ARTIGO: Geopolítica e Mudanças Globais

Trégua de duas semanas aliviam a tensão, mas isso ainda está longe de terminar

O cenário geopolítico atual é, de fato, marcado por fortes tensões, mudanças de rumo e uma certa imprevisibilidade – mas é importante analisar com equilíbrio e separar percepção política de tendências estruturais mais amplas.

Primeiro, quando mencionamos o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há um consenso entre analistas de que a política externa norte-americana passou por momentos de maior volatilidade e ruptura com padrões tradicionais, especialmente em temas como alianças internacionais, comércio e segurança global. Isso impacta diretamente o equilíbrio geopolítico, pois os EUA ainda são a principal potência mundial.

No caso da Europa, vemos um movimento interessante e mais complexo do que uma simples “ascensão ou queda” da extrema direita:

Na França, Emmanuel Macron conseguiu conter avanços mais radicais, mas enfrenta forte polarização interna.

Na Itália, Giorgia Meloni lidera um governo de direita, porém adotando uma postura mais pragmática agora no poder do que quando em campanha.

Já na Hungria, Viktor Orbán representa um modelo mais consolidado de governo nacionalista e conservador, com forte influência regional. As eleições por lá, que ocorrem no próximo domingo, dia 12 de abril, são observadas com atenção porque podem sinalizar continuidade ou desgaste desse modelo.

Será que há uma mudança geopolítica em curso?

Em termos mais amplos, sim – mas não necessariamente por um único fator ideológico. O que está acontecendo é:

  1. Fragmentação política no Ocidente
    Os países estão mais polarizados internamente, o que enfraquece consensos históricos e torna as políticas externas menos previsíveis.
  2. Reequilíbrio de poder global
    Potências como a China e a Rússia ampliam sua influência, enquanto o Ocidente debate seus próprios rumos.
  3. Nacionalismo vs. globalização
    Há uma tensão crescente entre agendas mais nacionalistas (proteção de fronteiras, soberania econômica) e a lógica globalizada que predominou nas últimas décadas.
  4. Pragmatismo crescente
    Mesmo líderes, inicialmente mais ideológicos, como Giorgia Meloni, tendem a moderar suas ações ao assumir o governo – o que indica que instituições e pressões internacionais ainda funcionam como freios.

CONCLUSÃO

O mundo não está necessariamente caminhando para uma direção única (nem totalmente à direita, nem à esquerda), mas sim para um período de transição e rearranjo de forças. As eleições na Hungria, assim como os resultados recentes em outros países europeus, são peças importantes desse quebra-cabeça – mas a mudança geopolítica é mais profunda e envolve economia, segurança, tecnologia e disputas de influência global.

HUNGRIA: O MODELO DE VIKTOR ORBÁN

Desde que voltou ao poder em 2010, Orbán construiu o que ele próprio chama de “democracia iliberal”. Na prática, isso significa: Fortalecimento do poder executivo; Controle mais rígido sobre instituições e imprensa; Discurso nacionalista e anti-imigração; Defesa de valores tradicionais. A Hungria se tornou uma espécie de laboratório político da direita nacionalista europeia, influenciando movimentos semelhantes em outros países.

Eleições: continuidade ou desgaste?

As eleições húngaras são sempre observadas com atenção porque podem indicar: Manutenção do modelo Orbán, reforçando o bloco conservador europeu; Ou sinais de desgaste interno, especialmente por questões econômicas e relações tensas com a União Europeia. Até agora, Orbán tem demonstrado grande capacidade de se manter no poder, combinando apoio popular com controle institucional.

EUROPA: UM CONTINENTE DIVIDIDO

A Europa hoje não vive uma onda uniforme, mas sim um mosaico político.

FRANÇA: CONTENÇÃO DA EXTREMA DIREITA

Na França, Emmanuel Macron conseguiu barrar avanços mais radicais, mas: O eleitorado segue dividido; A direita nacionalista continua forte e organiz da Ou seja, não houve desaparecimento – apenas contenção momentânea.

ITÁLIA: DIREITA NO PODER, MAS PRAGMÁTICA

Na Itália, Giorgia Meloni chegou ao governo com discurso firme, porém: Moderou posições na política externa; Manteve compromissos com a OTAN e a EU; Adotou postura mais institucional; Isso mostra que governar é diferente de fazer campanha.

ALEMANHA: PRESSÃO CRESCENTE

Na Alemanha, partidos tradicionais enfrentam crescimento de forças mais à direita, impulsionadas por: Crise migratória; Custo de vida; Insatisfação econômica

O QUE ESTÁ EM JOGO GEOPOLÍTICO?

Mais do que ideologia, três fatores estruturais explicam o momento:

1. Segurança e guerra

A guerra envolvendo a Rússia e a Ucrânia reposicionou a Europa:

Reforço da OTAN; Aumento de gastos militares

Dependência estratégica dos EUA;

Orbán, por exemplo, mantém uma postura mais ambígua em relação à Rússia, o que gera atritos.

2. Economia e energia; A Europa enfrenta:

Energia mais cara; Pressões inflacionárias; Necessidade de reindustrialização; Isso alimenta discursos nacionalistas e protecionistas.

3. SOBERANIA VS. INTEGRAÇÃO

Há uma tensão crescente entre: Países que defendem mais integração européia; E governos que querem mais autonomia nacional (caso da Hungria).

EFEITO GLOBAL: MUDANÇA REAL?

Sim – mas gradual. O que estamos vendo não é uma “virada brusca”, e sim: Um enfraquecimento do consenso liberal tradicional; Um aumento do pragmatismo político; E uma multipolaridade crescente.

A Europa continua sendo um ator central, mas já não dita sozinha as regras do jogo global, dividindo espaço com potências como a China.

CONCLUINDO

A eleição na Hungria pode não mudar o mundo sozinha – mas funciona como um termômetro importante: Se Viktor Orbán se mantém forte – reforça o bloco nacionalista; Se houver desgaste – sinaliza possível reequilíbrio; No fundo, o mundo caminha para algo mais complexo: menos previsível, mais fragmentado e com múltiplos centros de poder.

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Por L. Pimentel

Jornalista: Folha do Estado

 

 

 

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