Quando o que procuramos é encontrado
Duda dizia a si mesma que não havia se transformado em mulher de um dia para o outro. Transformar-se, para ela, não era apenas uma mudança do corpo ou da idade. Era maturidade. Era compreender algo que demorara anos para aprender: compartilhar.
Esse aprendizado não veio de livros nem de conselhos familiares. Veio dos encontros tântricos que começou a frequentar quase por acaso. Ali ouviu uma palavra que ecoou profundamente dentro dela: presença. Amar não era apenas desejar; era estar inteiro diante do outro.
Ainda assim, aos trinta e poucos anos, Duda carregava um constrangimento silencioso. Desejar parecia, para muitos, algo vulgar. Para ela, era quase sagrado.
Havia algo de selvagem e delicado dentro de si. Um impulso que queria viver, sentir, tocar a vida com intensidade. Mas suas experiências amorosas sempre terminavam em frustração.
E, no fundo, havia uma pergunta que a acompanhava como um eco: Como é se sentir verdadeiramente amada?
Não apenas desejada. Não apenas desejável. Amada.
Foi então que Quente apareceu em sua vida – um apelido curioso que surgiu entre amigos. No início eram apenas conversas. Mas algo crescia entre os dois.
Certo dia, voltando da academia, Duda se observou no espelho. Pela primeira vez em muito tempo, não se julgou. Apenas se admirou. Sentiu-se bonita. Sentiu-se mulher.
Quando chegou em casa, encontrou Quente. O encontro não tinha sido planejado, mas parecia inevitável. O abraço veio, seguido de um beijo lento, carregado de significado.
Não havia pressa. Apenas descoberta.
O que aconteceu entre eles foi mais do que desejo. Foi encontro. Corpo e alma.
Depois, o silêncio. Mas um silêncio cheio de presença, de paz…
Duda percebeu que finalmente compreendia o que buscara por tantos anos: amar e ser amada era estar inteira, sem medo, sem culpa.
E naquele momento, soube – havia encontrado algo raro.
O amor verdadeiro.
———————-
Por Virgílio Galvão
Colunista da Folha do Estado
De Brasília DF






















