Vereador e servidora pública protagonizam polêmica após críticas em sessão da Câmara e mensagens em grupo de WhatsApp

Boletim de ocorrência, mensagens em grupo de WhatsApp, ataques pessoais e histórico de decisões judiciais ampliam repercussão envolvendo vereador e servidora pública em Itapema.

ITAPEMA – Uma troca de acusações entre o vereador Saulo Ramos e a servidora pública Marilu Boing, conhecida nas redes sociais como Maike Boing, ganhou repercussão nos últimos dias após a divulgação de mensagens e pronunciamentos relacionados ao episódio.

Segundo Maike Boing, o desentendimento teve início durante uma sessão da Câmara Municipal de Itapema. Ela afirma que, diante da postura do vereador durante os debates, manifestou que o plenário deveria ser um espaço de respeito e observância ao decoro parlamentar.

Dias depois, de acordo com seu relato, o vereador utilizou a tribuna da Câmara para fazer referências públicas a ela, ao seu filho e a outros servidores municipais. A situação ganhou novos contornos após a divulgação de mensagens atribuídas ao parlamentar em um grupo de WhatsApp, contendo críticas pessoais à servidora e comentários sobre sua família.

Em pronunciamento na tribuna, cuja transcrição circula nas redes sociais, o vereador citou nominalmente diversos servidores públicos, mencionando cargos e remunerações. Ao se referir a Marilu Boing, declarou:

“Marilu Boing, vulgo Maike Boing. Essa é profissional. Faz uns 12 anos que está na prefeitura. Sempre foi profissional. Essa aí é tão profissional que o filho até ganhou uns incentivos lá da cultura para tocar um negócio que eu nem sei o que é. Não é arte aquilo. Ou é uma arte abstrata. É um troço muito doido. Muito doido. Alternativo.”

Na mesma manifestação, o parlamentar afirmou que determinados servidores atuariam politicamente em defesa da administração municipal e contra adversários do governo:

“São todos eles funcionários bem obedientes do seu prefeito. Pagos para falar bem do trabalho do prefeito e dos secretários, bem como denegrir a imagem dos adversários políticos dos seus empregadores.”

Para Maike Boing, as manifestações ultrapassaram os limites da crítica política e atingiram sua honra e dignidade pessoal. Ela sustenta que as referências feitas ao seu filho e à sua família não possuem relação com qualquer prática ilegal ou irregular.

Nesta sexta-feira (25), novas mensagens atribuídas ao vereador e divulgadas em grupos de WhatsApp voltaram a repercutir. Em uma das mensagens compartilhadas, Ramos escreveu:

“Bom dia… espero do fundo do coração que você encontre um marido capaz de te aturar e de ser pai para o tetéu… quem sabe assim vc aplaca essa lascívia que sente por mim!”

Na sequência, acrescentou:

“Sinto muito se seu filho é um derrotado! Eu tenho pena de pessoas como vc que cresceram em famílias desestruturadas… eu trabalho para que as pessoas possam ter vidas melhores nesta cidade e assim não se tornem amarguradas e frustradas como vc e seu filho… bom final de semana…”

As declarações ampliaram a repercussão do caso e provocaram reações de apoiadores e críticos do parlamentar nas redes sociais e em grupos de mensagens.

Vereador e servidora pública protagonizam polêmica após críticas em sessão da Câmara e mensagens em grupo de WhatsApp

Após a repercussão do caso, Maike Boing registrou Boletim de Ocorrência junto à Delegacia Virtual da Polícia Civil de Santa Catarina para apuração dos fatos. O registro de boletim de ocorrência sob o protocolo número 0675112/2026-BO-00600.2026.0029444

O episódio também trouxe à tona decisões anteriores envolvendo o vereador. Em outro processo judicial, houve determinação para retirada de conteúdo considerado ofensivo das redes sociais. Além disso, o Comando-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina revogou a autorização de porte de arma de fogo do cabo da reserva remunerada Saulo Salustiano Ramos Neto, conhecido como Policial Ramos, conforme ato administrativo publicado em agosto de 2025.

Paralelamente à repercussão do caso, tramita na Câmara Municipal de Itapema um pedido de cassação do mandato do vereador Saulo Ramos. A representação foi protocolada com base em denúncia que aponta suposta irregularidade relacionada ao painel eletrônico de metadados da Casa Legislativa. Segundo os autores do pedido, os fatos teriam potencial para interferir em procedimentos administrativos e judiciais. A denúncia encontra-se em fase de análise pelo Legislativo municipal, não havendo, até o momento, decisão definitiva sobre o mérito da representação.

Segundo informações obtidas pela reportagem, o vereador também responde a processos nas esferas militar, cível e criminal. Há ainda procedimentos que tramitam sob segredo de justiça na Vara Regional de Garantias de Balneário Camboriú. Em razão do sigilo judicial, o conteúdo desses autos não é de conhecimento público.

O caso gerou amplo debate nas redes sociais e em grupos de mensagens. Enquanto apoiadores do vereador argumentam que agentes públicos estão sujeitos ao escrutínio público e ao debate político, críticos entendem que houve exposição pessoal incompatível com o respeito esperado no ambiente democrático.

Especialistas em direito público observam que a imunidade parlamentar garante aos vereadores ampla liberdade de manifestação no exercício do mandato, especialmente na tribuna legislativa. Contudo, a extensão dessa prerrogativa e seus limites podem ser objeto de análise judicial quando há alegações de ofensa à honra ou abuso da prerrogativa parlamentar.

A reportagem permanece aberta para manifestação do vereador Saulo Ramos e das demais partes citadas.

Reportagem José Santana
Jornalista MTB 3982/SC | pós-graduando em jornalismo investigativo | bacharel em Gestão Pública Administrativa | pós graduado em Direito Administrativo

Fontes da reportagem:

• Mensagens atribuídas ao vereador Saulo Ramos divulgadas em grupos de WhatsApp e apresentadas à reportagem;

• Transcrição do pronunciamento realizado pelo vereador Saulo Ramos na tribuna da Câmara Municipal de Itapema;

• Relato e informações fornecidas por Marilu Boing (Maike Boing);

• Boletim de Ocorrência registrado junto à Delegacia Virtual da Polícia Civil de Santa Catarina, protocolo nº 0675112/2026-BO-00600.2026.0029444;

• Documentos públicos e decisões judiciais relacionados ao vereador citados na reportagem;

• Informações constantes em atos administrativos da Polícia Militar de Santa Catarina referentes à revogação da autorização de porte de arma de fogo do vereador;

• Documentação protocolada na Câmara Municipal de Itapema referente ao pedido de cassação do mandato parlamentar;

• Consulta aos sistemas públicos de acompanhamento processual, respeitados os processos que tramitam sob segredo de justiça.

A reportagem permanece aberta para manifestação do vereador Saulo Ramos e de quaisquer outras partes citadas na matéria.

Fontes da reportagem:

• Mensagens atribuídas ao vereador Saulo Ramos divulgadas em grupos de WhatsApp e apresentadas à reportagem;

• Transcrição do pronunciamento realizado pelo vereador Saulo Ramos na tribuna da Câmara Municipal de Itapema;

• Relato e informações fornecidas por Marilu Boing (Maike Boing);

• Boletim de Ocorrência registrado junto à Delegacia Virtual da Polícia Civil de Santa Catarina, protocolo nº 0675112/2026-BO-00600.2026.0029444;

• Documentos públicos e decisões judiciais relacionados ao vereador citados na reportagem;

• Informações constantes em atos administrativos da Polícia Militar de Santa Catarina referentes à revogação da autorização de porte de arma de fogo do vereador;

• Documentação protocolada na Câmara Municipal de Itapema referente ao pedido de cassação do mandato parlamentar;

• Consulta aos sistemas públicos de acompanhamento processual, respeitados os processos que tramitam sob segredo de justiça.

A reportagem permanece aberta para manifestação do vereador Saulo Ramos e de quaisquer outras partes citadas na matéria.

 

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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