Neste domingo começa a propaganda eleitoral nas ruas e na Internet
À medida que se aproxima uma nova eleição presidencial, o eleitor brasileiro precisa fazer uma pergunta simples, mas fundamental a si mesmo: o que, de fato, cada candidato pretende fazer pelo Brasil? Porque até agora tem candidato que só fala abobrinhas ao invés de apresentar um mínimo projeto para o país.
Não basta falar muito, chorar na frente das câmeras, mentir, e dizer que quer resgatar o país. Não basta ocupar espaços nas redes sociais, conceder entrevistas, fazer críticas aos adversários ou apresentar frases de efeito capazes de provocar aplausos de uma parcela do eleitorado. A Presidência da República não é um palanque permanente. É uma das maiores responsabilidades que um cidadão pode assumir diante de uma nação.
O Brasil precisa de propostas concretas, metas possíveis e, principalmente, de respostas para problemas que há décadas desafiam o país: saúde pública, educação, segurança, infraestrutura, habitação, saneamento, geração de empregos, equilíbrio das contas públicas, redução das desigualdades e crescimento econômico.
É perfeitamente legítimo que um candidato tenha posições firmes, faça críticas e defenda suas convicções. A democracia vive justamente do confronto de ideias. A própria Constituição estabelece que a soberania popular é exercida pelo voto direto e secreto. Mas o eleitor precisa ter condições de avaliar não apenas aquilo que o candidato diz a seu favor ou contra seus adversários, mas também aquilo que ele pretende fazer quando estiver diante da máquina pública, das limitações orçamentárias e da complexidade de governar um país continental.
E aqui está uma questão que merece atenção: prometer é fácil; governar é outra história. Um programa de governo sério precisa explicar de onde virão os recursos, quais serão as prioridades, quais medidas serão tomadas, em quanto tempo poderão produzir resultados e quais obstáculos precisarão ser enfrentados. Um candidato não pode resolver todos os problemas do Brasil apenas com frases de efeito.
O país precisa de planejamento. Precisa saber como aumentar a produtividade, melhorar a qualidade da educação, fortalecer a saúde, combater a criminalidade, ampliar a infraestrutura, garantir segurança jurídica para quem investe e criar condições para que o trabalhador tenha emprego e renda.
Precisa também discutir responsabilidade fiscal. Afinal, todo governo administra dinheiro que pertence à sociedade. Cada promessa tem um custo. Cada programa público precisa ter fonte de financiamento. E cada decisão tomada em Brasília produz consequências na vida de milhões de brasileiros.
Por isso, o eleitor não deveria se deixar impressionar apenas pelo candidato que fala mais alto, que produz mais polêmica ou que consegue dominar as redes sociais. A eleição presidencial precisa ser muito maior do que uma disputa de popularidade.
O próprio Tribunal Superior Eleitoral destaca que a propaganda eleitoral tem justamente entre suas finalidades permitir que o eleitor conheça propostas, mensagens, trajetórias e realizações dos candidatos, contribuindo para uma decisão mais consciente. Em 2026, a propaganda eleitoral geral começa oficialmente neste domingo 16 de agosto, nas ruas e nas redes sociais. Portanto, será importante observar o conteúdo por trás da comunicação que cada candidato levar para o eleitor e para a população como um todo.
E você, já tem pensado nisso? Seu candidato já apresentou um plano mínimo para a economia? Já explicou como pretende equilibrar crescimento e responsabilidade fiscal? Ele tem propostas objetivas para a saúde e a educação? Fala sobre segurança pública além dos slogans? Apresenta soluções para a infraestrutura e para o déficit habitacional? Tem uma política clara para o desenvolvimento regional? Pretende estimular o setor produtivo e, ao mesmo tempo proteger os direitos sociais?
Essas perguntas são muito mais importantes do que saber quem fez a crítica mais contundente ou quem conseguiu o vídeo mais compartilhado. O Brasil já experimentou diferentes modelos de governo e diferentes discursos. Já ouviu promessas grandiosas de todos os lados do espectro político. E a experiência demonstra que administrar uma nação exige muito mais do que capacidade de comunicação. Exige muito preparo, exige equipe, planejamento, equilíbrio e capacidade de transformar propostas em realidade.
Não se trata de exigir que um candidato tenha resposta pronta para absolutamente tudo. Nenhum governante terá. O que o eleitor pode exigir é seriedade, transparência e coerência.
Também não se trata de impedir o debate político. Ao contrário. É justamente no debate que os projetos devem ser confrontados. O candidato deve explicar suas ideias e o eleitor deve ter liberdade para questioná-las. O que não podemos aceitar é transformar uma eleição presidencial em um concurso de quem fala mais. Porque o Brasil não precisa apenas de alguém que saiba falar ao povo. Precisa de alguém íntegro, capaz, decidido, e que não pense em se desfazer de nossas riquezas entregando-as ao exterior. O Brasil precisa de alguém que saiba governar para o povo brasileiro.
No fim das contas, talvez seja essa a grande reflexão que deveria acompanhar cada eleitor até a urna: antes de perguntar quem promete mais, perguntar quem apresenta um caminho mais claro, mais responsável e mais viável para o futuro do Brasil.
O país é grande demais, os problemas são sérios demais e a responsabilidade é pesada demais para que a escolha presidencial seja feita apenas pela emoção do momento.
É hora de ouvir os discursos, sim. Mas, sobretudo, também é hora de procurar conhecer os projetos de cada um dos candidatos. Porque falar pelos cotovelos pode render boas manchetes. Porém, governar exige muito mais do que palavras. Exige competência para transformar palavras em ações e ações em resultados.
——————
Por L. Pimentel
Jornalista: Folha do Estado SC





















