“Nesta manhã de domingo, 21, a poucos meses das eleições gerais, proponho uma reflexão sobre a preocupante escassez de programas de governo robustos na pré-campanha eleitoral. Enquanto a população aguarda respostas para problemas reais, o debate político permanece excessivamente concentrado em ataques, polarização e estratégias de comunicação. É fundamental que os candidatos apresentem soluções concretas para os desafios econômicos, sociais e estruturais do Brasil e de Santa Catarina, permitindo ao eleitor avaliar projetos de futuro e não apenas discursos de ocasião.”
A pré-campanha para os governos estaduais e para a Presidência da República já ocupa espaço nas redes sociais, nos meios de comunicação e nos debates políticos. No entanto, chama a atenção a escassez de propostas concretas para enfrentar os grandes desafios do país. Em vez de discussões sobre reformas estruturantes, responsabilidade fiscal, modernização do Estado e desenvolvimento econômico, o que se observa é uma crescente transformação da política em um espetáculo de acusações, investigações amadoras e exposição permanente da vida alheia.
O eleitor brasileiro merece mais do que candidatos que atuam como investigadores, detetives ou fofoqueiros digitais. A função de um governante não é produzir conteúdo viral, mas apresentar soluções para problemas reais. O país enfrenta desafios gigantescos na previdência, no sistema tributário, na segurança pública, na infraestrutura, na saúde e na educação. Os estados convivem com déficits fiscais, crescimento das despesas obrigatórias e limitações cada vez maiores para investimentos públicos.
Entretanto, pouco se debate sobre ajustes orçamentários, eficiência administrativa, revisão de gastos, reforma do pacto federativo ou mecanismos capazes de garantir maior equilíbrio das contas públicas. Questões fundamentais para o futuro da nação foram substituídas por narrativas superficiais, disputas ideológicas estéreis e escândalos explorados diariamente nas redes sociais.
“Pré-campanha sem projetos: o Brasil e Santa Catarina entre “arapongagens”, fofocagens e a ausência de programas”
A política moderna parece ter descoberto que a indignação gera mais engajamento do que a apresentação de propostas. Como consequência, muitos pré-candidatos preferem dedicar seu tempo a comentar polêmicas, atacar adversários ou promover denúncias, em vez de construir um projeto consistente de governo. O debate público empobrece e o eleitor perde a oportunidade de avaliar quem realmente possui capacidade técnica e visão estratégica para administrar um estado ou o país.
Em Santa Catarina, essa realidade também merece reflexão. O pré-candidato ao Governo do Estado João Rodrigues, do PSD, até o momento não apresentou ao eleitorado um programa de gestão amplamente debatido que estabeleça um contraponto claro às principais políticas públicas da atual administração do governador Jorginho Mello, candidato à reeleição.
Independentemente das preferências partidárias, é inegável que o governo estadual colocou em prática programas que passaram a integrar o debate público catarinense, entre eles o Casa Catarina, voltado à redução do déficit habitacional, e o Bolsa Universidade, destinado a ampliar o acesso ao ensino superior. O que os eleitores esperam daqueles que desejam ocupar o cargo não é apenas a crítica às ações do governo, mas a apresentação de propostas capazes de aprimorá-las ou substituí-las por iniciativas mais eficientes e abrangentes.
A população catarinense precisa conhecer quais são as alternativas apresentadas pelos postulantes ao cargo para enfrentar temas centrais como segurança pública, habitação, mobilidade, educação, saúde e qualificação profissional. Como ampliar a geração de empregos? Como aumentar a renda do trabalhador? Como preparar a mão de obra para as novas demandas da economia? Como fortalecer as forças de segurança e reduzir a criminalidade? Essas são perguntas que exigem respostas concretas.
Infelizmente, grande parte do debate político atual continua concentrada em ataques, acusações e disputas pessoais. O eleitor não procura candidatos especializados em apontar defeitos dos adversários; procura líderes capazes de apresentar soluções para os problemas que afetam a vida cotidiana das famílias.
Governar exige planejamento. Exige compreender finanças públicas, desenvolvimento regional, gestão de pessoas, políticas sociais e investimentos de longo prazo. Não basta apontar erros dos adversários; é necessário apresentar soluções. Não basta identificar problemas; é preciso demonstrar competência para resolvê-los.
O Brasil precisa voltar a discutir projetos de nação. Precisa ouvir dos pré-candidatos quais são suas propostas para gerar empregos, reduzir desigualdades, ampliar investimentos em infraestrutura, fortalecer a educação e garantir sustentabilidade fiscal. Os estados, por sua vez, necessitam de gestores capazes de enfrentar desafios locais com responsabilidade e eficiência, e não de celebridades digitais especializadas em produzir conflitos.
A democracia se fortalece quando o debate político é elevado. Quando os candidatos apresentam ideias, metas e compromissos claros. Quando a disputa eleitoral ocorre em torno de projetos de futuro e não de fofocas do presente.
O eleitor deve exigir mais. Deve cobrar programas de governo, metas mensuráveis e compromissos públicos. Afinal, o destino de milhões de brasileiros não pode ser decidido por quem melhor investiga adversários nas redes sociais, mas por quem demonstra capacidade de liderar, planejar e construir um futuro melhor para o país.

José Santana
Jornalista MTB 3982/SC
Graduado em Gestão Pública e pós-graduando em Direito Constitucional
Editor-Chefe do Folha do Estado SC





















