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Histórico de vida: O que pode vir a ser?

Tenho uma amiga de infância que conheci na vida adulta

Como assim? É que a nossa conexão parece vir tão de antigamente que é como se ela sempre tivesse estado na minha caminhada. A gente divide tantos pensamentos, questões e desafios em comum que é como encontrar alguém que entende seus sentimentos mais complexos. Dia desses começamos a falar sobre momentos difíceis das nossas infâncias. Ela, sobre a separação dos pais. Eu, sobre um período em que passei muito tempo sozinha. 

Depois de me ouvir contar o que já vivi e conhecendo quem eu sou hoje, ela disse algo como “você poderia se vitimizar e dizer ‘olha o que a vida fez comigo’, mas você prefere mostrar o que há de bonito na vida”. E eu me comovi. Acho que foi uma das primeiras vezes em que pensei: “Realmente. Sabe que é mesmo?”. E devolvi o elogio para esta minha amiga-irmã, porque ela também se fez a partir do seu próprio caminhar, e não dos passos que as circunstâncias teriam lhe determinado. 

Essa conversa me lembrou a leitura do livro ‘Em Busca de Sentido’, do psiquiatra austríaco Viktor Frankl, que teve uma das histórias mais comoventes que eu já ouvi. Viktor sobreviveu a campos de concentração nazistas, onde perdeu os pais, a esposa grávida e os irmãos.  Saiu de lá pesando menos de quarenta quilos, em condições extremamente debilitadas. A partir da sua própria vivência, Frankl desenvolveu uma abordagem psicoterapêutica chamada ‘logoterapia’, focada na busca pelo sentido da vida como a principal força motivadora do ser humano.

Eu não consigo nem imaginar o que deve ter sido a vida de Frankl. E a verdade é que, por muito menos, fadamos a nossa própria história ao fracasso, ao desânimo e à falta de perspectivas. Pensamentos como, “Isso não deveria ter me acontecido”, ou “As coisas não deviam ser assim”, nos impedem de realmente aceitar a vida como ela é. Claro, eu posso não estar gostando, mas não posso viver em lamento, porque isso retira toda a potência que ainda me habita, para construir uma realidade com mais significado. 

O poder de escolha, enfim, é sempre nosso. Para Frankl, essa é a grande liberdade. Não o que, mas como encaramos aquilo, qual significado atribuímos. E, na minha visão, como subvertemos o nosso “destino” dando exatamente “a volta por cima”. Também me lembrei de um poema da Cora Coralina que tenho anotado em vários de meus cadernos: “Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras, ah! e faz doces, Recomeça.” Ela, inclusive, publicou seu primeiro livro aos 75 anos. Mas desde menina vivia em estado de graça com a poesia. 

No fim, a conversa com a minha amiga – e esta, que estou tendo com você – não é sobre o que nos aconteceu. Mas sobre tudo o que ainda pode vir a ser. A partir do sentido que você escolher dar. Sou dessas pessoas que acham que a vida é bonita, que o Universo coopera comigo e que tudo me traz um aprendizado. Se é o jeito certo ou não, honestamente pouco me importa. 

Porque hoje eu sei que o meu mundo muda a partir de como eu decido enxergá-lo.

Por isso desejo uma semana bonita e cheia de significado pra você!

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Texto: Débora Zanelato

Foto: Ilustração

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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