Candidato a deputado estadual, Ramos Policial é alvo de BO por acusar trabalhador de tráfico e associação criminosa

Morador de Itapema há 31 anos, Wellington Carlos Telles registrou BO e representação criminal, apresentou documentos à Folha do Estado e afirma temer que a associação com facções criminosas exponha sua família.

O candidato a deputado estadual Saulo Salustiano Ramos Neto, conhecido como Ramos Policial, é alvo de um Boletim de Ocorrência registrado por Wellington Carlos Telles, em Itapema, após declarações feitas pelo parlamentar em uma publicação nas redes sociais.

Candidato a deputado estadual, Ramos Policial é alvo de BO por acusar trabalhador de tráfico e associação criminosa

Segundo o BO nº 0914046/2026-BO-00466.2026.0005316, registrado em 1º de setembro de 2026 na Delegacia de Polícia de Itapema, os fatos foram comunicados como calúnia e difamação. No registro, Wellington afirma ter sido diretamente atingido pelas declarações e solicita a análise das gravações, vídeos e publicações relacionadas ao episódio, além da preservação dos registros das redes sociais.

Segundo o BO nº 0914046/2026-BO-00466.2026.0005316, registrado em 1º de setembro de 2026 na Delegacia de Polícia de Itapema, os fatos foram comunicados como calúnia e difamação.

A reclamação está relacionada a uma manifestação publicada pelo vereador na sexta-feira, 28 de agosto, em sua rede social. Na gravação, ao comentar declarações sobre a existência de integrantes de facções criminosas na região do Sertãozinho, em Itapema, o parlamentar afirmou que a pessoa que teria feito a declaração estaria “cumprindo pena por tráfico e associação ao tráfico” e, posteriormente, disse que estaria “cumprindo pena por tráfico e associação criminosa no regime aberto”. Na mesma manifestação, utilizou expressões depreciativas como “vagabundo” e “ficar dando entrevista e falando merda”.

Wellington afirma que as declarações fazem uma associação entre sua pessoa e crimes relacionados ao tráfico de drogas e à associação criminosa. Segundo ele, a vinculação atingiu sua honra e imagem e também despertou preocupação com a segurança de sua família, diante da possibilidade de terceiros interpretarem a declaração como uma suposta ligação com organizações criminosas.

ÍNTEGRA DAS DECLARAÇÕES DO CANDIDATO A DEPUTADO ESTADUAL

integra das declarações do candidato a deputado estadual Polícial Ramos em sua rede social “Vagabundo tava falando que não tinha faccionado, faccionado dentro da quebrada ali do Novo Sorbetal. Ali não tem faccionário. Só que o próprio vagabundo que falou isso está hoje cumprindo pena por tráfico e associação ao tráfico. É, ele tá cumprindo pena. Só que como no Brasil vagabundo tem vida mansa e vida fácil, aquele vagabundo lá que falou que tá tudo bem, tá tudo tranquilo, que não tem nada, tá cumprindo pena por tráfico e associação criminosa no regime aberto. É. É. É isso aí. Pra ficar dando entrevista e falando merda. Aí dizendo que não tem crime. Como que não tem crime se o policial aqui, ó, tá prendendo vagabundo com mandado de prisão hoje no mesmo lugar? Como é que não tem crime se o tático tá lá prendendo vagabundo todo dia?

Para contestar a associação feita nas declarações, Wellington apresentou à Folha do Estado SC uma Certidão de Antecedentes Criminais emitida pela Polícia Federal. O documento registra expressamente que “não consta condenação com trânsito em julgado” em seu nome no sistema consultado. A certidão foi emitida em 29 de agosto de 2026 e possui validade de 90 dias. 172573582026CAC.pdf

O trabalhador também apresentou documentos judiciais relacionados a uma prisão ocorrida recentemente. Conforme consta no Alvará de Soltura expedido pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, a prisão foi determinada para cumprimento de prisão civil decorrente de dívida de alimentos, tendo sido posteriormente determinada a soltura em razão da quitação do débito.

A documentação judicial apresentada, portanto, não estabelece que essa prisão tenha ocorrido em razão de condenação por tráfico de drogas ou associação criminosa. O documento aponta como fundamento da prisão civil o cumprimento de obrigação relacionada a débito alimentar.

O caso agora deverá ser analisado pelas autoridades competentes. O registro do BO e a representação criminal não significam, por si só, que os crimes de calúnia ou difamação estejam comprovados. Caberá à investigação verificar o conteúdo integral das declarações, o contexto da publicação, a identidade da pessoa mencionada e eventual responsabilidade jurídica.

A Folha do Estado SC também deixa registrado que o espaço permanece aberto para manifestação de Ramos Polícia, que poderá apresentar sua versão sobre as declarações e sobre o Boletim de Ocorrência registrado por Wellington Carlos Telles.

Redação
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