EDITORIAL: ENTRE VOZES E MUROS – EPISÓDIO V

QUANDO O DIREITO CALA: A CONSTITUIÇÃO ENTRA EM ESTADO DE ALERTA

Neste editorial da série “Entre Vozes e Muros”, José Santana analisa como o silêncio jurídico e a manipulação da Constituição fragilizam o Estado de Direito e abrem caminho para retrocessos democráticos.

Recapitulando os episódios anteriores:

Episódio I – O Fanatismo e a Morte do Diálogo

Como a lógica de “nós contra eles” destrói as pontes do debate democrático.

Episódio II – A Empatia como Ferramenta Política

Como a escuta ativa pode ser um ato de resistência e transformação.

Episódio III – Quando a Democracia Fica Frágil

Como o extremismo abre espaço para o autoritarismo institucional.

Episódio IV – Fake News e o Silêncio da Verdade

Como a desinformação alimenta a radicalização e enfraquece a democracia.

Quando a Constituição é usada para justificar o injustificável

A Constituição é a carta de compromissos de uma nação com a dignidade, a liberdade e a justiça.

Mas quando o Direito se omite – seja por conveniência política, seja por manipulação institucional – ele deixa de proteger. Vira ferramenta de legitimação do autoritarismo.

ISSO ACONTECE QUANDO:

✔️ Reformas desmontam direitos em nome da “modernização”;

✔️ Poderes públicos são usados como instrumentos de perseguição;

✔️ Interpretações seletivas da Constituição servem a interesses de ocasião;

✔️ Garantias fundamentais são relativizadas sob o pretexto de “segurança”.

O Estado de Direito em estado de alerta

O mais perigoso ataque à democracia é o que acontece sem alarde, por dentro do sistema.

As leis continuam de pé. As eleições acontecem. Mas a essência democrática vai sendo drenada por dentro.

Vemos esse fenômeno em diversas partes do mundo:

Nos EUA, decisões judiciais restringem direitos civis sob pretextos morais e políticos.

No Brasil, reformas enfraquecem direitos trabalhistas, ambientais e sociais.

Em Israel, Hungria e Polônia, populismos autoritários alteram as bases constitucionais para concentrar poder.

O Direito como trincheira de resistência

O Direito não deve servir ao poder – deve limitá-lo.

Advogados, juristas, estudantes, professores e cidadãos devem se posicionar na defesa intransigente da Constituição como instrumento de equilíbrio, liberdade e cidadania.

O silêncio do Direito, hoje, pode ser o ruído do autoritarismo amanhã.

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Por José Santana – Especial para o Folha do Estado SC

 

Redação
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