Países da União Europeia dão sinal verde para acordo comercial com Mercosul

Acordo deve ser assinado na próxima semana no Paraguai

Uma maioria qualificada de países da União Europeia aprovou hoje o acordo de livre-comércio com o Mercosul, negociado há mais de 25 anos e criticado pelo setor agropecuário europeu e pela França. Com esse sinal verde, confirmado pelas agências AFP e Reuters com fontes diplomáticas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo na segunda-feira.

Países da União Europeia aprovaram hoje, em Bruxelas, o acordo de livre comércio com o Mercosul, o maior do gênero no mundo, que reunirá um mercado estimado de 722 milhões de consumidores. Apesar da oposição liderada pela França, representantes dos Estados-membros deram sinal verde para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinar o tratado na próxima semana, no Paraguai.

Embaixadores dos 27 estados-membros do bloco europeu indicaram as posições de seus governos e devem reforçar, por escrito, suas posições ainda hoje. Aprovação precisa do apoio de 15 países, que representam 65% da população total do bloco. O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo antes que ele possa entrar em vigor. “É um acordo fundamental para a União Europeia, no plano econômico, político, estratégico e diplomático”, disse ontem Olof Gill, um dos porta-vozes da Comissão, braço executivo do bloco dos 27.

Embora a assinatura ocorra no Paraguai, o acordo não entrará imediatamente em vigor. Isso porque do lado europeu ainda é necessário o aval do Parlamento Europeu, que deverá pronunciar-se em um prazo de várias semanas. E este resultado se apresenta incerto, já que cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do acordo.

Comissão Europeia trabalhou pelo acordo. Órgão europeu, que concluiu as negociações há um ano, e países com peso político, como a Alemanha e a Espanha, atuaram para sua aprovação. Segundo esse grupo, a parceria com o Mercosul é uma parte vital do esforço da UE para abrir novos mercados. O texto alcançado até agora, argumentam, é um meio para compensar as perdas comerciais decorrentes das tarifas dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais essenciais.

Opositores ainda tentam vetar acordo. Liderados pela França, o maior produtor agrícola da União Europeia, países contrários ao texto acertado com o Mercosul afirmam que acordo aumentará as importações de produtos alimentares baratos, incluindo carne bovina, aves e açúcar, prejudicando os produtores nacionais. Os agricultores iniciaram protestos em toda a UE, bloqueando estradas francesas na quinta-feira.

O acordo de livre comércio será o maior da União Europeia em termos de redução tarifária, eliminando 4 bilhões de euros em impostos sobre suas exportações. Os países do Mercosul têm tarifas altas, como 35% sobre peças automotivas, 28% sobre laticínios e 27% sobre vinhos.

A UE e o Mercosul esperam expandir o comércio de mercadorias divididas igualmente no valor de 111 bilhões de euros em 2024. As exportações da UE são dominadas por maquinário, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto as do Mercosul se concentram em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.

CONCESSÕES EM BUSCA DE ACORDO

Para convencer os opositores em relação ao acordo, a Comissão Europeia implementou instrumentos de salvaguardas que permitem suspender as importações de produtos agrícolas sensíveis. O órgão reforçou os controles de importação, principalmente no que diz respeito aos resíduos de pesticidas, criou um fundo de crise, acelerou o apoio aos agricultores e comprometeu-se a reduzir os direitos de importação sobre os fertilizantes.

Concessões ainda não foram suficientes para conquistar apoio de Polônia e França. Já a Itália sinalizou ter mudado de um “não” em dezembro para um “sim” na sexta-feira. A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, disse que a batalha ainda não terminou e prometeu lutar pela rejeição na assembleia da UE, onde a votação poderá ser apertada. Grupos ambientalistas europeus também se opõem ao acordo.

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Texto: Uol com agências AFP e Reuters

 

 

 

Redação
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