Editorial: Senador Catarinense propõe nova troca nas placas de veículos

Esperidião Amin levanta o debate que vai muito além de estética ou identidade regional

O projeto do senador Esperidião Amin que propõe a mudança no modelo das placas veiculares no Brasil levanta um debate que vai muito além de estética ou identidade regional. Trata-se, na prática, de uma discussão sobre prioridades e, sobretudo, sobre coerência administrativa em um país que ainda luta para modernizar sua gestão pública.

A ideia de resgatar informações como cidade e estado nas placas pode até soar simpática à primeira vista. Há, de fato, um apelo emocional e cultural nisso. Durante décadas, os brasileiros se acostumaram a identificar a origem de um veículo com um simples olhar. Era quase um traço de identidade, uma marca silenciosa de pertencimento.

Mas é preciso dizer com clareza: esse tipo de argumento, por si só, não sustenta uma mudança estrutural.

O Brasil adotou o padrão Mercosul com o objetivo de integrar sistemas, modernizar o controle e alinhar-se a tecnologias mais eficientes de fiscalização. Voltar atrás, ainda que parcialmente, passa a impressão de um país que avança aos tropeços, que muda regras sem consolidar as anteriores, o que poderia gerar insegurança e custos desnecessários.

E aqui está o ponto central: o custo. Toda a alteração no sistema de placas, ainda que gradual, inevitavelmente recai sobre o bolso do cidadão. Em um cenário econômico ainda desafiador, discutir a troca de placas parece, no mínimo, deslocado das reais necessidades da população.

Além disso, o argumento da segurança pública não se sustenta com a mesma força que se tenta atribuir. Hoje, sistemas eletrônicos, câmeras inteligentes e bancos de dados integrados já permitem a identificação completa de qualquer veículo em questão de segundos. A tecnologia superou, há muito tempo, a dependência da leitura visual humana.

Portanto, insistir nesse retorno pode ser interpretado como um olhar voltado para o retrovisor, mas não para o caminho à frente.

Isso não significa desmerecer a iniciativa legislativa ou o direito do senador de propor melhorias. O Parlamento existe justamente para isso. No entanto, é fundamental que propostas dessa natureza estejam alinhadas com as demandas mais urgentes do país, evitando medidas que, embora bem-intencionadas, tragam mais impacto simbólico do que resultados concretos.

O Brasil precisa avançar, e avançar com consistência. Trocar placas, neste momento, parece muito mais uma mudança de aparência do que uma solução real.

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Da Redação

Folha do Estado de SC

 

Redação
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