Reflexões de domingo: Na base da raiva

Conto semanal de Débora Zanelato, Diretora de Conteúdo da Vida Simples

Eu adoro entender o processo criativo de pessoas que eu admiro. É quase como compreender como aquela pessoa se tornou quem ela é a partir de como seu cérebro funciona. Esta semana, comecei um curso sobre processo criativo com uma artista que eu adoro, a Amanda Mol. Já falei sobre ela na Vida Simples aqui 

Dona de uma sensibilidade única, a Amanda é daquelas pessoas realmente guiadas pela intuição, sabe? E por trás daquele sorriso largo e olhar doce, está alguém que sente muita raiva. “Eu já criei muitas coisas na base da raiva, e acho que ela é uma propulsora muito importante”, Amanda contou. E eu achei uma confissão maravilhosa.

A gente tem uma mania de achar que existem emoções boas e emoções ruins. E estas, que a gente não considera tão nobres, costumamos jogar pra debaixo do tapete, em vez de convidá-las para tomar um café. Ou para transformar em arte. Quando Amanda comentou isso, me identifiquei. Por trás do meu rosto também doce, existe uma pessoa que sente muita raiva. Esses dias estive me lembrando de quando, desde pequena, eu era aquela garota inconformada, sabe? Que não aceitava explicações rasas e comportamentos de resignação. Sinto que na raiz da minha raiva está a injustiça. O desejo de que as coisas possam ser diferentes.

Em vez de reprimir a raiva, penso que olhar para o que ela quer nos contar é de uma potência valiosíssima. Bater um papo mesmo, sabe? E usar essa energia bastante propulsora para criar novos desfechos para nós. Seja uma decisão importante, seja um texto, seja uma expressão artística. Sinto que, especialmente para as mulheres, dar espaço para a raiva e sentir o que ela quer te contar é quase como libertar aquela garotinha que foi, desde cedo, domesticada para ser boazinha, nunca contestar, nunca desagradar.

Foi de um momento de muita raiva que eu também tomei decisões transformadoras na minha vida, que talvez eu não tivesse tomado a partir de um pleno estado de alegria.

Por isso, da próxima vez que a raiva te visitar, antes que você se julgue como má, como descontrolada ou desequilibrada, chame essa emoção para se sentar à mesa. Sem vergonha, pergunte o que ela quer te ensinar.

Talvez vire arte. Talvez vire uma decisão importante. Talvez não vire nada. Mas, com certeza, uma parte dentro de você pode se iluminar.

Uma semana de escuta interna pra você!!!

Débora Zanelato (@deborazanelato)

 

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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