PARA ONDE VAI O DINHEIRO DOS IDIOTAS

Por José Santana

Em tempos não tão distantes, a política era diferente, mas os políticos, esses não eram muito diferentes dos que temos hoje. Lembro-me perfeitamente como eram as campanhas na minha cidade lá no interior do Estado. Durante seus mandatos quem vencia uma eleição jogava pesado, e durante as campanhas faziam até o que não deviam pra conquistar voto e preferência do eleitor. Pegavam criancinhas no colo, abraçavam velhinhos, tomavam café na canequinha de alumínio da vovó, etc.

No entanto, havia uma vantagem que hoje não temos, eles faziam tudo com dinheiro recolhido por eles próprios. Tinha alguns que tomavam emprestado, especialmente dos bicheiros, e até de prostitutas e chofer de táxi. Pequenos e grandes empresários também contribuíam. Naqueles tempos também havia chantagem, também havia o tal de toma lá dá cá, com a promessa de favores a quem doasse mais. Mas nada que se compare ao que existe hoje. Cada partido e cada candidato cuidava de suas próprias arrecadações, sem botar a mão no bolso dos eleitores. E o interessante nisso tudo é que mesmo sem verbas públicas, nunca faltou dinheiro para as campanhas.

Porém, o tempo mudou, não é mais o mesmo, já não se fazem eleições como as de outrora, com grandes comícios em cima de caminhões, em ladeiras, praças e logradouros. Depois do tal “horário gratuito de Rádio e TV”, hoje inventaram o tal financiamento público de campanha, através do qual os eleitores têm, obrigatoriamente, de contribuir para a eleição de candidatos dos quais não gostam, dos quais nem conhecem, nunca viram, e de partidos que desprezam. E olha que é uma montanha de dinheiro. Pra se ter uma ideia, agora em 2024 para as eleições municipais a verba eleitoral estipulada deve atingir alguma coisa próxima dos R$ 5 bilhões.

Eu disse (cinco bilhões), enquanto falta dinheiro pra tudo no País. Falta dinheiro pra comprar medicamentos, para as vacinas (tão importantes para nossas crianças, e para adultos também), falta dinheiro para as obras de saneamento, para a educação, a segurança, a limpeza pública, mas não faltará dinheiro pra dar uma boa vida aos candidatos, para que façam suas campanhas sem terem que fazer muita força.

E, como dizia Paulo Gracindo (o Odorico Paraguaçu da novela O Bem Amado), tudo isso, “Forazmente” a gente ter que sustentar os barrigudinhos, agora há outro problema que virou um verdadeiro negócio da China: “a criação de novos partidos”, porque ao serem criados eles participam da divisão dos bilhões destinados às campanhas e sabe-se lá se aplicam tudo para divulgar seus candidatos.

E nós ficamos como verdadeiros babacas, apenas vendo essa gente no olhar com desprezo, sem podermos fazer nada para acabar com essa farra. Mas o pior de tudo é termos que aturá-los pelos próximos quatro anos, sabendo que estarão sempre rindo da nossa cara!

Por José Santana
Jornalista e consultor em Gestão Pública e Empresarial

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NR:O profissional em Gestão pública, pode ocupar cargos em ministérios, secretarias, agências federais e no poder executivo em geral, além de trabalhar em ONGs em grupos empresarias. Também há espaço em fundações e empresas privadas que possuem projetos em parcerias com o poder público.

 

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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