São pré-estreias, mostras temáticas e competitivas que celebram a memória do cinema brasileiro
Programação da Mostra de Cinema de Ouro Preto reúne obras históricas, filmes contemporâneos em pré-estreia nacional, cópias restauradas e produções voltadas à educação; diversos títulos dialogam com o conceito desta edição – “Um país existe nas imagens que preserva”. Todas as sessões são gratuitas e acontecem em três espaços da cidade, incluindo a Praça Tiradentes, com exibição a céu aberto.
A 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, que acontece entre os dias 25 e 30 de junho de 2026, vai contar, nos seis dias de realização, com uma seleção de filmes a atravessar diferentes tempos, formatos e experiências, mantendo a característica do evento de tratar o audiovisual como patrimônio. Filmes históricos, produções contemporâneas, obras restauradas, trabalhos realizados em contextos educativos e títulos infantojuvenis compõem a seleção e ajudam a construir um panorama de reafirmação do cinema como instrumento de formação e memória. As sessões dialogam diretamente com as três temáticas que norteiam a CineOP: História, Preservação e Educação.
As sessões acontecem em três espaços principais: o Centro de Artes e Convenções da UFOP, sede do evento e do Cine-Teatro Petrobras (510 lugares); a Praça Tiradentes, com o Cine-Praça (500 lugares), destinado à abertura, ao encerramento e às exibições ao ar livre; e o Cine-Museu (90 lugares), instalado no Anexo do Museu da Inconfidência. Parte da programação também poderá ser acompanhada gratuitamente pela plataforma www.cineop.com.br. São, ao todo, 135 filmes, sendo 33 longas, 4 médias e 98 curtas divididos em 42 sessões.
A programação reúne filmes de 18 estados brasileiros e de seis países, reafirmando seu papel como espaço de encontro entre diferentes territórios, olhares e cinematografias. Entre os estados representados, destacam-se Rio de Janeiro (29 filmes), São Paulo (21), Minas Gerais (12) e Pernambuco (5), além de produções da Bahia, Paraná, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Alagoas, Goiás, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. A programação também inclui obras da Argentina, Colômbia, Uruguai, Bolívia, Estados Unidos e Alemanha.
MOSTRA COMPETITIVA CONTEMPORÂNEA
Pelo segundo ano consecutivo, a CineOP realiza a Mostra Competitiva Contemporânea, intitulada Arquivos em Questão. A seleção reúne cinco longas-metragens em pré-estreia nacional selecionados pelos curadores Cleber Eduardo e Juliana Gusman por compartilharem o uso criativo de imagens de arquivo como elemento estruturador de novas possibilidades de linguagem, estruturação e narrativa. Nestes filmes, os arquivos extrapolam serem registros do passado e aparecem como matéria estética, política e afetiva, com a potência da montagem e da ressignificação.
O júri oficial da mostra Arquivos em Questão vai escolher o melhor filme, que ganha o Troféu Vila Rica, e é formado por Anita Leandro, documentarista e professora de cinema na UFRJ; Gabriela Lima Gomes, professora associada do Departamento de Museologia da Universidade Federal de Ouro Preto, na área de Preservação e Conservação de Bens Culturais; e João Luiz Vieira, professor titular do Departamento de Cinema e Vídeo e do Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (UFF).
A competição é formada pelos seguintes filmes:
– “Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas” (Carlos Adriano, SP): ensaio cinepoético que parte do único registro filmado do escritor Marcel Proust para refletir sobre as possibilidades e impossibilidades de adaptação de sua obra monumental.
– “Apopcalipse Segundo Baby” (Rafael Saar, RJ): documentário que percorre a trajetória de Baby do Brasil desde os Novos Baianos até a carreira solo.
– “Universo Circular – Jocy de Oliveira” (Dácio Pinheiro, RJ) apresenta o percurso artístico da compositora e pioneira da música eletrônica no país, ainda em atividade aos 90 anos.
– “Irritante Prodígio” (Luiza Lindner, SP) investiga os limites entre autobiografia, performance e memória ao revisitar uma infância marcada por longos períodos de internação hospitalar e psiquiátrica.
– “Notas sobre um Desterro” (Gustavo Castro, DF) transforma imagens registradas por uma família brasileiro-palestina na Cisjordânia em uma reflexão sobre deslocamento, colonização e violência.
MOSTRA CONTEMPORÂNEA
Os longas e curtas-metragens em pré-estreia ampliam as discussões sobre memória e trauma, como acontece em “Anistia 79” (Anita Leandro, RJ), que retoma imagens realizadas durante a Conferência Internacional pela Anistia, em Roma, em 1979, e revisita reflexões sobre os crimes da ditadura militar brasileira. “Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, o Documentário” (Paulo Severo, RJ) recupera materiais inéditos das gravações do disco lançado em 1995 e reconstrói um período decisivo da música brasileira. Outro artista representado nos filmes aparece em “Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha” (Luis Abramo e Pedro Rossi, RJ), dedicado ao realizador do clássico “Viagem ao Fim do Mundo” e ao seu projeto de um cinema poético e radical.“As Dores do Mundo – Hyldon” (Emilio Domingos e Felipe David Rodrigues, RJ) e “Vivo 76” (Lírio Ferreira, PE) completam a seleção.
A Mostra Contemporânea da 21ª CineOP apresenta um panorama diverso de obras que exploram imagens e sons de arquivo por meio de documentários, ensaios experimentais, animações e filmes-poema. Os curtas revisitam temas como mineração, patrimônio industrial, memória cinematográfica, figuras marcantes da cultura brasileira, histórias indígenas, relações de trabalho e narrativas históricas silenciadas, propondo novas leituras para materiais preservados ao longo do tempo. Ao combinar pesquisa, invenção estética e reflexão crítica, a mostra reafirma o arquivo audiovisual como matéria viva, capaz de reconfigurar as relações entre passado, presente e futuro.
Entre os curtas, com seleção de Rubens Fabricio Anzolin e Camila Vieira, a seleção inclui “Ouro de Tolo Remix” (Gabriel Afonso, MG), “Terceira Montanha” (Tetsuya Maruyama, RJ/EUA/França), “Cinzenta: Inventários da Chaminé” (Natália Reis, MG) e “Sem Título #11: Um Analecto à Mula” (Carlos Adriano, SP), entre outros.
MOSTRA HISTÓRICA E HOMENAGEM
Com o tema “Como Elas Começaram? Memórias do Primeiro Filme”, a Mostra Histórica percorre diferentes gerações de realizadoras brasileiras e revisita os momentos inaugurais de suas trajetórias.
A seleção reúne obras representativas, como “Feminino Plural” (Vera de Figueiredo, RJ), lançado em 1976; “Mar de Rosas” (Ana Carolina, RJ, 1977); “Que Bom Te Ver Viva” (Lucia Murat, RJ, 1989), que articula depoimentos de ex-presas políticas e ficção para refletir sobre as marcas da ditadura; “Um Céu de Estrelas” (Tata Amaral, SP, 1996), drama de violência doméstica concentrado em uma única noite; e “Um Dia com Jerusa” (Viviane Ferreira, SP, 2020).
A homenagem da 21aCineOP é para a cineasta Helena Solberg, cuja filmografia também ganha destaque. A sessão de abertura, na noite de 25 de junho, apresenta “A Entrevista” (1966), considerado um marco do cinema feminista brasileiro, e “Meio Dia” (1970). Entre os títulos programados na homenagem, está “Carmen Miranda: Bananas IsMy Business” (1995), que procura devolver complexidade à imagem da artista brasileira internacionalizada por Hollywood.
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Texto: Da Asessoria/Cineop





















