Preocupação do Planalto Norte Catarinense com o Mercado Internacional
Por Alan Alves Moreira
O Planalto Norte de Santa Catarina abriga um dos mais importantes polos moveleiros do Brasil. Durante décadas, empresas da região conquistaram espaço no mercado internacional graças à qualidade de seus produtos, à inovação e à capacidade de competir nos mercados mais exigentes do mundo. Hoje, mais da metade da produção regional tem como destino os Estados Unidos.
Essa forte dependência do mercado norte-americano, que por muitos anos impulsionou o crescimento econômico da região, tornou-se também um fator de vulnerabilidade. A perspectiva da imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos representa uma ameaça concreta para milhares de trabalhadores e para toda a economia do Planalto Norte.
O impacto vai muito além das fábricas. Quando as exportações diminuem, toda a cadeia produtiva é afetada. Reduzem-se os investimentos, enfraquecem-se fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços e o comércio local. No fim dessa cadeia está o trabalhador, que depende da estabilidade da indústria para sustentar sua família.
Entre os produtos potencialmente mais atingidos estão os móveis de madeira maciça para dormitórios e salas, armários modulados para cozinhas e banheiros, móveis estofados, painéis, portas, chapas de MDF e MDP, além de diversos componentes utilizados pela construção civil e pela indústria moveleira norte-americana.
Quando uma potência econômica impõe barreiras comerciais, não são apenas contratos que ficam ameaçados. O reflexo chega ao chão de fábrica, reduz pedidos, compromete investimentos e coloca empregos em risco. Não podemos permitir que decisões tomadas fora do Brasil determinem o futuro de milhares de famílias catarinenses.
É justamente por essa razão que defendo a criação de uma Área de Proteção Cambial e Tarifária destinada aos polos exportadores estratégicos do país.
Minha proposta parte de um princípio simples: se fatores internacionais retiram competitividade das empresas brasileiras, o Estado brasileiro precisa agir para preservar sua capacidade produtiva e proteger os trabalhadores.
Defendo que o Governo Federal conceda, de forma temporária, redução ou isenção de tributos federais, como IPI e PIS/Cofins, às empresas comprovadamente afetadas pelas novas tarifas impostas ao comércio com os Estados Unidos.
Esse benefício, entretanto, deve possuir uma contrapartida social clara e objetiva: a empresa beneficiada deverá manter seus empregados durante todo o período em que usufruir do incentivo fiscal. O objetivo é impedir que uma crise internacional seja transformada em desemprego dentro de Santa Catarina.
Também proponho a criação de um Fundo Nacional de Seguro-Produção, destinado a oferecer suporte financeiro às empresas exportadoras diante de crises comerciais, disputas tarifárias ou mudanças abruptas no cenário geopolítico internacional. O Brasil não pode continuar reagindo apenas quando os prejuízos já foram consolidados. Precisamos construir instrumentos permanentes de proteção à indústria nacional.
Outra medida indispensável é ampliar os mercados consumidores dos produtos brasileiros. A excessiva concentração das exportações em poucos países aumenta nossa vulnerabilidade. É necessário fortalecer acordos comerciais e abrir novos mercados na Europa, Ásia, Oriente Médio, América Latina e África, reduzindo a dependência de um único parceiro comercial.
O momento exige diálogo entre o Governo Federal, o Congresso Nacional, a bancada catarinense, o setor produtivo e os trabalhadores. O Planalto Norte não pode pagar sozinho a conta de uma disputa comercial internacional.
Defender a indústria moveleira não significa proteger apenas empresas. Significa preservar empregos, renda, arrecadação, desenvolvimento regional e a dignidade de milhares de famílias que ajudam, diariamente, a construir uma das principais cadeias produtivas de Santa Catarina.
O Brasil precisa responder aos desafios do comércio internacional com inteligência econômica, responsabilidade fiscal e compromisso social. Proteger quem produz é proteger quem trabalha.
Defender o polo moveleiro do Planalto Norte é defender Santa Catarina. É garantir que uma região reconhecida mundialmente por sua capacidade produtiva continue gerando oportunidades, riqueza e desenvolvimento para as próximas gerações.
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