Gaeco desmonta suposto esquema de “rachadinha” em SC; investigação atinge Navegantes e expõe mecanismo de desvio

Operação “Bolso Duplo” revela estrutura organizada com repasse ilegal de salários; apuração tem origem em Santa Cecília e não vincula servidores do Município nem da Câmara de Vereadores de Navegantes.

Esclarecimento:
Em relação à atuação em Navegantes, segundo o Ministério Público, é importante destacar que, até esta fase da investigação, não há indicação de que a origem da apuração conduzida pelo GAECO esteja vinculada ao Poder Executivo ou ao Poder Legislativo municipal.

Leia nota de esclarecimente:  link: https://folhadoestadosc.com.br/nota-de-esclarecimento-gaeco-desmonta-esquema-de-rachadinha-em-sc-invstigacao-atinge-navegantes-e-espoe-mecanismo-de-desvio/

Operação “Bolso Duplo” revela estrutura organizada com repasse ilegal de salários; silêncio da Câmara de Navegantes amplia crise política

Por José Santana

O Ministério Público de Santa Catarina, por meio do GAECO, deflagrou nesta terça-feira (31) a Operação “Bolso Duplo”, expondo um suposto esquema estruturado de “rachadinha” com ramificações em diferentes municípios catarinenses.

Conforme a Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Santa Cecília, Balneário Camboriú e Navegantes, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina em razão da prerrogativa de foro de um dos investigados.

A investigação apura crimes contra a administração pública ligados à prática de “rachadinha”, mecanismo no qual parte dos salários de servidores é desviada para agentes políticos.

Esquema teria origem em caso de nepotismo

De acordo com a nota oficial, o ponto de partida da investigação ocorreu em 2025, quando a Promotoria de Justiça da Comarca de Santa Cecília identificou um caso de nepotismo e instaurou um inquérito civil, recomendando a exoneração da servidora envolvida.

Após a exoneração, segundo o Ministério Público, o esquema teria evoluído: um novo servidor nomeado passou a repassar parte da remuneração a um dos investigados, com a anuência do chefe do Executivo local.

O modelo, segundo os investigadores, não apenas se manteve, como passou a operar de forma estruturada, indicando possível organização criminosa.

“Bolso duplo”: salário oficial e desvio oculto

A própria denominação da operação revela o núcleo do esquema. Conforme o Ministério Público de Santa Catarina, o nome “Bolso Duplo” simboliza a existência de dois fluxos financeiros:

  • Um formal, registrado em contracheque, simulando legalidade
  • Outro paralelo e oculto, com retorno ilícito de parte dos valores

Na prática, o servidor recebia o salário integral no papel, mas parte desse valor era desviada de forma clandestina, alimentando um sistema oculto de repasses.

 Navegantes entra no radar e eleva pressão política

A inclusão de Navegantes entre os alvos da operação amplia o impacto institucional e político do caso na região.

Durante as diligências, foram apreendidos materiais considerados estratégicos para a investigação, que serão submetidos à análise da Polícia Científica para emissão de laudos periciais.

O GAECO informou que essas evidências serão utilizadas para:

  • Identificar outros envolvidos
  • Mapear a extensão do esquema
  • Verificar a existência de uma rede criminosa mais ampla

 Câmara de Navegantes mantém silêncio

Apesar da gravidade dos fatos e da repercussão da operação, não houve, até o momento, qualquer manifestação oficial da Câmara de Vereadores de Navegantes.

A ausência de posicionamento institucional diante de uma investigação conduzida pelo GAECO reforça o clima de tensão e levanta questionamentos sobre transparência e responsabilidade pública.

Investigação sob sigilo

O Ministério Público de Santa Catarina destacou que a investigação tramita sob sigilo, e que novas informações serão divulgadas à medida que houver autorização judicial para publicidade dos autos.

Força-tarefa

O GAECO atua como força-tarefa integrada, reunindo:

  • Polícia Civil
  • Polícia Militar
  • Polícia Penal
  • Receita Estadual
  • Corpo de Bombeiros Militar

com foco na repressão a organizações criminosas.

A Operação “Bolso Duplo” não apenas revela indícios de desvio de recursos públicos, mas expõe um possível mecanismo institucionalizado de apropriação indevida de salários dentro da estrutura pública.

Enquanto o Ministério Público de Santa Catarina avança na apuração, o silêncio da Câmara de Navegantes transforma-se em elemento político relevante, ampliando a pressão por respostas diante de um caso que pode ter desdobramentos profundos no cenário regional.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social do Ministério Público de Santa Catarina

Redação
Redaçãohttps://www.instagram.com/folhadoestadosc/
Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Ultima notícia
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
[bws_pdfprint display='pdf']
Related News

Isso vai fechar em 0 segundos