Painel “Vozes da Política” foi realizado após gravação e debateu credibilidade, combate à desinformação e os bastidores do jornalismo legislativo

Na manhã desta sexta-feira (31/07), o plenário da Câmara de Vereadores de Joinville foi palco de um momento histórico para a comunicação pública da cidade. Em celebração aos 91 anos do programa de rádio mais antigo em atividade no Brasil, foi gravada uma edição especial do Jornal Câmara dos Deputados, espaço que a Casa Federal tem dentro de “A Voz do Brasil”, diretamente da sede do Legislativo joinvilense.
A gravação inédita é fruto de uma cooperação técnica entre as equipes de Brasília e de Joinville e teve como público jornalistas, estudantes de jornalismo, radialistas, parlamentares, assessores e munícipes que depois da gravação acompanharam o painel “Vozes da Política”. Esse encontro promoveu reflexões sobre rotinas de cobertura política, memória afetiva com o rádio e desafios da imparcialidade em tempos de polarização e redes sociais.
A gravação da edição especial de A Voz do Brasil contou com o jornalista Felipe Faria, da equipe de jornalismo da Câmara de Joinville, na coancoragem ao lado de Marcio Achilles Sardi, da equipe federal de comunicação, simbolizando a união entre a produção nacional e a municipal. O programa irá ao ar na próxima segunda-feira (3 de agosto), a partir das 19h.
VOZES DA POLÍTICA
O painel de discussões foi conduzido pelo apresentador Carlos Henrique Braga, que provocou os convidados a resgatarem suas memórias com o veículo e a analisarem os desafios contemporâneos da profissão.
No debate, o âncora de A Voz do Brasil, Marcio Achilles Sardi, com duas décadas de atuação no programa, detalhou o funcionamento rigoroso da produção em Brasília. Sardi explicou que a divisão do tempo entre os poderes segue regras rígidas de isenção, como a veiculação dos discursos dos parlamentares por ordem estrita de fala no plenário, sem favorecimentos partidários. O jornalista também relembrou o valor humano do veículo, citando sua infância no interior do Paraná ao lado do avô ouvindo o programa.
A diretora da Rádio Câmara, Verônica Lima, reforçou que o rádio permanece vivo justamente por ser construído sobre afeto e conexões humanas. Verônica enfatizou a importância da complementaridade entre veículos públicos, estatais e privados. “Eu aposto que o rádio não vai morrer, mesmo com toda a inteligência artificial, justamente porque ele é humano, porque ele é afeto. A gente cria vínculos com as pessoas que estão conversando com a gente”, afirmou.
A relação entre veículos comerciais, fontes e o ambiente político polarizado ocupou grande parte do tempo no painel. Sérgio Silva, da rádio Massa FM e do portal Aconteceu em Joinville, falou de sua nostalgia da rádio AM e compartilhou sua experiência de transição entre a vida pública e a imprensa.
Por sua vez, o jornalista Marco Aurélio Braga, da rádio 89 FM, refletiu sobre as transformações do ecossistema informacional nos últimos anos, sintetizando o momento atual: “Dormi em 2012 como jornalista e acordei em 2026 em um ambiente extremamente hostil e polarizado”. Braga alertou para a importância do estudo dos documentos e sessões pelos comunicadores, citando o lema de que “quando não há informação, sobra apenas opinião”.
O jornalista Fernando Gonçalves, da NDFM, argumentou que o compromisso do repórter é informar bem para que o ouvinte forme sua própria opinião, orientando os estudantes de jornalismo presentes: “O foco deve ser ouvir com atenção a resposta da primeira pergunta antes de pensar na segunda”.
O radialista Dom Schiavi, da Jovem Pan Joinville abordou a pressão do público em rádios comerciais diante da polarização e defendeu o cultivo de fontes em ambientes informais para entender os bastidores locais.
E o jornalista Upiara Boschi, do SCC SBT e do portal Upiara, criticou a atuação de agências de checagem automatizadas e pontuou que o “fato puro” é inalcançável isoladamente. “A verdade no jornalismo é construída a partir da soma de visões complementares com base em confiança mútua”, ressaltou.
VOZ DA COMUNIDADE
O evento também abriu espaço para a participação do público e dos representantes da sociedade civil. O vereador Henrique Deckman (MDB), por exemplo, expressou a preocupação do meio político com a proliferação de notícias falsas e pediu mais debates que tragam clareza e didática a temas complexos da gestão pública, como o funcionamento de emendas parlamentares.
Emocionada, a ouvinte Mirna relatou que seu despertar para a cidadania ocorreu ainda na infância acompanhando as transmissões de rádio em família, elogiando a seriedade histórica do jornalismo público.
Já o estudante de jornalismo e radialista Edilson Alves destacou a resiliência necessária para atuar na área nos dias de hoje: “Quem escolhe o jornalismo por amor precisa ter ‘costas grossas’ para suportar as críticas de todos os lados, mantendo o compromisso inegociável com a verdade e a credibilidade”.
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Texto: Jornalismo/CVJ
Foto: Mauro Artur Schlieck (CVJ)






















