Gaúcha de Porto Alegre, Solange Fogliatta carrega na essência a força de quem recomeçou. Após o falecimento do marido, decidiu dar um novo rumo à própria história e escolheu recomeçar em Porto Belo.
Mas essa escolha não foi por acaso. Em uma passagem anterior pela cidade, ela já havia se encantado. A conexão foi imediata. E foi justamente esse sentimento que a fez voltar, decidida a construir uma nova fase em um lugar que já fazia sentido para ela.
O que era para ser um recomeço se transformou em construção de legado.
Artesã por vocação, Dona Solange é daquelas profissionais que trabalham com as mãos, mas, principalmente, com a mente e o coração. Cada peça carrega intenção, história e sensibilidade. Há 35 anos, ela vive o artesanato com intensidade. Uma trajetória que começou com a pintura em porcelana, evoluiu para as telas e hoje transita com naturalidade entre diferentes formas de expressão.
“Eu gosto de tudo o que faço”, resume, com a simplicidade de quem encontrou propósito no próprio fazer.
No ateliê, os quadros chamam atenção. Coloridos, detalhados, cheios de identidade. Mas, por trás de cada obra, existe disciplina, dedicação e um olhar apurado para transformar ideias em matéria.
Mas o impacto de Dona Solange não parou na criação artística.
Ela foi peça-chave na valorização do artesanato local. Fundadora da Associação dos Artesãos de Porto Belo, ajudou a tirar o trabalho dos bastidores e levá-lo para a praça, aproximando artistas da comunidade e fortalecendo o empreendedorismo na cidade. Foi também responsável pela primeira Casa do Artesão, inaugurada nos anos 2000, um marco para o setor.
De encontros simples entre amigos a feiras que cresceram e passaram a atrair pessoas de diferentes regiões, Dona Solange participou diretamente da construção desse movimento que hoje faz parte da identidade local.
E se a arte já seria suficiente para marcar uma vida, Dona Solange foi além. Foi dela a iniciativa que deu origem ao Carnaval de Porto Belo.
Em 2001, movida pela saudade da tradição que conhecia no Sul, decidiu agir. Com criatividade e coragem, reuniu pessoas, produziu máscaras artesanalmente e organizou o primeiro desfile. Ela conseguiu um caminhão emprestado de uma empresa, enfeitou tudo e saiu do bairro Balneário Perequê, percorrendo a cidade até a praça. No caminho, algo simbólico aconteceu: as pessoas começaram a seguir. E ali, sem grandes estruturas, nascia uma das manifestações culturais mais importantes do município.
O que hoje é festa consolidada começou com uma ideia, algumas mãos dispostas e muita vontade de fazer acontecer.
Histórias como a dela não podem se perder. São essas iniciativas, muitas vezes silenciosas, que constroem a identidade de uma cidade. Que unem pessoas, que criam cultura.
Hoje, mesmo sem pular Carnaval como antes, ela segue presente. No ateliê, nas memórias, nas histórias que continuam sendo contadas.
Dona Solange não apenas viveu Porto Belo, ela ajudou a transformar a cidade no que ela é hoje.
E como reconhecimento por toda essa trajetória, Dona Solange será a empreendedora homenageada no 2º evento do grupo Pérolas Mulheres Empreendedoras, que acontece no dia 10 de abril. Uma celebração mais do que merecida para quem construiu tanto com as próprias mãos e com o coração.
Por Paola Klug






























