelou que as apostas online se tornaram o principal fator de endividamento das famílias brasileiras, superando o impacto do crédito e dos juros no orçamento.

Lula abordou os impactos da guerra no Oriente Médio, incluindo o aumento do petróleo e a pressão sobre os preços de produtos e serviços. O petista citou ações do governo para segurar o preço dos combustíveis, incluindo a redução de impostos.

Sem citar Donald Trump ou os Estados Unidos, o político falou sobre a necessidade de defender “nossa soberania e nossas riquezas”. “O Brasil é grande demais para baixar a cabeça. O Brasil não aceita ser quintal de ninguém”, declarou.

Lula aproveitou o pronunciamento para elencar conquistas econômicas do governo. A lista citada pelo presidente incluiu a “menor taxa de desemprego e a menor inflação acumulada em quatro anos”, o “maior rendimento médio da história do país para os trabalhadores”, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e o programa Gás do Povo.

Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios à custa do povo… se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil.

DERROTAS NO CONGRESSO

Pronunciamento acontece em momento delicado para o governo, após duas derrotas expressivas no Congresso Nacional. No início da noite de ontem, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF (Supremo Tribunal Federal). O movimento foi considerado histórico e interpretado como sinal de tensão entre Executivo e Legislativo.

Na tarde de hoje, deputados e senadores derrubaram o veto de Lula ao projeto que pode reduzir a pena de Jair Bolsonaro (PL). O texto altera critérios de cálculo das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A derrubada do veto abre caminho para a revisão de condenações já definidas, o que pode beneficiar diretamente o ex-presidente, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Mudança, no entanto, não tem efeito automático. Caberá ao STF analisar, caso a caso, os pedidos de revisão apresentados pelas defesas. Ainda assim, a aprovação do projeto representa uma inflexão relevante no tratamento jurídico dado aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes.

Ao vetar a proposta, Lula argumentou que iniciativa poderia resultar em benefícios indevidos e enfraquecer resposta institucional a crimes contra o Estado Democrático de Direito. A derrubada do veto, embora já esperada pelo Planalto, expõe não apenas divergências sobre o tema, mas também a dificuldade do governo em consolidar maioria no Congresso.

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Lucas Borges Teixeira e Thiago Calildo Uol – Brasília

 

Redação
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