Um novo elemento surgiu nesta quarta-feira acerca dos milhares de reais apreendidos. Deputado do PSDB teve R$ 500 mil em espécie apreendidos pela Polícia Federal em Florianópolis; origem e destinação do dinheiro serão investigadas
Por José Santana | Folha do Estado SC
O deputado estadual Marcos Luiz Vieira (PSDB), um dos nomes de maior longevidade da política catarinense, entrou no centro de uma apuração da Polícia Federal após a apreensão de R$ 500 mil em espécie, na terça-feira (22), em Florianópolis.
O parlamentar, que disputa a reeleição para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina e está em seu quinto mandato consecutivo, teve o dinheiro apreendido durante uma diligência realizada nas proximidades de uma agência bancária. A Polícia Federal confirmou o episódio nesta quarta-feira (23), mas não divulgou inicialmente a identidade do candidato. A assessoria de Marcos Vieira posteriormente confirmou que o dinheiro estava em poder do deputado.
PF vai apurar origem e destino do dinheiro
Segundo a Polícia Federal, os R$ 500 mil haviam sido previamente provisionados para saque e foram localizados em poder de um candidato às Eleições 2026. A corporação informou que irá apurar as circunstâncias relacionadas à origem e à destinação dos recursos, inclusive para verificar eventual ocorrência de ilícitos eleitorais. O valor foi apreendido e preservado. A PF informou ainda que pretende submeter o procedimento à Justiça Eleitoral, solicitando autorização para instaurar inquérito policial e adotar as medidas necessárias para esclarecer os fatos. (Serviços e Informações do Brasil) Até o momento, entretanto, não há conclusão oficial de que tenha ocorrido crime ou de que Marcos Vieira seja responsável por qualquer ilícito. Essa ressalva foi feita expressamente pela própria Polícia Federal.
TRE-SC mantém o caso sob sigilo
Um novo elemento surgiu nesta quarta-feira.
Procurado pelo imprensa, o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) informou que não se manifestará sobre o caso porque o processo tramita sob segredo de Justiça. (UOL Notícias). Na prática, isso significa que eventuais informações sobre pedidos, documentos ou decisões judiciais poderão não estar disponíveis publicamente neste momento. A investigação ainda depende da autorização da Justiça Eleitoral para eventual instauração do inquérito solicitado pela Polícia Federal.
Assessoria de Marcos Vieira busca esclarecimentos
Após a divulgação da apreensão, a assessoria jurídica do deputado divulgou uma nota oficial. Segundo o comunicado, a defesa está buscando junto à Polícia Federal informações detalhadas sobre as circunstâncias da apreensão. A nota informa ainda que Marcos Vieira está em campanha pelo interior de Santa Catarina e que deverá fazer uma nova manifestação assim que houver informações confirmadas sobre o caso. (Peperi)
O que ainda não foi esclarecido
Entre os pontos que permanecem sem resposta pública estão:
* qual era a origem dos R$ 500 mil;
* qual seria a destinação específica do dinheiro;
* se o valor havia acabado de ser retirado do banco;
* quem realizou ou autorizou o eventual agendamento do saque;
* se existe alguma relação entre o dinheiro e a campanha eleitoral;
* e quais circunstâncias levaram à abordagem e à apreensão.
Segundo recortes da Imprensa, a PF não havia esclarecido, até a publicação da reportagem, se o dinheiro havia acabado de ser sacado nem quem havia feito o agendamento. A participação da Controladoria-Geral da União (CGU) na ação também não havia sido detalhada publicamente. (BOL)
Essas questões deverão ser esclarecidas caso a investigação seja formalmente instaurada.
Patrimônio declarado
Outro dado que passou a integrar o contexto do caso é a declaração patrimonial apresentada por Marcos Vieira à Justiça Eleitoral em 2026. Segundo levantamento publicado pelo UOL, o parlamentar declarou patrimônio de aproximadamente R$ 3,2 milhões, incluindo dois apartamentos em Florianópolis, participação em imóvel, terreno, participação societária em empresa, aplicações financeiras e veículos. A declaração não registra R$ 500 mil em dinheiro em espécie. Isso, por si só, não caracteriza irregularidade, uma vez que a apreensão e a declaração patrimonial são fatos distintos e a origem do dinheiro ainda está sendo investigada. (UOL Notícias)
Uma trajetória de mais de duas décadas na política
Marcos Vieira nasceu em Florianópolis e é formado em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Antes da carreira eleitoral, atuou como servidor público e ocupou diferentes funções na administração estadual. Também exerceu o cargo de secretário de Estado da Administração entre 2003 e 2006, durante o governo Luiz Henrique da Silveira. Na Assembleia Legislativa, foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2006 e posteriormente reeleito em 2010, 2014, 2018 e 2022. Em 2026, disputa novamente uma vaga no Legislativo estadual. Liderança no PSDB
Vieira também possui longa trajetória dentro do PSDB catarinense.
Atualmente é presidente estadual da legenda e ocupa posição na direção nacional do partido. Em 2026, participou das articulações partidárias relacionadas à composição eleitoral em Santa Catarina. A apreensão dos R$ 500 mil ocorre, portanto, durante um período eleitoral e envolve um candidato à reeleição que ocupa posição de liderança partidária no Estado. Essa circunstância explica o interesse da Justiça Eleitoral na apuração, mas não permite concluir, por si só, que os recursos tenham origem ou finalidade eleitoral.
O que está confirmado até agora
Até esta quarta-feira (23), os fatos confirmados são:

Próximos passos
O próximo movimento deverá ocorrer na Justiça Eleitoral, que analisará o pedido da Polícia Federal para eventual instauração de inquérito. A partir daí, poderão ser realizadas diligências destinadas a esclarecer a origem, a movimentação e a finalidade dos recursos.
Até que esses elementos sejam produzidos e analisados pelas autoridades competentes, o episódio deve ser tratado como apreensão de valores seguida de investigação, e não como condenação ou comprovação de crime.
A Folha do Estado SC continuará acompanhando o caso e atualizará a reportagem à medida que forem divulgados novos documentos, decisões judiciais, manifestações da Polícia Federal ou esclarecimentos da defesa do parlamentar.
José Santana, jornalista MTB:3982/SC | graduado em Gestão Pública e pós-graduando em Direito Constitucional. Editor-chefe Folha do Estado SC.























