Editorial: O PPA de Itapema e a responsabilidade que faltou a uma parte do Legislativo Municipal

Votação inadequada obrigou a presidente Zulma a proferir voto de ‘Minerva’

A recente votação do Plano Plurianual (PPA) de Itapema expôs, mais uma vez, como parte do nosso Legislativo ainda não compreendeu a grandeza de sua missão. O PPA não é uma lei comum: é o instrumento estratégico de médio prazo que define as prioridades de investimento e políticas públicas do município pelos próximos quatro anos. É nele que se estabelece o rumo para a saúde, educação, infraestrutura e assistência social.

Por isso, deveria ser tratado com responsabilidade institucional. Entretanto, a postura dos vereadores que votaram contra o PPA – não por divergências técnicas ou por apresentar alternativas consistentes, mas em gesto político – demonstra um desrespeito direto aos interesses da população.

O PPA também funciona como ferramenta de transparência e controle, permitindo que a sociedade e os órgãos de fiscalização acompanhem como os recursos públicos serão aplicados e quais resultados são esperados. Quando a disputa partidária se sobrepõe ao planejamento estratégico, quem perde não é o governo, mas os cidadãos, que ficam sujeitos à instabilidade, incertezas e à paralisia administrativa. O voto contrário, nesse caso, não cumpriu função de aprimoramento, mas serviu à obstrução política, esvaziando o verdadeiro propósito do debate.

A aprovação do plano só foi possível graças ao voto de minerva da presidente Zulma de Souza, que cumpriu seu papel institucional e evitou que Itapema ficasse sem um norte orçamentário até 2029. No entanto, não é aceitável que metade da Câmara rejeite, por conveniência política, um instrumento que deveria unir e não dividir.

O PPA é essencial porque garante planejamento, continuidade, transparência e alinhamento entre prioridades e orçamento, evitando decisões improvisadas e fortalecendo a governabilidade. Sem essa “guia mestra”, os investimentos seriam conduzidos como um barco à vela sem mastro.

O desafio que se impõe agora é transformar este PPA, aprovado sob tensão e com uma base fragilizada, em um projeto de cidade, capaz de resistir às disputas políticas e assegurar que Itapema continue avançando. Planejamento não é pauta de oposição ou de governo: é pauta de futuro.

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Da redação

Redação
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