Encontro alusivo ao Dia Mundial de Conscientização e Enfrentamento ao problema
Em reunião extraordinária realizada nesta segunda-feira (25), a Comissão de Saúde reuniu representantes da secretaria de Saúde, associações e pacientes para discutir os avanços e desafios no atendimento a pessoas com fibromialgia, fadiga crônica e dor crônica. O encontro, alusivo ao Dia Mundial de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia, focou na necessidade de ampliação das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics) e na viabilidade de um centro especializado para tratamento da dor.
Entre as demandas apresentadas no encontro, representantes de associações expressaram preocupações urgentes sobre a efetividade das leis vigentes. Pela Associação Nacional de Fibromiálgicos (Anfibro), Flávia Mesquita criticou o que chamou de “abandono” e “desorganização assistencial”, afirmando que a legislação nacional de proteção aos fibromiálgicos (Lei Federal 15.176/2025) ainda não é plenamente aplicada na prática em Joinville. Segundo ela, há uma carência de capacitação profissional, uma vez que muitos atendentes da rede básica desconhecem conceitos fundamentais da condição.
Representante da Associação Catarinense de Portadores de Fibromialgia, Adilson Silva reforçou a pressa de quem convive com dores diárias e defendeu a criação imediata de um Centro de Dor em Joinville. Ele destacou que o centro é essencial para centralizar o tratamento e sugeriu a busca de recursos federais e estaduais para tirar o projeto do papel.
PANORAMA DA REDE
Representantes da Secretaria de Saúde apresentaram dados sobre a evolução do atendimento. Atualmente, de acordo com a pasta, Joinville registra um total de 4.043 usuários diagnosticados com fibromialgia na rede municipal, sendo que 809 novos casos foram registrados apenas em 2025.
ENTRE OS PONTOS DESTACADOS PELA SECRETARIA ESTÃO:
- Linha de Cuidado: publicada em 2023e em processo de revisão, orienta o fluxo assistencial desde a atenção primária até a especializada;
- Pics: já instituídas em 22 unidades de saúde, oferecendo modalidades como acupuntura, reiki, meditação e auriculoterapia;
- Diagnóstico: o diagnóstico é clínico e pode ser realizado por médicos das Unidades Básicas de Saúde (UBS), que já estão autorizados a emitir laudos para a obtenção da carteira de prioridade.
A Secretaria reconheceu que a cobertura das Pics ainda não é total e anunciou planos para a expansão da capacitação profissional no segundo semestre de 2026 para abranger mais unidades.
FUTURO DO ATENDIMENTO
Diante das críticas sobre as longas filas para especialistas que, segundo relatos, podem ultrapassar dois anos, a Comissão de Saúde definiu como principal encaminhamento a investigação formal e o planejamento de um Centro de Tratamento da Dor em Joinville. O vereador Pastor Ascendino Batista (PSD), que preside a comissão, propôs que Joinville busque inspiração no modelo de Criciúma, que possui um ambulatório de atenção à pessoa com fibromialgia, mantido entre Prefeitura e a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc).
A Comissão deverá deliberar nos próximos encontros para que a Secretaria de Saúde de Joinville apresente um plano de ação, a curto e médio prazo, que inclua cronogramas para a implementação desse centro e a melhoria dos fluxos de atendimento.
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Texto: Jornalismo/CVJ
Foto: Divulgação/CVJ




























