Ele também não descarta usar força militar para retomar Canal do Panamá
Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, dá coletiva de imprensa em Mar-a-Lago. — Foto: REUTERS/Carlos Barria.
A duas semanas da posse, o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (7) que vai mudar o nome do Golfo do México para “Golfo da América”. Durante coletiva em Mar-a-Lago, o republicano não descartou o uso militar para tomar o controle do Canal do Panamá ou a Groenlândia e sobre outros temas geopolíticos.
– Nós vamos mudar o nome do Golfo do México para ‘Golfo da América’, que nome bonito. É apropriado porque o México tem um déficit enorme com a gente, e nós fazemos todo o trabalho lá – afirmou Trump. “América” é o jeito como os norte-americanos se referem aos EUA.
Ainda não está claro o que Trump pretende com a fala nem como ocorreria essa mudança de nome. Também não ficou claro se seria apenas o nome que mudaria, ou se faria referência também ao controle da região.
O Golfo do México é o maior golfo do mundo, sendo cercado por terras da América do Norte e da América Central. A região tem uma superfície de aproximadamente 1,55 milhão km², e seu subsolo é rico em petróleo. Além dos EUA, o golfo banha diversos países da América Latina e do Sul.
O republicano reiterou que aplicará “tarifas pesadas” para o México e o Canadá, alegando ser para compensar pelo alto fluxo de drogas entrando nos EUA.
Trump voltou a falar sobre o Canal do Panamá, o qual ele já disse ter a intenção de tomar o controle durante seu governo. O canal é atualmente controlado pelo governo do Panamá, mas já foi dos EUA até 1999. O republicano também não descartou a coerção militar e econômica ao canal ou à Groenlândia.
– O Canal do Panamá foi construído para o Exército dos EUA. Ele é vital ao nosso país e está sendo operado pela China, e estão fazendo uma catástrofe. Dar o canal do Panamá ao Panamá foi um grande erro – afirmou Trump. Não há evidências de que a China controle o Canal do Panamá.
Trump ameaçou mais de uma vez o Hamas, dizendo que “vai abrir as portas do inferno no Oriente Médio” caso os reféns israelenses mantidos pelo grupo terrorista em Gaza não tenham sido libertados até ele assumir o cargo, em 20 de janeiro. Ele já havia utilizado a expressão “all hell to pay”, que pode ser traduzida como “haverá um sério problema” ou “vão pagar caro”.
– Se os reféns não estiverem de volta até o momento em que eu assumir o cargo, o inferno irá se desencadear no Oriente Médio, e isso não será bom para o Hamas e, francamente, não será bom para ninguém – disse o republicano.
O enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, disse nesta terça estar “muito esperançoso” por boas notícias sobre os reféns até a posse de Trump.
Durante a coletiva, Trump voltou a criticar o presidente Joe Biden. Afirmou que Biden “não sabe fazer nada” e que a guerra da Ucrânia não teria ocorrido se ele fosse presidente. O republicano acrescentou que o conflito tem a possibilidade de escalar. Trump também mencionou outros tópicos geopolíticos durante sua coletiva. Veja alguns abaixo:
Criticou os juízes de Nova York, principalmente Juan Merchan, à frente do caso criminal em que ele foi condenado do dinheiro pago à atriz pornô. “Me deram uma ordem de silêncio porque sabem que se ele poderia falar ficaria claro que é um golpe”;
Afirmou estar considerando usar “força econômica” para fundir o Canadá e os EUA, chamando a fronteira de uma “linha artificial” e dizendo que os EUA gastam demais para defender o Canadá e têm um déficit comercial com o país. Ele também declarou que os EUA não deveriam comprar carros ou madeira do Canadá, e que “não precisa” dos produtos do vizinho.
- Afirmou que revogará imediatamente o banimento assinado por Biden nesta semana que proíbe a exploração de petróleo em áreas da costa dos EUA. Prometeu “perdões em massa”, por exemplo no caso dos condenados pela invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. Vai considerar sanções econômicas à Dinamarca por conta da Groenlândia. O país europeu administra a ilha no Atlântico Norte, que Trump quer tomar para os EUA.
- Voltou a criticar a Otan, afirmando que o incentivo financeiro à aliança militar deveria ser 5% do nível atual. Chamou de “falsas” as investigações do agente especial Jack Smith, parte de uma “caça ás bruxas fraudulenta” contra ele. Smith, que desistiu das acusações após a eleição de Trump, foi proibido nesta terça (7) pelo Departamento de Justiça de publicar um relatóriosobre seus achados; Falou que os EUA estão entrando na “Era de ouro”.
- Por Redação g1




























