O presidente enfatizou que em abril será discutido com mais seriedade o papel da empresa perante a sociedade brasileira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta-feira (2), em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo da BandNews FM, que o governo terá “o controle” da Petrobrás em abril, quando serão aprovados os novos membros do Conselho de Administração da estatal.
A declaração é uma referência à assembleia geral de acionistas, marcada para o dia 27 de abril, quando Jean Paul Prates deve ser confirmado no cargo de presidente da estatal e serão aprovados novos nomes para o Conselho de Administração da companhia. A partir disso, será possível posteriormente aprovar a composição da diretoria. Lula também criticou a distribuição de R$ 215,8 bilhões em dividendos aos acionistas majoritários e afirmou que a empresa precisa investir para não ficar ultrapassada.
Segundo Lula, a petroleira precisa ser “pensada” enquanto indústria de interesse estratégico no Brasil. Ele acrescentou que, na sua visão, não há intervenção na estatal, e sim “interesse do povo brasileiro”. Lula argumentou que, se não houvesse foco em pesquisa, o pré-sal não teria sido descoberto.
MAS TEM QUEM NÃO QUER

Lula versus Globo
A Globo pressiona Lula a manter Petrobrás como vaca leiteira dos minoritários e ameaça o presidente. Estatal vem sendo usada para retirar recursos da sociedade e transferi-los a seus acionistas privados desde a saída da ex-presidente Dilma Rousseff.
O jornal O Globo, da família Marinho, publicou editorial nesta sexta-feira, em que pressiona o governo Lula a manter a política implantada após o golpe de estado de 2016 para sugar recursos do povo brasileiro e transferi-lo aos acionistas minoritários da Petrobrás, na forma de dividendos escandalosos. Isso se dá pela cobrança de preços abusivos nos derivados de petróleo, como a gasolina e o gás de cozinha, e o pagamento de todo o resultado da Petrobrás a seus acionistas, sem que praticamente nada seja investido no Brasil. Isso sem falar na liquidação de ativos estratégicos da empresa.
“Agora, em nova investida à moda Dilma, Lula tenta intervir no preço dos combustíveis. No discurso, o governo critica o lucro recorde da Petrobras — R$ 188 bilhões em 2022 — e diz que os brasileiros ficam à mercê das flutuações no preço do barril de petróleo. A solução proposta é retirar dinheiro dos acionistas da empresa para beneficiar o ‘povo'”, escreve o editorialista, colocando o povo como uma abstração aspeada.
“O preço do petróleo é ditado pelo mercado internacional. O resultado astronômico da Petrobras é circunstancial. Decorre da alta que se seguiu à retomada da pandemia e à guerra na Ucrânia. Assim como não faz sentido a empresa recorrer ao Tesouro em anos ruins, o governo não deveria intervir na política de preços em anos bons, para não desvalorizá-la no mercado acionário nem prejudicar sua capacidade de investimento”, prossegue o editorialista, que busca apenas apontar razões para que os brasileiros sigam sendo assaltados pela empresa petroleira.
“Lula ainda tem tempo para mudar de rumo. Mas é bom não demorar, do contrário sua adesão ao ideário dilmista se fará sentir não apenas nos indicadores econômicos, mas também em sua popularidade”, ameaça a Globo, sinalizando que pode romper a lua de mel com o presidente.
OBS: Veículo se coloca contra o país ao publicar este editorial…
























