Incrível é que há brasileiros que apóiam interferências internacionais
Nos últimos meses, uma nova discussão surgiu envolvendo o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos que transformou a economia brasileira. Manchetes sugerindo que os Estados Unidos estariam preocupados com o sucesso do sistema levantaram dúvidas e até teorias sobre uma suposta tentativa de controle estrangeiro. Mas, afinal, o que há de verdade nessa história? Para compreender a questão, é necessário voltar alguns anos no tempo.
COMO NASCEU O PIX?
Embora muitas pessoas associem o Pix ao ano de 2020, quando ele foi lançado oficialmente, seus estudos começaram bem antes. O Banco Central passou a discutir um sistema nacional de pagamentos instantâneos ainda em 2016, buscando modernizar as transações financeiras brasileiras. Em 2018 foram definidos os fundamentos técnicos do projeto, após amplo debate com instituições financeiras e especialistas do setor. O objetivo era simples: permitir transferências e pagamentos em segundos, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana, incluindo os dias feriados. Em junho de 2020, o Banco Central instituiu oficialmente a infraestrutura do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), que serviria de base para o Pix. Em novembro daquele mesmo ano, a plataforma entrou em operação nacional.
UMA MUDANÇA HISTÓRICA
O sucesso foi imediato. Antes do Pix, os brasileiros dependiam de TED, DOC, boletos, cartões ou dinheiro em espécie. Muitas operações tinham custos elevados e horários restritos. Com o Pix, qualquer pessoa passou a poder enviar dinheiro em poucos segundos, pagar contas etc., utilizando apenas um número de celular, CPF, e-mail ou chave aleatória. Em pouco tempo, o sistema ultrapassou TEDs, DOCs, boletos e cheques em número de operações. Hoje, o Pix é utilizado por milhões de pessoas, empresas, profissionais autônomos, comerciantes e órgãos públicos. Mais de 170 milhões de brasileiros e outros tantos milhões de empresas já utilizam a ferramenta regularmente.
POR QUE O PIX DEU TÃO CERTO?
Há vários fatores como: Gratuidade para pessoas físicas; Funcionamento ininterrupto; Rapidez nas transações; Facilidade de uso; Redução de custos para empresas; Inclusão financeira de milhões de brasileiros. Especialistas apontam que o Pix ajudou a reduzir a dependência do dinheiro físico e ampliou a concorrência entre instituições financeiras.
A POLÊMICA COM OS ESTADOS UNIDOS
Nos últimos anos, o crescimento impressionante do Pix começou a chamar atenção internacional. Segundo reportagens internacionais, autoridades e empresas norte-americanas passaram a observar com preocupação o impacto do sistema brasileiro sobre os meios tradicionais de pagamento, especialmente aqueles ligados a grandes operadoras privadas de cartões e transferências. Mas é importante esclarecer um ponto: os Estados Unidos não têm qualquer controle sobre o Pix e não podem simplesmente “tomar conta” dele. O sistema pertence ao Banco Central do Brasil e opera dentro da infraestrutura financeira brasileira. Toda a tecnologia, regulamentação e supervisão são nacionais. O que existe é um debate econômico e comercial. Alguns setores norte-americanos argumentam que sistemas públicos como o Pix criam uma concorrência muito forte para empresas privadas de pagamentos. Já o Banco Central brasileiro sustenta que sua função é fornecer uma infraestrutura pública eficiente, segura e acessível para toda a sociedade.
UMA QUESTÃO DE SOBERANIA
Para muitos economistas, o sucesso do Pix representa algo maior do que apenas uma inovação tecnológica. Ele demonstra a capacidade de um país desenvolver sua própria infraestrutura financeira, reduzindo custos para a população e aumentando sua autonomia tecnológica. Essa característica faz com que o sistema seja frequentemente citado ao lado de iniciativas semelhantes adotadas por outras grandes economias emergentes. Por isso, a discussão atual vai além de pagamentos. Trata-se, também, de soberania econômica, inovação e competitividade internacional.
O FUTURO DO PIX
O Banco Central continua ampliando as funcionalidades da plataforma. Novidades como Pix Automático, Pix Parcelado e novas integrações estão sendo desenvolvidas para expandir ainda mais sua utilização. Após apenas cinco anos de funcionamento, o sistema já movimenta dezenas de trilhões de reais por ano e se consolida como o principal meio de pagamento do Brasil. A população brasileira deve observar essa polêmica sobre o PIX com serenidade e se informando sempre. O Pix não está sendo entregue a nenhum país estrangeiro. O que existe é um debate internacional sobre um sistema que se tornou referência mundial em pagamentos instantâneos. Mais do que uma ferramenta tecnológica, o Pix tornou-se um símbolo da capacidade brasileira de inovar, simplificar a vida dos cidadãos e construir soluções próprias para seus desafios econômicos. E é justamente por seu enorme sucesso que ele passou a chamar a atenção do mundo.
Mas, tudo isso criou, além de prejuízo para empresas de cartões de débito e crédito norte americanas, que hoje atuam quase que no mundo inteiro. E essas empresas têm pressionado o governo dos EUA que passou a olhar o PIX Brasileiro como um “entrave” para essas empresas financiadoras da campanha política do atual presidente. A ponto de o governo de Donald Trump querer ‘tomar’ o PIX do Brasil na mão grande – ou quiçá extingui-lo. Mas o que é pior em tudo isso é que há muito brasileiro que se diz patriota, que acha normal que os americanos queiram se apoderar do nosso PIX. E até apóiam isso… No entanto, se depender de nós, brasileiros, não vão levar!
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Por L. Pimentel
Jornalista da Folha do Estado
























